O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) confirmou o lançamento, ainda em abril de 2026, de um novo edital com investimento de R$ 120 milhões para bolsas de pesquisa. O montante, oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), financiará o Programa de Capacitação Institucional (PCI) durante um ciclo de quatro anos. A iniciativa visa fortalecer as 16 unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio de um modelo inédito de ampla concorrência baseado em projetos.
O novo ciclo do Programa de Capacitação Institucional (PCI) traz mudanças significativas para a comunidade científica brasileira. Diferente das edições anteriores, onde as bolsas eram vinculadas diretamente às instituições, o novo formato estabelece um regime de ampla concorrência. Agora, os servidores das unidades de pesquisa devem propor projetos específicos que podem receber aportes de até R$ 1,5 milhão cada.
Investimento recorde e reajuste nas bolsas de pesquisa
O aporte total de R$ 120 milhões representa um marco para a sustentabilidade de projetos de longo prazo. Além do volume de recursos, o governo anunciou um reajuste médio de 30% nos valores das bolsas, fixando o piso em R$ 4 mil.
Este ajuste financeiro busca não apenas atrair novos talentos, mas garantir que pesquisadores do nível técnico ao pós-doutorado tenham condições dignas de manter suas atividades. Do valor total destinado a cada projeto aprovado, até 10% poderá ser utilizado para custos operacionais, abrangendo:
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Aquisição de material de consumo;
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Contratação de serviços de terceiros;
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Pagamento de passagens e diárias para pesquisadores em campo.
Flexibilidade institucional e fomento à inovação
Uma das inovações mais celebradas nesta chamada pública é a permissão para que uma única instituição abrigue múltiplos projetos simultâneos. Desde que validados institucionalmente e submetidos por proponentes distintos, diversos núcleos de pesquisa dentro da mesma unidade poderão captar recursos de forma independente.
A reestruturação também aproxima a academia do setor produtivo. Pela primeira vez, os bolsistas do PCI terão permissão explícita para atuar em empresas de base tecnológica (startups) situadas em ambientes de inovação, como parques tecnológicos e incubadoras. Essa medida visa acelerar a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de soluções práticas para o mercado brasileiro.
Transparência e submissão de propostas no CNPq
Para garantir a correta aplicação dos recursos do FNDCT, o processo de prestação de contas será rigoroso e ocorrerá anualmente. O CNPq destaca que o programa continua sendo o principal motor de recursos humanos temporários para as unidades do MCTI, suprindo demandas essenciais de investigação científica.
Após a publicação oficial do edital no final de abril, o conselho realizará um webinário explicativo. O evento virtual orientará os pesquisadores sobre as novas regras de elegibilidade e o preenchimento técnico das propostas na Plataforma Integrada Carlos Chagas. A recomendação é que os interessados já iniciem o planejamento dos projetos para garantir a conformidade com as novas diretrizes de concorrência.
Com esse movimento, o MCTI e o CNPq esperam elevar o nível de produtividade científica nacional, integrando de forma mais eficiente a pesquisa básica ao ecossistema de inovação tecnológica do país.






