Secretária Bianca Garcia Neri detalha investimentos em tecnologia, frota e patrulhas especializadas que fortalecem a segurança em Pinhais

Bianca Garcia Neri, secretária municipal de Segurança e Trânsito de Pinhais
Em entrevista exclusiva à A Gazeta Cidade de Pinhais, a secretária Bianca Garcia Neri — delegada da Polícia Civil e à frente da Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito — detalha os investimentos em tecnologia, a expansão da Muralha Digital, fortalecimento da Guarda Municipal, projetos para o trânsito e as ações da Defesa Civil no município

Pinhais tem se destacado no cenário estadual pelos avanços na área de segurança pública. Com uma gestão que une prevenção, tecnologia de ponta e integração entre as forças de segurança, a Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito (Seset) vem implementando uma série de medidas que vão desde a modernização da frota da Guarda Municipal até a expansão do sistema de monitoramento por câmeras com inteligência artificial, a Muralha Digital.

À frente da pasta, a secretária Bianca Garcia Neri — que acumula uma sólida carreira como delegada da Polícia Civil do Paraná, com passagem pela Delegacia da Mulher de São José dos Pinhais — concedeu entrevista exclusiva ao jornal A Gazeta Cidade de Pinhais para detalhar os projetos, os resultados e os desafios da segurança pública no município. A entrevista contou com a participação do comandante da Guarda Municipal, GM Abrantes, servidor de carreira e integrante da primeira turma da corporação.

A Gazeta Cidade de Pinhais: Secretária Bianca, a senhora tem uma carreira consolidada como delegada da Polícia Civil. O que a motivou a assumir a gestão municipal de segurança em Pinhais e como sua experiência policial ajuda a moldar as estratégias da Seset?

Bianca Garcia Neri: Eu atuei como delegada na Delegacia da Mulher de São José dos Pinhais antes de assumir esta secretaria. Durante anos, trabalhei na repressão ao crime, atuando depois que o delito já havia acontecido — lidando diretamente com vítimas, investigações e a realidade dura da criminalidade já consumada. Ao assumir a Seset, eu vi a oportunidade de trabalhar na ponta oposta: na prevenção. Aqui, podemos estruturar políticas públicas que evitam que o crime ocorra, que levam mais segurança para a população antes do problema acontecer. Minha experiência na Polícia Civil me dá a visão de como as investigações funcionam, quais são as demandas reais da segurança pública e como a inteligência policial pode ser aplicada também no âmbito municipal. Isso permite que a gente alinhe as estratégias da Guarda Municipal com as necessidades reais, criando uma atuação integrada e muito mais eficiente entre todas as forças.

A Gazeta: Falando em estrutura, vimos a entrega recente de novas motocicletas para a Guarda Municipal. Como esse investimento melhora o patrulhamento preventivo e o tempo de resposta nas ocorrências da cidade?

Bianca Garcia Neri: Nós tivemos, neste ano, a entrega de seis motocicletas zero-quilômetro, que marcou o retorno do grupamento motorizado da Guarda Municipal de Pinhais. Esse investimento é fundamental porque as motos permitem uma mobilidade muito maior no trânsito urbano, especialmente em horários de pico e em regiões de fluxo intenso, onde uma viatura teria mais dificuldade de deslocamento. O tempo de resposta diminui significativamente — a diferença pode ser de minutos preciosos em uma ocorrência — e a presença visível das viaturas motorizadas nas ruas também aumenta a sensação de segurança da população. É um equipamento que alia agilidade no atendimento e efetividade no patrulhamento preventivo, além de permitir uma cobertura mais ampla do território do município com o mesmo efetivo.

A Gazeta: Comandante Abrantes, qual é o impacto imediato da chegada desses novos equipamentos na rotina da Guarda Municipal e como essa modernização melhora o atendimento direto à população de Pinhais?

