A derrota da seleção brasileira para a Noruega, na Copa, encerrando o sonho do hexa nesta campanha de 2026, trouxe cenas inusitadas a partir da histeria de torcedores, nas redes sociais. Um vídeo, por exemplo, que viralizou, mostrou um torcedor destruindo a própria televisão, em casa, expressando toda a raiva e revolta com o desempenho da seleção. Outro, bastante popular, também, mostrava crianças queimando o álbum de figurinhas da Copa, enquanto um adulto filmava os pequenos.
Histeria
Perder para um time considerado menor, como o da Noruega, realmente é triste, humilhante. Mas vale a pena tanta histeria, revolta, indignação por causa da seleção brasileira? Não é preciso ser profundo conhecedor de futebol para verificar que este time escalado não demonstrou garra, vontade de vencer e de representar o país com honra. Assim, não faz sentido chorar, enraivecer-se ou até quebrar televisão por jogadores que possivelmente não se empenharam tanto quanto poderiam. Por atletas que parecem mais preocupados em desfrutar de vidas de celebridades milionárias, cercados de belas mulheres em festas e baladas, do que dedicarem-se com seriedade a bem defender o Brasil em campo. Por atletas como Neymar, que lucra com as bets, vai a festa mesmo lesionado e entra em campo mesmo com o bom senso ditando que não deveria jogar. Enfim, o futebol brasileiro, faz tempo, deixou de ser tratado com o profissionalismo que mereceria. O lucro, o estrelismo, as vaidades pessoais e a falta de ética ao envolver o patrocínio das bets têm destruído o esporte no país.
“País do futebol”
Infelizmente, não se pode mais dizer que o Brasil é o “país do futebol”. Não é de hoje que a seleção não joga em seu melhor desempenho. Dava gosto acompanhar a seleção brasileira de décadas passadas, a exemplo da Copa de 1982, que, mesmo perdendo o campeonato, jogava com dignidade, com honra, com brio, a partir de atletas de alto nível e profissionalismo como, Zico, Sócrates, Toninho Cerezo… Precisamos cair na real e nos darmos conta de que o Brasil não é mais o “país do futebol”. Somos o país da corrupção, do narcoterrorismo, da impunidade, da violência, da imoralidade e falta de ética em todos os âmbitos, da vulgaridade do funk e de influenciadores fúteis e vazios, que ostentam uma vida luxuosa baseada em mentiras e divulgação de bets, de governantes e políticos que apostam na estupidez de seus eleitores…
Eleições
Enfim, é hora do brasileiro dar atenção ao que realmente importa. Em agosto, oficialmente, começa a campanha eleitoral. Se a seleção brasileira fosse vencedora desta Copa, qual diferença faria na vida do povo brasileiro? Nenhuma. Todos os nossos problemas continuaram iguais. Então, vamos dar a real dimensão e valor às coisas. Muito mais importante é poder viver num país onde há qualidade de vida para todos. Onde o IDH e a renda per capita são altos. Um país que oferece bons serviços em saúde, educação e segurança pública. Que combate, com rigor, a corrupção e a violência. Onde há legislação justa e efetivas punições aos malfeitores da lei. E tudo isso só pode ser alcançado a partir de bons governantes, de lideranças políticas realmente comprometidas em fazer deste país uma grande nação.
Narco-Estado
Nestas eleições, mais uma oportunidade nos é dada de tentar mudar este cenário catastrófico que se avizinha ao país. O avanço das facções do narcoterrorismo, das bets, da violência urbana, da violência contra as mulheres, da criminalidade e da corrupção estão destruindo a sociedade brasileira. A inflação, os juros altos, a falta de investimentos em infraestrutura, a queda no poder de compra das famílias, o endividamento da população, o aumento da carga tributária, entre outros, estão retirando a esperança do brasileiro em dias melhores. Há um notório empobrecimento da classe média, com perdas no poder aquisitivo das famílias que se reflete no comércio e serviços. Por sua vez, as classes mais baixas, também, não têm conseguido ascender socialmente com consistência. Em resumo, o Brasil só está bom para os ricos e super-ricos, como sempre. O futebol brasileiro é apenas um reflexo de todo esse quadro de degradação e decadência.
Glórias passadas
Enquanto o brasileiro não passar a tratar com a mesma seriedade e foco as eleições e a participação política da mesma forma que se dedica a torcer pelo futebol e a seguir o que ditam os influenciadores digitais, não há saída. Pois, já somos um país que nem pode mais contar com as glórias do futebol para viver momentos de alegria, orgulho e honra em ser brasileiro.











