O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta sexta-feira (10) uma regulamentação rigorosa para a publicidade das bets (apostas online), sugerindo que o setor siga normas semelhantes às aplicadas à indústria do cigarro. Durante evento em São Paulo, Padilha classificou a dependência em jogos virtuais como um grave problema de saúde pública e ressaltou a necessidade de o Congresso Nacional avançar em restrições que reduzam o acesso e a exposição da população, especialmente de crianças e jovens, aos estímulos das apostas.
Vício em apostas: um desafio de saúde pública
Para o ministro, o cenário atual das bets assemelha-se ao enfrentado pelo Brasil com o tabagismo em décadas passadas. Padilha lembrou que, no passado, o cigarro dominava os patrocínios esportivos e o marketing voltado ao público infantil, padrão que ele vê se repetir hoje com as plataformas de apostas. A comparação fundamenta a proposta de uma proibição ampla da publicidade para conter o avanço do vício, que já é monitorado pelo Ministério da Saúde como uma patologia de alto impacto social.
Embora o governo já tenha implementado barreiras para impedir o cadastro de menores de idade, o ministro entende que essas medidas são apenas o primeiro passo. “É preciso que a gente dê um passo além no Congresso, tratando as mesmas regras do cigarro, proibindo a publicidade e reduzindo esse acesso”, afirmou o ministro, destacando que a estratégia de enfrentamento deve focar na raiz da propagação do hábito: o marketing agressivo.
Fiscalização de canetas emagrecedoras e farmácias de manipulação
Além do debate sobre as bets, Alexandre Padilha comentou sobre o aumento do rigor na fiscalização das chamadas canetas emagrecedoras. O ministro informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou o monitoramento desses fármacos, mas apontou que o próximo alvo da regulação devem ser as farmácias de manipulação de grande porte.
Segundo Padilha, alguns estabelecimentos de manipulação expandiram suas operações a tal ponto que operam como “verdadeiras indústrias”. Por esse motivo, o ministro defende que essas empresas sejam submetidas às mesmas regras de controle, qualidade e segurança aplicadas às indústrias farmacêuticas tradicionais. O objetivo é garantir que a fabricação de medicamentos emagrecedores siga protocolos rígidos para proteger a saúde dos consumidores.
Impacto na regulação e próximos passos no Congresso
As declarações do ministro sinalizam uma pressão crescente do Executivo sobre o Legislativo para pautar restrições mais severas às empresas de apostas. A equiparação das bets ao tabaco pode alterar significativamente o mercado de marketing esportivo no Brasil, onde as casas de apostas são, atualmente, as maiores patrocinadoras de clubes e eventos. O debate promete ganhar força nas próximas semanas, unindo as pautas de saúde pública e regulação econômica.






