Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Povo dividido e corruptos unidos diante de mais um escândalo do Banco Master

Escândalo do Banco Master atinge cúpula política e judiciária

Diante dos escândalos sobre a corrupção no Banco Master, em especial, a partir da prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o país tem assistido, atônito, a uma sucessão de revelações sobre o envolvimento de políticos e magistrados. Ao que tudo indica, conforme as revelações das investigações da Polícia Federal, quase todo mundo em Brasília tinha algum nível de envolvimento com Vorcaro e o Banco Master. Alguns nomes relevantes, inclusive, pareciam manter relações de muita intimidade com o banqueiro mineiro, a exemplo de Flávio e Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e, agora, em novas revelações à imprensa, o outrora super-ministro do STF, Alexandre de Moraes. Não bastasse o contrato já revelado, há muito tempo, de R$130 milhões, do escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci de Moraes, que atua com os dois filhos do casal, também, advogados.

Quebra do sigilo

A partir da quebra do sigilo das conversas entre Vorcaro e Moraes, determinada pelo ministro do STF, André Mendonça, ficamos sabendo que Vorcaro tinha intimidade suficiente com Alexandre de Moraes para pedir ajuda para fugir do país ao tomar conhecimento de sua iminente prisão. As conversas não revelam se Moraes fez algo para efetivamente ajudá-lo. Mas, dado o grau de intimidade da conversa e as relações de prestação de serviço com o escritório da esposa, além da liberação de cartões do banco para os filhos do casal Moraes, no valor de R$300 mil, mas já revelam as relações nada republicanas entre o magistrado e o banqueiro corrupto. Um verdadeiro escárnio, enfim…

Passividade do povo

Este caso do Banco Master é o maior escândalo de corrupção da história do país, maior que o da Lava-Jato, e muitos impressionam-se com o povo brasileiro estar acompanhando a tudo em passividade absoluta. Ninguém fala em ir para as ruas protestar. Pressionar por Justiça. Talvez, por que já viram que não adianta… Mas o que escandaliza mais nem são os escândalos, em si. Visto que, em se tratando de corrupção no Brasil, já estamos mais do que “escolados” em tomar conhecimento do que os poderosos são capazes quando se trata de roubar, levar vantagens pessoais, acumular patrimônio ilegalmente, contratos irregulares, mordomias abusivas e posturas anti-republicanas da parte de detentores de cargos públicos, eletivos ou não.

Relativização da corrupção

O que escandaliza mais é a relativização da corrupção por boa parte do povo brasileiro. A tal da “indignação seletiva”. Se é um político ou magistrado de que gosto, se está do meu lado ideológico, vamos fazer vista grossa. Vamos amenizar, encontrar justificativas. Mas quando se trata do outro polo ideológico, vamos nos indignar, vamos bradar raivosamente, pedindo duras punições. Dizem que o povo estaria anestesiado por tanta corrupção. Eu diria que o povo está extremamente polarizado. Isso não é anestesia. É torcida ideológica. “Quero ver somente a esquerda se dando mal“… ”Quero ver, apenas, a direita se dando mal“….

Corrupção sem ideologia

O fato que muitos não querem enxergar é que, pelo jeito, Vorcaro mantinha relações próximas com gente da esquerda, direita e Centrão. Possivelmente, muitas dessas relações envolviam esquemas de corrupção, troca de vantagens e favores. Conforme o desenrolar dos fatos, é possível concluir que o banqueiro conseguiu unir esquerda, direita e centro em torno da corrupção. Em resumo, quando se trata de corrupção, nenhum lado do espectro ideológico saiu ileso nesta história.

“Torcidas ideológicas“

Contudo, as “torcidas ideológicas” recusam-se a enxergar esse fato como algo relevante. Considerando injusto quando as denúncias e acusações recaem contra o lado para que torcem. A esquerda, agora, acusa André Mendonça, indicado por Bolsonaro, de estar buscando, tão somente, favorecer o candidato Flávio Bolsonaro, ao pedir a quebra do sigilo das conversas entre Moraes e Vorcaro, neste momento de campanha a presidente da República. (Alguém duvida que era essa a intenção, mesmo?) Nos “jogos de poder”, um dia é da caça e outro é do caçador… Mas, a direita bolsonarista, também, protegia o Flávio quando vieram à tona as ligações de Eduardo Bolsonaro com o banqueiro, em relação ao financiamento do filme “Dark Horse”. Até a justificativa de que não havia “nada demais”, visto que seria dinheiro de origem “privada”. Dinheiro “privado” subtraído a partir de fraudes contra aposentados, faltou dizer… É aquele velho comportamento verificado nas torcidas de futebol. Quando o torcedor xinga o juiz por estar supostamente cobrando faltas somente de jogadores do “meu time”…

Blindagem

Enquanto a população divide-se entre direita, esquerda, e “nem, nem” (nem Lula, nem Bolsonaro), a classe política e membros do STF estão quase todos unidos em torno de um objetivo comum: blindarem-se. O máximo que se pode esperar, é que trabalhem para as devidas punições a opositores políticos. A esquerda fará de tudo para se blindar e prejudicar a direita. E vice-versa. Estamos entrando no auge da campanha eleitoral e o objetivo maior é, tão, somente, prejudicar eleitoralmente os adversários. Tão, somente, os adversários. Ninguém, no final das contas, quer combater a corrupção e trabalhar pela aplicação da Justiça, de fato. Nem mesmo, grande parte do eleitorado quer ver a justiça sendo feita, indistintamente, mesmo que atinja seus candidatos “de estimação”.

Povo dividido, corruptos unidos

Se o povo brasileiro continuar dividido desta forma tão polarizada, nada deverá melhorar. Sem a união e pacificação do povo brasileiro, continuaremos tendo mais do mesmo. Novos escândalos de corrupção deverão surgir nos próximos anos que acabarão em pizza. Pois, o povo está desunido. Entretanto, a classe política e os magistrados do STF sabem unirem-se muito bem quando se trata de blindagem dos “seus“. A maior parte do STF, é muito provável, deverá unir-se para salvar Alexandre de Moraes. E o Senado? Deverá unir-se para o impeachment de Moraes, visto que o presidente David Alcolumbre já disse que não deverá pautar o novo pedido de impeachment? A impressão é que os “amiguinhos” de Vorcaro esperam a poeira baixar, apostando no “esquecimento” do eleitor. E na próxima revelação das investigações que eventualmente possa abalar a imagem do “outro lado” do espectro ideológico.

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