Obras no HSPM: riscos à saúde e segurança denunciados

Denúncias de Falta de Segurança e Isolamento Inadequado

Trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) em São Paulo têm denunciado veementemente a precária situação de segurança e o isolamento inadequado das áreas em obras, expondo pacientes e funcionários a sérios riscos. O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) destaca que intervenções críticas, como as realizadas no centro cirúrgico, são delimitadas de forma insuficiente. A principal preocupação reside no uso de barreiras improvisadas, consistindo meramente em plástico preto e fita crepe, materiais considerados totalmente inadequados para o rigoroso ambiente hospitalar. Esta prática, segundo o sindicato, compromete a integridade e a assepsia de setores vitais do hospital, desconsiderando normas de controle de infecção.

Flávia Anunciação, Secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, reforça a gravidade da situação, alertando para o iminente perigo de contaminação generalizada do ambiente hospitalar. Ela explica que a ausência de barreiras apropriadas e de um planejamento coordenado com a agenda de procedimentos pode levar à proliferação de agentes contaminantes, afetando superfícies, equipamentos e materiais estéreis. “Plástico e fita crepe podem ser úteis em determinado tipo de obra em determinado local. Eu garanto para você que dentro de um centro cirúrgico, que é uma área crítica, essa não é a contenção ideal”, enfatiza Anunciação, sublinhando a completa inadequação do método para áreas de alta sensibilidade e risco.

A avaliação do sindicato aponta que a segurança e o gerenciamento de riscos ocupacionais não estão sendo minimamente considerados nas nove intervenções atualmente em curso nas instalações do HSPM. Segundo o Sindsep, “há meses, o hospital é um canteiro de obras, sem que se tenha estabelecido um diálogo com os trabalhadores, uma pactuação de cronograma ou mesmo ajustes nos fluxos assistenciais à revelia das normas internas do próprio hospital”. A situação se agrava pela persistência do problema: a obra iniciada no meio do centro cirúrgico, por exemplo, continua delimitada apenas por plásticos pretos e fita crepe, dois meses após a primeira denúncia formal do sindicato, evidenciando uma falha grave na gestão e fiscalização das obras.

Contaminação e Riscos à Saúde: O Perigo da Aspergilose

O inadequado isolamento de áreas críticas nas obras do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), denunciado pelo Sindsep, eleva drasticamente o risco de contaminação por microrganismos oportunistas, com destaque para a Aspergilose. Esta infecção fúngica é causada pela inalação de esporos do fungo Aspergillus, comumente encontrados no ambiente, especialmente em poeira e detritos de construções. Em um cenário hospitalar, onde a imunidade dos pacientes é frequentemente comprometida, a proliferação desses esporos pode ter consequências devastadoras, transformando uma intervenção estrutural em uma ameaça à vida.

A movimentação de materiais, cortes e demolições inerentes a qualquer obra gera uma quantidade significativa de poeira. Se essa poeira não for contida por barreiras robustas e herméticas – muito além de “plástico preto e fita crepe”, como apontado para o centro cirúrgico do HSPM –, os esporos de Aspergillus podem facilmente dispersar-se para áreas de alto risco, como unidades de terapia intensiva (UTIs), salas de recuperação, enfermarias e, sobretudo, salas cirúrgicas. Nesses ambientes, a esterilidade é crucial, e a presença de fungos representa uma ameaça direta e grave à recuperação e à vida dos pacientes.

Para pacientes imunocomprometidos – transplantados, oncológicos, portadores de doenças autoimunes ou em tratamento com imunossupressores –, a Aspergilose pode evoluir rapidamente para uma forma invasiva, atacando pulmões, seios da face e podendo se disseminar para outros órgãos vitais, incluindo o cérebro. A taxa de mortalidade para a aspergilose invasiva é alarmantemente alta, mesmo com tratamento agressivo, tornando a prevenção da exposição um pilar fundamental da segurança do paciente em qualquer unidade de saúde sob reforma. A negligência nas medidas de contenção das obras, portanto, não é apenas uma falha operacional, mas um risco iminente e severo à saúde pública, potencialmente resultando em desfechos trágicos e evitáveis.

