O cigarro costuma ser associado principalmente a doenças respiratórias e cardiovasculares, mas seus impactos também se manifestam na saúde bucal. O tabagismo favorece alterações na mucosa, problemas gengivais e ósseos, perda de dentes e, em casos mais graves, câncer de boca. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o tabaco e o álcool estão entre os principais fatores de risco para o câncer da cavidade oral, que atinge regiões como lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua e a área inferior. Nas estimativas do órgão para 2026, o tumor da cavidade oral figura como o quinto tipo mais incidente entre os homens no país, com 12.260 novos casos estimados, além de afetar mulheres, com muitos diagnósticos em estágios avançados.
Riscos ao Sorriso
“Quando falamos sobre os impactos do tabagismo, é importante lembrar que a boca está diretamente exposta às substâncias presentes no cigarro. Além de aumentar o risco de doenças gengivais e câncer de boca, o hábito pode contribuir para a perda dentária e comprometer condições importantes para tratamentos de reabilitação oral, como os implantes dentários. Por isso, abandonar o cigarro e manter o acompanhamento odontológico são medidas fundamentais para preservar a saúde bucal”, orienta a cirurgiã-dentista e diretora da Neodent, Dra. Priscila Cordeiro.
O tabagismo também compromete os tecidos que sustentam os dentes. Embora a placa bacteriana represente o principal fator associado às doenças gengivais, o cigarro agrava problemas existentes, favorecendo inflamações, perda de suporte, mobilidade e, em situações avançadas, perda dentária. Esse impacto merece atenção durante a reabilitação oral. O sucesso de tratamentos com implantes dentários depende de fatores comportamentais e das condições da boca, sendo que o tabagismo prejudica a cicatrização e a integração do implante ao osso.
Sinais de Alerta
De acordo com o Ministério da Saúde, o paciente deve observar regularmente lábios, bochechas, gengivas, céu da boca, língua e a região inferior. Entre os sinais que exigem avaliação profissional, a especialista destaca feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas, caroços ou nódulos, rouquidão persistente, dificuldade para mastigar ou engolir, e dificuldade para movimentar a língua ou falar.
A identificação de alterações persistentes na boca, mesmo sem dor, exige consulta imediata a um dentista ou profissional de saúde. O diagnóstico precoce contribui para melhores resultados terapêuticos. Os sintomas também podem estar relacionados a outras condições clínicas, não significando obrigatoriamente a presença de malignidade.
Prevenção e Cuidados
Parar de fumar constitui a principal medida para reduzir a exposição às substâncias tóxicas do tabaco. O Sistema Único de Saúde disponibiliza tratamento para a cessação do tabagismo nas unidades básicas de atendimento. Paralelamente, manter uma boa higiene bucal, escovando os dentes pelo menos três vezes ao dia com creme dental fluoretado e usando fio dental diariamente, ajuda a controlar a placa bacteriana e prevenir cáries.
As consultas odontológicas periódicas permitem identificar alterações em dentes, gengivas e mucosas antes da evolução dos quadros. Fumantes e ex-fumantes precisam redobrar a atenção aos sinais de alerta. A redução de outros fatores de risco, como o consumo de bebidas alcoólicas, também se mostra indispensável, visto que a combinação entre álcool e tabaco potencializa o desenvolvimento de lesões orais graves.
“Para quem já apresenta perda dentária e precisa de reabilitação oral, os implantes dentários são uma excelente alternativa, mas a avaliação individualizada é fundamental para determinar as possibilidades de tratamento para cada caso”, finaliza Priscila.












