Tensão no Oriente Médio eleva dólar e agita mercados globais

O mercado financeiro reagiu com nervosismo à falta de trégua no Oriente Médio. O dólar subiu 0,69% e o Ibovespa recuou, enquanto o petróleo disparou para US$ 108

O mercado financeiro viveu um dia de forte volatilidade nesta quinta-feira (26), impulsionado pelas incertezas sobre um cessar-fogo no Oriente Médio. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,256, com alta de 0,69%, após declarações conflitantes entre os Estados Unidos e o Irã elevarem a aversão ao risco global. No cenário doméstico, o Ibovespa interrompeu uma sequência de altas e recuou 1,45%, enquanto os preços do petróleo dispararam no mercado internacional, refletindo o temor de interrupções no fornecimento de energia.

A instabilidade geopolítica voltou a ditar o ritmo dos ativos financeiros ao redor do mundo. Investidores buscaram proteção em moedas fortes e ativos seguros após o presidente dos EUA, Donald Trump, e o governo iraniano apresentarem posições divergentes sobre um possível acordo diplomático. O resultado foi uma corrida cambial que nem mesmo a intervenção direta do Banco Central (BC) conseguiu neutralizar totalmente.

Dólar e a Atuação do Banco Central no Câmbio

O dólar comercial apresentou uma trajetória oscilante ao longo da sessão. A moeda abriu cotada a R$ 5,26, chegou a recuar para R$ 5,21 pela manhã, mas acelerou bruscamente no período da tarde. Com o fechamento a R$ 5,256, o dólar acumula uma alta de 2,38% apenas em março.

Para tentar conter a pressão de alta, o Banco Central injetou US$ 1 bilhão no mercado por meio de leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra). Esta foi a segunda intervenção da semana, somando-se ao leilão de terça-feira (24), evidenciando o esforço da autoridade monetária para prover liquidez e suavizar a volatilidade da moeda estadunidense.

Ibovespa e o Cenário das Bolsas de Valores

O pessimismo internacional contaminou a B3. O índice Ibovespa recuou 1,45%, encerrando aos 182.732 pontos. O movimento acompanhou o fechamento negativo das bolsas de Nova York, onde o aumento da cautela dos investidores penalizou ativos de risco em mercados emergentes como o Brasil.

Além do cenário externo, fatores domésticos contribuíram para a queda das ações:

  • Inflação acima do esperado: A prévia da inflação oficial (IPCA-15) de março registrou alta de 0,44%. Embora tenha desacelerado em relação ao ano anterior, o índice ficou acima das projeções do mercado, acendendo o alerta sobre o cenário inflacionário e a trajetória dos juros.

  • Aversão ao risco: A falta de avanços concretos nas negociações diplomáticas entre as potências mundiais afastou o capital estrangeiro da bolsa brasileira.

Preço do Petróleo Brent Dispara com Risco de Oferta

O setor de energia foi o mais impactado pelas tensões no Golfo Pérsico. O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, subiu expressivos 5,7%, alcançando o patamar de US$ 108,01.

O mercado teme que o prolongamento do conflito resulte em interrupções físicas no fornecimento global de petróleo, o que pressiona os preços para cima e gera impactos em cascata na economia global, incluindo o aumento dos custos de combustíveis e pressões inflacionárias adicionais para países importadores.

Expectativas para o Mercado Financeiro

Analistas apontam que o mercado permanecerá sensível a qualquer sinalização diplomática nos próximos dias. A volatilidade deve continuar sendo a tônica tanto para o câmbio quanto para as ações, enquanto não houver uma definição clara sobre o cessar-fogo. A atenção dos investidores também se volta para os próximos passos do Banco Central e os novos dados de inflação que podem balizar a política monetária nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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