O diretor-geral de distribuição da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Denis Mollica, apresentou as ações da concessionária para lidar com eventos climáticos severos durante reunião na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizada na capital federal. O gestor detalhou o plano de ação desenvolvido para mitigar os impactos previstos com a chegada do fenômeno El Niño no Paraná.
“Estamos enfrentando uma situação inédita e temos que estar preparados para isso. Neste contexto, os movimentos regulatórios da Aneel e de todo o setor elétrico estão alinhados ao mesmo propósito, que é o de nos prepararmos. Em todo o ano passado, foram 24 eventos de Interrupção em Situação de Emergência (ISE), na área de concessão da Copel. Neste ano, nem chegamos ainda na situação projetada do Super El Niño e já estamos com 11 eventos de ISE registrados. Então, estamos aplicando e testando o nosso plano a todo momento. O plano de contingência da companhia está muito bem estruturado e sempre em modernização e revisão. É dividido em três fases: antes, durante e o depois dos eventos climáticos”, explicou Mollica.
O fórum debateu os desafios relacionados aos efeitos do clima na geração, transmissão e distribuição de eletricidade no país.
Ações de Prevenção
Denis Mollica integrou o painel moderado por Agnes da Costa, diretora da Aneel. O debate reuniu lideranças da Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica (CEEE Equatorial), CPFL Energia, Celesc e Amazonas Energia.
A diretora do órgão regulador ressaltou a necessidade de fortalecer a preparação das concessionárias. “Os eventos extremos são uma realidade, então não podemos considerá-los imprevisíveis. As distribuidoras precisam desenvolver, de forma sistematizada, formas de antecipar riscos, estruturas protocolos de atuação e mobilizar recursos em situações críticas para acelerar a recomposição, porque os estragos vão acontecer”, destacou Agnes da Costa.
A estratégia da empresa baseia-se em investimentos contínuos na rede elétrica e no monitoramento meteorológico em tempo real, preparando equipes para restabelecer os serviços rapidamente.
Recursos e Estrutura
“Quando você tem um plano de investimento robusto e adequado, pode dispor de mão de obra para atuar em ações de recomposição em momentos de eventos climáticos severos. Na Copel nós estamos falando de 540 equipes pesadas, além de mais de 900 equipes leves para atendimentos. Temos capacidade de mobilizar 7.500 técnicos e eletricistas nesses eventos. É uma força de trabalho relevante”, reforçou Mollica.
A Copel destinou R$ 2 bilhões neste ano para modernização tecnológica. As iniciativas abrangem a Escola Copel de Eletricistas, a descentralização de materiais e o manejo de vegetação próxima aos cabos.
As equipes executaram mais de 860 mil podas e limparam 66 milhões de metros quadrados de vegetação no meio rural nos últimos 12 meses. O programa Paraná Trifásico instalou 25 mil quilômetros de redes rurais protegidas, entregando 19 novas subestações e ampliando outras 95 unidades.
Tecnologia e Automação
A infraestrutura recebeu 503 quilômetros de linhas de alta tensão e 3.900 quilômetros de novos circuitos. A automação foi ampliada com 2.460 religadores automáticos, somando 25.700 equipamentos autônomos que atendem 56% dos consumidores, aliado à instalação de dois milhões de medidores inteligentes.
O diretor citou a reconstrução da rede em Rio Bonito do Iguaçu após um tornado e os reparos em Piraí do Sul após a passagem de um ciclone. “Quando vivenciamos um momento de evento climático severo, a tecnologia, a mobilização, a integração com entes públicos é o que faz a diferença. Em novembro do ano passado, tivemos o exemplo de Rio Bonito do Iguaçu. Toda a cidade ficou desligada pelo efeito do evento climático. Três linhas de transmissão foram derrubadas, 10 torres de 138 mil volts danificadas, 400 postes quebrados”, recordou.
A rede de média tensão de Rio Bonito do Iguaçu foi reestabelecida em 72 horas, e a recomposição total ocorreu em 96 horas com 300 profissionais. Em Piraí do Sul, 110 técnicos normalizaram o sistema em 72 horas.
Integração do Setor
“Foram exemplos de ações de restabelecimento da energia pela equipe da Copel em parceria com forças locais. São referências importantes, por exemplo, para o controle da vegetação próxima da rede elétrica para prevenir desligamentos agravados em eventos climáticos. Em conjunto com a Aneel e representantes do poder público podemos definir um arcabouço regulatório que disponha sobre o porte das árvores adequadas para áreas urbanas e próximas das redes de energia. As distribuidoras podem atuar em conjunto para aperfeiçoar este ponto”, observou Mollica.
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, defendeu a colaboração entre as instituições. “Há desafios que testam a nossa capacidade técnica e outros que testam a nossa capacidade de liderança. Mas existem aqueles que colocam à prova a nossa capacidade de colaboração, como o caso do Super El Niño 2026”, afirmou.
“Desde 2023, experimentamos um conjunto de eventos extremos e temos buscado juntos às distribuidoras a execução de planos de contingência e melhorias nas previsões climáticas. Hoje, vemos que há o compromisso das distribuidoras em se integrar às comunidades nas quais que estão inseridas”, salientou Feitosa.
“Não tenho dúvidas que o consumidor de energia saberá reconhecer o esforço das distribuidoras nos serviços de restabelecimento da energia ante a eventos climáticos extremos. Este workshop representa o compromisso coletivo com as condições energéticas do nosso país. A expressiva participação institucional no evento demonstra que o setor elétrico compreende o que vem pela frente. Grandes conquistas nasceram da cooperação, da confiança e da capacidade de reunir diferentes competências em torno de um objetivo comum”, reforçou o diretor-geral da Aneel.
A previsão indica a ocorrência do Super El Niño para o último trimestre deste ano. O meteorologista Melquizedeq Duarte, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicou que o aquecimento do oceano atingiu 1,8ºC em agosto. “Isso demonstra tendência clara de termos um evento muito forte no último trimestre deste ano”, afirmou. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) projeta 69% de chance de o evento ser o mais rigoroso desde 1950.












