Maioria dos brasileiros domina habilidades digitais de nível médio

O cenário da transformação digital no Brasil apresenta avanços significativos, mas ainda enfrenta desafios estruturais
Pesquisa da CNI revela que 54,2% da população domina tarefas digitais, mas alerta para a necessidade de qualificação em atividades complexas e IA

Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 54,2% dos brasileiros possuem alta ou média habilidade em tarefas digitais. O levantamento “Retratos da Sociedade Brasileira” acende um alerta sobre a disparidade entre competências básicas e complexas, destacando a urgência de qualificação profissional diante do avanço da inteligência artificial e da automação na indústria nacional.

O cenário da transformação digital no Brasil apresenta avanços significativos, mas ainda enfrenta desafios estruturais. De acordo com a 68ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada pela CNI, o nível de proficiência digital varia drasticamente conforme a complexidade da tarefa. Enquanto 64,1% dos entrevistados dominam funções básicas, apenas 44,5% se sentem aptos a realizar atividades tecnológicas avançadas.

Desafios da qualificação digital na indústria

Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, reforça que a fluidez digital deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito obrigatório. Com a implementação crescente de robótica e inteligência artificial (IA) nas fábricas, o trabalhador precisa intensificar sua base de conhecimento para não se tornar obsoleto. A especialista aponta que a capacidade de resolver problemas complexos no ambiente virtual é, hoje, o principal motor de empregabilidade.

Diferença entre competências básicas e complexas

Para entender o nível de maturidade digital da população, a pesquisa segmentou as atividades em dois grandes grupos:

– Atividades Básicas: Incluem o uso de aplicativos de mensagens, redação de textos simples, gestão de redes sociais, navegação em sites e operações financeiras via PIX.

– Atividades Complexas: Envolvem a configuração de novos hardwares, criação de planilhas de dados, edição de vídeos, uso de softwares em nuvem e a identificação proativa de ciberataques ou e-mails falsos.

O domínio de ferramentas para criação de sites e o uso prático de IA também integram o rol de competências avançadas, sendo essenciais para as novas demandas do mercado de trabalho global.

O abismo geracional na tecnologia

Os dados expõem uma divisão clara por faixa etária. O domínio de competências complexas é liderado pelos jovens: 65,7% dos brasileiros entre 16 e 24 anos possuem nível médio ou alto. No entanto, conforme a idade avança, os números declinam de forma acentuada.

Entre cidadãos de 35 a 44 anos, o índice de alta habilidade complexa cai para 26,2%. O cenário é ainda mais crítico na faixa acima dos 60 anos, onde apenas 9,9% declaram ter facilidade com tais tarefas. Essa redução está diretamente ligada ao momento histórico de entrada dessas gerações no mercado, antes da democratização da internet.

Capacitação profissional com apoio da tecnologia

Como a vida laboral das gerações mais velhas ainda é ativa, a CNI orienta a busca imediata por atualização. Para suprir essa demanda, o Senai, em parceria com o Google Cloud, lançou a plataforma Nai. Esta ferramenta gratuita utiliza tecnologia de ponta para recomendar cursos, identificar tendências de mercado e conectar profissionais a vagas abertas.

Além da indicação educacional, a plataforma oferece um simulador de entrevistas em diversos idiomas. O objetivo é treinar o perfil profissional do candidato, garantindo que ele esteja preparado para os desafios de uma indústria cada vez mais tecnológica e integrada.

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