Planejamento Deficiente e Desrespeito às Normas Hospitalares

O planejamento das obras em andamento no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) é alvo de severas críticas, sendo apontado como um fator de risco iminente à saúde e segurança de pacientes e trabalhadores. As denúncias do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) sublinham a ausência de um plano rigoroso, essencial para qualquer intervenção em infraestruturas de serviços de saúde. Tal deficiência resulta em intervenções inadequadas, que desrespeitam as normas hospitalares básicas e comprometem a integridade do ambiente assistencial, transformando o hospital em um canteiro de obras sem a devida organização.

Um dos exemplos mais contundentes do desrespeito às normas e do planejamento precário é o isolamento de áreas críticas, como o centro cirúrgico, utilizando-se apenas plástico preto e fita crepe. Flávia Anunciação, secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, ressalta a gravidade dessa prática, afirmando que “dentro de um centro cirúrgico, que é uma área crítica, essa não é a contenção ideal”. A inadequação dessas “barreiras” aumenta significativamente o risco de contaminação do ambiente hospitalar, das superfícies e dos materiais estéreis, em clara violação dos protocolos de biossegurança esperados em uma unidade de saúde. Esta situação alarmante persiste há meses, com a obra no centro cirúrgico ainda delimitada da mesma forma, mesmo após denúncias iniciais.

A avaliação do sindicato é que a segurança e o gerenciamento de riscos ocupacionais não foram devidamente considerados em pelo menos nove intervenções distintas. O HSPM, há meses operando sob estas condições, carece de diálogo com os trabalhadores e de uma pactuação de cronogramas. Além disso, os ajustes nos fluxos assistenciais foram implementados à revelia das normas internas do próprio hospital, expondo falhas profundas no gerenciamento do projeto e evidenciando a falta de respeito às diretrizes operacionais. O Sindsep enfatiza que, embora não seja contrário à modernização do hospital, a maneira como as obras estão sendo conduzidas representa um perigo inaceitável para todos que utilizam ou trabalham na instituição.

A Posição da Prefeitura e a Resposta do Sindicato

Em resposta às denúncias sobre as condições das obras no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), emitiu um posicionamento oficial. A nota divulgada informa que o HSPM está atualmente passando por um amplo conjunto de obras de modernização de suas antigas instalações, com a previsão de serem concluídas até o final deste ano. A administração municipal assegura que os serviços são “constantemente acompanhados pelas equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar do HSPM”, buscando garantir a conformidade e a segurança durante todo o processo de intervenção nas dependências do hospital.

Contrariamente à postura da prefeitura, o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) mantém e reforça suas críticas severas. A entidade sindical tem denunciado publicamente a falta de segurança e os riscos iminentes à saúde tanto dos pacientes quanto dos empregados. Segundo Flávia Anunciação, secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, a situação é “extremamente grave”, visto que a ausência de barreiras adequadas e de uma organização compatível com a agenda de procedimentos pode levar à contaminação do ambiente hospitalar, superfícies e materiais estéreis. A dirigente sindical exemplifica que, em um centro cirúrgico, área de criticidade máxima, o isolamento feito apenas com plástico preto e fita crepe é manifestamente insuficiente para a contenção ideal.

O Sindsep enfatiza que, em sua avaliação, os protocolos de segurança e o gerenciamento de riscos ocupacionais estão sendo ignorados em pelo menos nove intervenções distintas dentro do hospital. O sindicato critica a ausência de diálogo com os trabalhadores, a falta de um cronograma de obras pactuado e a implementação de ajustes nos fluxos assistenciais “à revelia das normas internas do próprio hospital”. Flávia Anunciação reiterou que a representação dos trabalhadores não se opõe à necessária reforma do HSPM, mas sim à maneira irresponsável e desplanejada como as obras estão sendo conduzidas, persistindo a problemática mesmo após meses das primeiras denúncias e sem as devidas correções.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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