GM Abrantes: A gente trabalha com uma atualização contínua. Inclusive, hoje mesmo estamos com uma instrução em andamento para capacitar nossos guardas. A chegada das motocicletas, somada aos novos veículos da ROMU, que contam com equipamentos de segurança modernos, e também os drones, representa um salto na nossa capacidade operacional. Quando a população nos aciona, seja para uma questão de trânsito, seja para uma ocorrência de segurança, a gente consegue chegar mais rápido e com melhores condições de atender. Isso se reflete diretamente na qualidade do serviço prestado ao cidadão.

A Gazeta: Comandante, qual a percepção que o senhor acha que os munícipes têm da Guarda Municipal de Pinhais?

GM Abrantes: Hoje, a gente vê isso claramente comprovado pelos números de acionamentos que temos. A Guarda Municipal é cada vez mais procurada pela população para os mais variados tipos de demanda — questões envolvendo animais, meio ambiente, trânsito. Isso mostra a confiança que o munícipe deposita na Guarda. A gente tem um trabalho de patrulhamento comunitário muito forte, presente nas escolas, nos parques, no programa Maria da Penha. Essa proximidade gera credibilidade.

A Gazeta: Secretária, sobre a Muralha Digital, como está a expansão do monitoramento por câmeras e de que forma a inteligência artificial está sendo usada para identificar veículos suspeitos ou prevenir crimes?

Bianca Garcia Neri: A Muralha Digital é um dos pilares da segurança pública de Pinhais. O sistema conta com câmeras de altíssima resolução equipadas com inteligência artificial, que fazem a leitura automática de placas de veículos em todos os pontos de entrada e saída da cidade — hoje, temos 100% das vias de acesso monitoradas. O sistema consegue identificar em tempo real veículos roubados, furtados ou com restrições judiciais, disparando alertas imediatos para a central de operações da Guarda. Além disso, as imagens têm altíssima qualidade, o que auxilia na identificação de suspeitos e na elucidação de crimes. Estamos expandindo esse monitoramento para dentro dos bairros, ampliando a capilaridade do sistema. A Muralha não apenas atua como um poderoso fator de desestímulo à criminalidade — o criminoso sabe que está sendo vigiado — como também as imagens são compartilhadas com as polícias Civil e Militar, auxiliando diretamente nas investigações e na produção de provas.

A Gazeta: Como é o trabalho conjunto da Guarda Municipal com as Polícias Civil e Militar? Existe alguma operação integrada ou foco especial em áreas específicas do município para os próximos meses?

Bianca Garcia Neri: Segurança pública não pode ser pensada de maneira segmentada. A nossa atuação é totalmente integrada. Trabalhamos lado a lado com a Polícia Militar e a Polícia Civil, com operações conjuntas constantes e planejamento compartilhado. A proximidade física — muitas vezes estamos na mesma base e compartilhamos o mesmo espaço operacional — e o compartilhamento de informações, especialmente das imagens da Muralha Digital e dos dados de inteligência, tornam essa integração ainda mais efetiva. O objetivo é que a resposta seja única, independentemente da cor do uniforme. Para os próximos meses, vamos intensificar as operações em áreas com maior incidência de ocorrências e também em regiões estratégicas do município, sempre com base em dados objetivos e análise de inteligência, direcionando nossos recursos onde eles são mais necessários.

A Gazeta: Secretária, Pinhais é um polo logístico e de passagem. Existem projetos para novos semáforos inteligentes ou intervenções viárias para reduzir gargalos nos horários de maior movimento?

Bianca Garcia Neri: Pinhais é uma cidade que está crescendo verticalmente e se consolidando como um importante polo logístico e industrial da Região Metropolitana de Curitiba. Isso traz desafios grandes para o trânsito, especialmente nos horários de pico. Estamos estudando a implantação de semáforos inteligentes, que se adaptam ao fluxo de veículos em tempo real para otimizar a mobilidade, além de projetos de binários, melhorias em rotatórias, novos redutores de velocidade e ciclovias que conectem pontos estratégicos da cidade. Também realizamos campanhas educativas permanentes, como o Maio Amarelo, porque entendemos que a educação no trânsito é pré-requisito para qualquer mudança estrutural. Toda intervenção viária é precedida de estudos técnicos aprofundados e de diálogo com a comunidade, para garantir que as soluções atendam às reais necessidades da população.

