Especialista orienta como aquecer casas no inverno gastando menos

Especialista explica por que muitas construções brasileiras têm baixo desempenho térmico
Docente de Arquitetura da Uniasselvi detalha falhas construtivas em imóveis e apresenta soluções acessíveis para aumentar a temperatura interna

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, muitos brasileiros enfrentam um incômodo recorrente nas residências: a sensação de que o ambiente interno está mais frio que a rua. O fenômeno, conhecido como casa geladeira, expõe uma falha crônica nos métodos construtivos do país. O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Leonardo da Vinci, Vitor Del Giudice Pena, detalha as causas do problema em imóveis brasileiros e aponta soluções que variam do planejamento da obra até adaptações de baixo custo.

FALHAS CONSTRUTIVAS

A principal causa do incômodo é a priorização da estética e do baixo custo em detrimento do bem-estar dos moradores. “A maioria das casas brasileiras é construída com tijolos ou blocos sem nenhum isolamento térmico. No inverno, essas paredes pesadas absorvem a baixa temperatura externa e dissipam todo o calor interno para a rua. Como o ar dentro de casa fica estagnado e as paredes, pisos e lajes estão constantemente geladas, elas passam a ‘irradiar frio’ para os moradores. Na rua, o sol ou mesmo a movimentação do ar quebram essa sensação de confinamento gelado, tornando o interior da edificação termicamente pior do que o ambiente externo”, explica Vitor.

Para quem planeja construir ou reformar, o professor destaca que o isolamento térmico é um investimento com retorno garantido. O acréscimo no custo direto da obra gira entre 5% e 10%. “Esse valor engloba barreiras térmicas, como mantas na cobertura, paredes duplas com miolo isolante ou sistemas de reboco térmico externo. O custo se paga pela eliminação ou redução drástica da necessidade de uso contínuo de aquecedores elétricos, que possuem alto consumo de energia”, detalha.

MUDANÇAS ESTRUTURAIS

As três principais recomendações para garantir o conforto térmico desde o projeto são direcionar quartos e salas para a face norte, que recebe mais iluminação solar no inverno, isolar a cobertura com mantas ou telhas sanduíche para reter o ar quente e adotar janelas e portas com boa vedação para eliminar frestas por onde o ar frio entra.

Segundo o docente, os erros mais frequentes na construção são a ausência de estudo da orientação solar, esquadrias com frestas que geram infiltração de ar frio e falta de transições térmicas. “Paredes de alvenaria simples podem ser substituídas por paredes duplas com isolamento ou receber revestimento interno em gesso acartonado com miolo isolante. Forros de PVC e telhas simples podem ser substituídas por telhas ‘sanduíche’ ou adicionar mantas aluminizadas pesadas sobre a laje/forro, impedindo que o ar quente (que sobe por convecção) escape pelo teto”, aponta.

O especialista também chama atenção para os materiais escolhidos para pisos e janelas. “Pisos cerâmicos e porcelanatos podem ser trocados por pisos vinílicos, laminados ou madeira, que possuem menor condutividade térmica e não dão a sensação de ‘chão gelado’. Já os vidros simples e esquadrias frouxas nas janelas podem ser substituídos por esquadrias com escovas de vedação eficientes e, se possível, vidros duplos para mitigar a perda de calor por condução na janela”, diz.

AÇÕES CASEIRAS

Para quem já tem o imóvel construído e busca alternativas rápidas e econômicas, o professor garante que é possível melhorar o ambiente com medidas simples do tipo faça você mesmo. A principal estratégia é reter o calor interno e isolar o contato direto com superfícies geladas. “O uso de cortinas pesadas, a aplicação de veda-frestas em janelas e o uso de tapetes encorpados sobre pisos cerâmicos são ações eficientes. Essas barreiras impedem a troca de calor com o exterior e quebram a sensação de ‘chão gelado’, tornando o ambiente muito mais aconchegante”, conclui.

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