SUS: Nova vacina pneumocócica 20-Valente em junho

O SUS vai substituir a vacina VPC10 pela moderna VPC20 a partir de junho, dobrando a proteção contra meningite e pneumonia. Entenda as novas regras de transição

O Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde começará a disponibilizar, a partir de junho de 2026, uma nova e mais abrangente vacina pneumocócica no SUS. O imunizante conjugado 20-valente (VPC20) substituirá gradualmente a antiga versão 10-valente (VPC10) em todo o território nacional, dobrando a quantidade de sorotipos bacterianos prevenidos. A medida foi oficializada por meio da publicação de um guia técnico preliminar enviado aos municípios brasileiros, com o objetivo claro de conter o recente aumento epidemiológico de infecções graves, como pneumonia e meningite bacteriana, principalmente em crianças pequenas e grupos de risco.

Entenda a Mudança da Vacina Pneumocócica no SUS

O avanço na cobertura vacinal representa um marco estratégico para a saúde pública brasileira. A introdução da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) visa substituir a versão antiga (VPC10), que combatia apenas dez sorotipos do pneumococo. Com a nova formulação, o SUS dobra o espectro de prevenção, garantindo imunidade contra uma gama muito maior de variações da bactéria.

O Ministério da Saúde já distribuiu as primeiras diretrizes técnicas para os profissionais de saúde pública. De acordo com o documento oficial, os municípios e postos de vacinação de todo o país estão autorizados a iniciar a aplicação da VPC20 assim que os lotes do novo imunizante forem entregues pelas distribuidoras regionais.

O Impacto da Doença Pneumocócica na Saúde Pública

A doença pneumocócica é uma infecção originada pela bactéria Streptococcus pneumoniae (também conhecida popularmente como pneumococo). Essa bactéria pode desencadear desde quadros clínicos leves e ambulatoriais até complicações médicas severas com alto índice de letalidade.

Entre as principais manifestações causadas pelo agente patogênico, destacam-se:

  • Quadros leves: Otite (inflamação aguda no ouvido) e sinusite;

  • Quadros graves: Pneumonia bacteriana obstrutiva, sepse (infecção generalizada no sangue) e meningite pneumocócica.

Estatísticas médicas globais e nacionais estimam que o pneumococo seja o agente responsável por até 50% de todos os diagnósticos de meningite bacteriana em crianças. O dado mais alarmante refere-se à taxa de mortalidade nesses cenários específicos, que gira em torno de 30%. Além do público infantil, idosos, portadores de comorbidades crônicas e indivíduos imunossuprimidos demonstram extrema vulnerabilidade à infecção.

O Fenômeno do Replacement e a Evolução Epidemiológica

A inserção da vacina VPC10 no calendário básico infantil ocorreu no ano de 2010. Desde a sua implementação, o país registrou resultados excelentes, incluindo uma redução expressiva de 60% nos casos de doença meningocócica associada aos dez sorotipos originais em crianças de até dois anos de idade. Na mesma faixa etária, as internações por meningite pneumocócica despencaram 65%.

Contudo, os boletins epidemiológicos mais recentes apontam para um repique estatístico preocupante. Entre os anos de 2013 e 2019, o Brasil sustentava uma média anual estável de 164 casos de meningite pneumocócica em menores de cinco anos. No período compreendido entre 2022 e 2024, essa mesma média anual saltou para 211,3 ocorrências registradas.

Especialistas em imunização esclarecem que esse crescimento é reflexo de uma mudança no comportamento da própria bactéria, um processo conhecido cientificamente como “replacement” (ou substituição de sorotipos). Quando a vacinação em massa consegue suprimir e controlar com eficácia determinados tipos circulantes de uma bactéria, outros sorotipos que não estavam incluídos na vacina antiga começam a ocupar o espaço ecológico e a se propagar com maior intensidade.

Análises laboratoriais realizadas pela vigilância do Ministério da Saúde provam que quase 40% das amostras coletadas de casos graves entre 2018 e 2023 foram geradas por apenas dois tipos específicos de pneumococo. Esses sorotipos não eram cobertos pela VPC10, mas estão plenamente integrados na nova composição da VPC20. Em bebês com menos de um ano de vida, cerca de 11% dos casos de meningite foram associados a estes novos alvos da vacina 20-valente, justificando a urgência da atualização no SUS.

A Importância da Proteção Indireta e Coletiva

Uma das grandes vantagens das vacinas pneumocócicas conjugadas, característica compartilhada tanto pela antiga VPC10 quanto pela nova VPC20, é a capacidade de impedir que a bactéria se aloje e colonize a região da nasofaringe dos indivíduos vacinados.

Isso significa que, além de proteger a pessoa que recebeu a dose contra o desenvolvimento de infecções graves, o imunizante quebra a cadeia de transmissão comunitária. Como consequência direta, cria-se um bloqueio sanitário que gera proteção indireta para indivíduos não vacinados ao redor, diminuindo a circulação do patógeno na sociedade.

Grupos de Alto Risco Beneficiados e Estoques Anteriores

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já contava com outras variações vacinais mais amplas, como a VPC13 e a VPP23, porém o acesso era restrito a grupos específicos de alta vulnerabilidade clínica através dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Com a nova estratégia governamental, essas versões também serão descontinuadas e substituídas integralmente pela VPC20 assim que os estoques atuais chegarem ao fim.

Os grupos de alto risco que possuem indicação prioritária para receber a vacina pneumocócica no SUS incluem:

  • Pessoas diagnosticadas e vivendo com HIV/Aids;

  • Pacientes oncológicos em tratamento ativo;

  • Transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea;

  • Pacientes com quadros severos de imunodeficiência;

  • Portadores de nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas;

  • Indivíduos com asma grave ou diabetes mellitus;

  • Pessoas com Síndrome de Down e bebês nascidos prematuros.

Regras de Transição no Calendário de Vacinação Infantil

O cronograma padrão de vacinação infantil do SUS determina que os bebês devem receber o imunizante em um esquema de duas doses fixas, aplicadas obrigatoriamente aos 2 e aos 4 meses de vida, seguidas por uma dose essencial de reforço recomendada aos 12 meses de idade. Crianças menores de cinco anos que estejam com o esquema em atraso devem procurar os postos de saúde para atualização imediata.

Para evitar desperdícios e garantir a transição segura durante o período de substituição das ampolas nos postos de saúde, o Ministério da Saúde estabeleceu regras claras de combinação de doses:

  • Esquema Iniciado do Zero: A criança receberá a VPC20 na primeira dose e no reforço de um ano, utilizando a VPC10 apenas na segunda dose, caso os estoques locais exijam.

  • Esquema em Andamento: Crianças que tomaram a primeira dose da vacina antiga (VPC10) farão a migração automática, recebendo a nova VPC20 na segunda dose e também no reforço subsequente.

  • Esquema Básico Completo: Crianças de até 5 anos incompletos que receberam apenas as duas doses regulares da VPC10 no passado terão direito a uma dose extra de reforço com a nova VPC20 para estender a proteção contra os novos sorotipos.

A vacina é considerada extremamente segura, sendo contraindicada estritamente para pessoas com histórico comprovado de alergia grave (anafilaxia) a algum dos componentes da fórmula ou que manifestaram reações severas em aplicações de doses anteriores. Pacientes que apresentarem quadro de febre aguda devem postergar a vacinação até a plena recuperação dos sintomas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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