O avanço exponencial da Inteligência Artificial (IA) promete uma revolução no mercado de trabalho e nos meios de produção, dentro de poucos anos. Enfim, em toda a sociedade.
Aliás, mudanças significativas já vêm acontecendo, levando ao desaparecimento gradual de diversas profissões e funções, a exemplo de profissionais de telemarketing, recepcionistas, auxiliares de escritório, dos setores de atendimento ao cliente e vendas, caixas de banco e de supermercados, digitadores de dados, cobradores de ônibus, motoristas de veículos de cargas e seguranças de carros-forte, porteiros e outros.
Graduação superior
E os avanços não param por aí. Profissões de graduação superior encontram-se ameaçadas, a exemplo de economistas, historiadores, contadores, analistas de finanças, arquitetos, advogados, engenheiros, jornalistas, psicólogos e alguns setores da medicina, incluindo-se, até, a cirurgia robótica.
Redução de postos de trabalho
Não se trata de afirmar que estas profissões de graduação superior deverão desaparecer por completo, mas que deverão reduzir postos de trabalho e limitar a atuação humana a determinadas funções. Além de passarem a demandar atualizações constantes dos profissionais com o intuito de qualificarem-se para utilizarem ferramentas de IA no dia-a-dia.
“Terapia” com chatbots
Enquanto entusiastas dos avanços digitais e tecnológicos aplaudem esta revolução, defendendo que o caminho deve ser sempre em direção ao futuro e a inovação, críticos apresentam preocupações e ressalvas que merecem ser consideradas. O uso de chatbots para fazer “terapia”, por exemplo, não é recomendável por profissionais da área, trazendo riscos pelo incentivo de vieses prejudiciais como, tendências suicidas, além de não substituir a empatia genuinamente humana e outras capacidades que somente um profissional humano pode levar, a exemplo do senso crítico e da criatividade de interpretação e análise, insights e percepções sutis, e da sensibilidade e refinamento psicológico na condução do processo terapêutico.
“Autoconsciência“ e profissões técnicas
Enquanto se discute se, algum dia, a IA alcançará a mimetização de habilidades e capacidades exclusivamente humanas, a exemplo da empatia, emoções e criatividade, e, até, mesmo, vir a adquirir “autoconsciência”, já há uma tendência da geração Z em buscar profissões que não possam ser substituídas pela IA, num breve futuro. Jovens da geração Z têm pensado em alternativas de profissões para além da graduação superior.
Cursos técnicos profissionalizantes
A procura por cursos técnicos profissionalizantes tem crescido nesta faixa etária. Busca-se qualificação profissional em áreas e funções que dependam muito de atuação presencial e tomada de decisões que mudam conforme cada atendimento, além de certas habilidades manuais insubstituíveis pela IA. Conhecimento técnico, raciocínio prático e adaptação constante ao ambiente passam a ser altamente valorizados, a exemplo de profissões ligadas à indústria e construção civil, energia, logística, manutenção e climatização. Estas são áreas que têm encontrado dificuldades em preencher vagas por falta de candidatos qualificados. Instalação de painéis solares, automação industrial, manutenção de máquinas e programação de equipamentos, soldagem, refrigeração e eletrônica são áreas que demandam profissionais qualificados em cursos técnicos profissionalizantes. Prestadores de serviço autônomos como encanadores, eletricistas, pedreiros, pintores, consertos e reparos, em geral, faxineiras, cuidadores de idosos, enfermeiras, chefs de cozinha, confeiteiros, padeiros e demais atividades que dependem de se “botar a mão na massa”, também, estão valorizadas.
Empatia e criatividade
É preciso pensar o futuro profissional levando em consideração todas as funções, habilidades e capacidades que a IA não poderá substituir. Profissões que dependem de habilidades e capacidades genuinamente humanas, a exemplo da empatia, criatividade, sensibilidade emocional e artística e capacidade de realizar tarefas específicas que a IA não consegue equiparar-se: fisioterapia, psicologia e demais profissionais de saúde mental, acupunturistas, massagistas, artistas como atores e bailarinos, escultores, artesãos… Infelizmente, as artes plásticas, a fotografia, a literatura e até, mesmo, a música já são áreas em que a IA vem ganhando espaço.
Controle total
Comenta-se que, a partir de 2030, os avanços em IA deverão trazer um “admirável mundo novo”, em que teremos uma sociedade basicamente controlada pela tecnologia. Um futuro que está muito perto e que provoca mais medo, espanto e preocupação do que admiração. Pensadores de diversas vertentes têm feito o alerta sobre um “sombrio” futuro que se avizinha. Até que ponto a tecnologia pode ajudar o homem e, quando começa a atrapalhar e, até, escravizá-lo? Ao que tudo indica, esse é um caminho sem volta e o que nos resta é tentar conter os danos. Correr atrás do prejuízo. Data centers de IA necessitam de muita água e energia para serem mantidos em funcionamento, só para lembrar de um “detalhe” muito importante. Considerando-se a ameaça climática global e a crise energética deflagrada pelo conflito no Irã, como equalizar essa nova realidade sem maiores estragos ambientais e econômicos?
“Império da IA”
A jornalista especialista em empresas de tecnologia, Karen Hao, aliás, acaba de lançar um livro sobre os avanços da IA e em quê tudo isso pode resultar. A obra da norte-americana, lançada pela editora Rocco, é intitulada “O Império da IA – Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total“. Inclusive, ela cita que o governo brasileiro comprou a narrativa do Vale do Silício e quer transformar o país num grande pólo de data centers. A jornalista não é nada otimista quanto a essa revolução, apontando que o “império da IA” deverá gerar concentração de poder econômico e político, resultando em novas formas de escravização e imperialismo.












