A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana confirmou que as condições do El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno gradativamente se intensifica e atinge o ápice entre a primavera e o verão de 2026 e 2027 do Hemisfério Sul. Os impactos do evento climático no território paranaense são monitorados 24 horas por dia pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, o Simepar, que é vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável.
Os dados constatados pelo órgão americano apontam que a temperatura da superfície do mar já está acima de meio grau desde maio e as previsões indicam que essa temperatura seguirá subindo. Além da superfície, o aquecimento também ocorre nos primeiros 200 metros de profundidade. O oceano influencia a atmosfera, e a atmosfera influencia o oceano: o aquecimento das águas altera os ventos alísios.
AQUECIMENTO OCEÂNICO
A direção das correntes aéreas na região equatorial começou a sofrer modificações estruturais que impactam o clima global.
“A direção dos ventos na região do Oceano Pacífico equatorial, que era de leste para oeste, começou a mudar para o sentido contrário, trazendo as águas quentes da Oceania em direção ao oeste da América do Sul. Isso pode retroalimentar o aquecimento da água e muda o regime das tempestades em vários locais do planeta”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Como trata-se de um fenômeno em larga escala que produz impactos climáticos globais, é necessário que o aquecimento oceânico esteja acima de 0,5°C da média por três meses consecutivos para que o El Niño, efetivamente, esteja consolidado. A previsão aponta que isso ocorra em julho.
“Por este motivo, o El Niño não impacta, ainda, diretamente o clima no Paraná, mas já poderá impactar a partir de julho. As previsões dos principais centros de monitoramento climático no mundo convergem para o registro de chuvas acima da média mensal até dezembro no Paraná, sendo muito acima durante a primavera”, ressalta Reinaldo.
RISCO HISTÓRICO
Existe uma probabilidade matemática alta de intensificação do fenômeno nos meses finais do ano. Há uma chance de 63% de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro. A previsão aponta a possibilidade de que o fenômeno em 2026 seja classificado entre os maiores eventos do El Niño no registro histórico, iniciado em 1950, até o momento.
Nesta semana também foi divulgada uma atualização da previsão dos impactos ambientais pelo sistema europeu Copernicus, que inclui dados de centros meteorológicos da Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão e Canadá. Assim como o órgão americano, este conjunto de análises converge para a ocorrência de um El Niño forte a muito forte, que favorece com que a projeção de chuvas volumosas se mantenha até dezembro.
AÇÕES DE MITIGAÇÃO
Já acompanhando o cenário, desde março, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil intensificou a atuação voltada à preparação e mitigação de desastres naturais por meio dos 10 Núcleos de Atuação Regional. Sob a coordenação do órgão estadual já foram realizados dois simulados em áreas de risco em Morretes e Antonina, no Litoral. O departamento promove encontros com os coordenadores regionais e prefeitos para fortalecer ações de prevenção frente aos possíveis impactos.
Entre as iniciativas prioritárias nos municípios estão o desassoreamento de rios e córregos, atualização do Plano de Contingência com o mapeamento das áreas de risco, da população vulnerável e do cadastro dos abrigos públicos. Ocorre também a criação de fundos municipais para a transferência de repasses financeiros em casos de desastre. Em 2025 e 2026, a instituição destinou R$ 16 milhões de recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas para obras de prevenção de drenagem e reconstrução de pontes.







