Alimentos detergentes: quais são e o que fazem pela limpeza da sua boca

Vale ressaltar que o consumo destes alimentos não substitui uma higiene bucal adequada, com escovação correta, uso diário de fio dental e, quando possível, uso do enxaguante bucal, de preferência, sem álcool
Uma dieta rica em alimentos detergentes combate mau hálito, cárie, gengivite e as complicações derivadas desses problemas

Apesar do nome estranho, os alimentos detergentes ajudam na limpeza dos dentes durante a mastigação, já que favorecem a remoção de gordura, restos de alimentos e placa bacteriana, evitando que estes se depositem na superfície dentária.

Os alimentos detergentes também aumentam a produção de saliva, que eleva o pH bucal, dificultando a proliferação de bactérias causadoras das cáries, já que estas costumam se multiplicar em meio ácido. Isso significa que uma dieta rica em alimentos detergentes combate mau hálito, cárie, gengivite e as complicações derivadas desses problemas.

“Lembrando que eles não substituem uma boa higienização bucal, mas auxiliam na limpeza, sendo aliados ao bem-estar da sua boca e também da sua saúde geral, pois grande parte deles é composta por alimentos com baixa caloria e nutrientes importantes”, afirma a dra. Maria Geovânia Ferreira, dentista, membro da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE) e da Sociedade Brasileira de Toxina Botulínica e Implantes Faciais na Odontologia (SBTI), e professora assistente de anatomia facial no Miami Anatomical Research Center, Estados Unidos.

Confira quais são os alimentos detergentes e os seus benefícios para a saúde bucal:

Queijos: Excelentes fontes de cálcio e fósforo, os queijos atuam no fortalecimento dos dentes. Além disso, possuem caseína, uma proteína que ajuda na restauração do esmalte dos dentes.

Vegetais e legumes: Verduras e legumes com consistência bastante firme são considerados os alimentos com maior poder detergente. Devido à textura crocante, exigem um tempo maior de mastigação, propiciando mais atrito entre eles e nossos dentes. Desta forma, promovem uma leve raspagem na superfície dentária, fazendo uma limpeza por ação mecânica e estimulando a secreção de saliva.

É o caso de itens como acelga, aipo, brócolis, couve-flor, cenoura, beterraba e rabanete, que oferecem resistência ao serem mastigados, principalmente se forem consumidos crus e com a casca. O pepino, além de consistente, é diurético e atua fortemente na produção de saliva. Outro que aumenta a salivação é o espinafre. Rico em fibras, ele possui ácido oxálico, que contribui na absorção de cálcio, deixando os dentes mais fortes.

Frutas: Assim como vegetais e legumes crocantes, as frutas também funcionam como alimentos detergentes, principalmente aquelas com alta quantidade de fibras. Bons exemplos de frutas fibrosas são maçã, pera, melancia e kiwi. O morango contém ácido málico, um adstringente natural que ajuda a prevenir manchas amareladas nos dentes. Também possui vitamina C, que combate o acúmulo de placa bacteriana.

O limão é outro excelente aliado da saúde bucal, pois aumenta a acidez da saliva e possui ação adstringente e bactericida, eliminando bactérias presentes na boca e no sistema digestivo.

Peixes: Salmão, atum e sardinha são ricos em vitamina D, auxiliando na absorção do cálcio nos dentes e ossos.

Cereais e castanhas: Alimentos como castanha-do-pará, castanha-de-caju e nozes podem ajudar na limpeza dos dentes também pela ação mecânica. Como eles são mais resistentes, o atrito causado pela mastigação colabora com a remoção da placa bacteriana, deixando a superfície dentária mais lisa.

Cereais, castanhas, amêndoas e uva passa contêm ácido oleanólico, um nutriente que ajuda no equilíbrio da flora bucal, impedindo a proliferação de bactérias, além de criar uma película protetora sobre os dentes, protegendo-os de cáries. Já a aveia, a linhaça e o gergelim, além de contribuírem com o aumento da salivação, são ricos em magnésio, ferro e vitamina B, nutrientes importantes para fortalecer gengivas e dentes.

Iogurtes naturais: O consumo deste produto (sem açúcar) ajuda na redução dos níveis de gás sulfídrico, um dos responsáveis pela causa do mau hálito e da propagação de bactérias probióticas, como Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermiphilus.

Segundo a dentista Maria Geovânia Ferreira, é importante que haja uma mastigação completa, para que o alimento seja engolido o mais triturado possível, potencializando a ação detergente e ajudando na digestão dos alimentos.

“Vale ressaltar que o consumo destes alimentos não substitui uma higiene bucal adequada, com escovação correta, uso diário de fio dental e, quando possível, uso do enxaguante bucal, de preferência, sem álcool. Também é fundamental a consulta periódica com seu dentista, que irá indicar e realizar o tratamento ideal para cada paciente”, finaliza Maria Geovânia.

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