A Gazeta: Comandante, gostaríamos de aproveitar para falar sobre três patrulhas importantes: a Patrulha Escolar, a Patrulha Maria da Penha e a Patrulha dos Parques e Bosques. Como funciona cada uma delas?

GM Abrantes: A Patrulha Escolar já completa quatro anos e tem um foco muito forte na prevenção. Este ano, por exemplo, o tema trabalhado é o bullying. Nossos guardas visitam as escolas regularmente, fazem palestras e estabelecem um vínculo de confiança com os alunos e professores. A Patrulha Maria da Penha atende mulheres que já possuem medidas protetivas, oferecendo suporte e acompanhamento. Elas contam com um botão de pânico, que pode ser acionado por aplicativo, garantindo uma resposta imediata da Guarda em caso de emergência. Já a Patrulha dos Parques e Bosques atua com um veículo elétrico dedicado no Parque das Águas e com patrulhamento programado nas demais áreas verdes da cidade, além do monitoramento por câmeras.

A Gazeta: Existe alguma prioridade no atendimento da mulher por meio da Patrulha Maria da Penha?

GM Abrantes: Sim, existe prioridade não só pelas patrulhas especializadas, mas por todo o efetivo. Quando uma ocorrência envolvendo mulher com medida protetiva é registrada, o deslocamento é imediato e a resposta é ágil. O botão do pânico — disponível em aplicativo de celular — é um recurso que dá mais segurança e autonomia para essas mulheres, e a Guarda está treinada para atender com o acolhimento e a efetividade que o caso exige.

A Gazeta: Secretária, a Defesa Civil também está englobada na sua secretaria. Poderia nos falar um pouco sobre ela?

Bianca Garcia Neri: Quando a gente fala da Secretaria de Segurança e Trânsito, é importante lembrar que dentro da nossa pasta também temos a Defesa Civil, que faz um trabalho fundamental muitas vezes invisível para a população. Estamos desenvolvendo o Plano Municipal de Redução de Riscos, o PMRR, que envolve oficinas participativas com a comunidade, levantamentos com drones, estudos geotécnicos e análises de especialistas para identificar áreas de vulnerabilidade no município. O objetivo é mapear todos os riscos — sejam eles de deslizamentos, alagamentos ou outras ameaças — e implementar medidas preventivas antes que os desastres aconteçam. É um trabalho silencioso, mas extremamente importante para a segurança e a qualidade de vida dos moradores de Pinhais.

A Gazeta: Para encerrar, secretária, qual é a principal entrega ou legado que a senhora quer deixar para a segurança pública de Pinhais até o final desta gestão?

Bianca Garcia Neri: O nosso principal objetivo é trazer uma política pública de segurança bem estruturada, que tenha continuidade independentemente de quem esteja à frente da gestão. Queremos consolidar uma Guarda Municipal cada vez mais preparada, com equipamentos modernos, treinamento contínuo e, acima de tudo, com um trabalho ético e próximo da comunidade. Também queremos fortalecer cada vez mais a integração com as demais forças policiais, porque segurança pública se faz em conjunto. O legado que queremos deixar é o de uma segurança pública baseada em tecnologia de ponta, integração real entre as forças e, acima de tudo, respeito ao cidadão. Pinhais merece uma segurança à altura do seu crescimento e da sua importância na região metropolitana.

A Gazeta: Comandante, e o que a população pode esperar da atuação da Guarda?

GM Abrantes: Eu acho que o nosso comprometimento é a principal marca. São 17 anos de Guarda Municipal em Pinhais — eu sou da primeira turma, estou aqui desde o início dessa história. A população pode esperar uma corporação cada vez mais dedicada, que está nas ruas, que conhece a cidade, que conhece as pessoas e que trabalha todos os dias para proteger e servir. Não medimos esforços para atender bem o cidadão de Pinhais.

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