A rotina de consultas, exames e esperas prolongadas em ambientes hospitalares ganhou um suporte fundamental em Curitiba. Mães que acompanham o tratamento de seus filhos nos principais complexos de saúde da capital, como o Hospital de Clínicas e o Pequeno Príncipe, encontraram no programa Base (Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego) um ponto de acolhimento estratégico. Localizado no Centro da cidade, o espaço oferece refeições gratuitas e suporte social para famílias que enfrentam o impacto financeiro de longas jornadas de cuidado médico.
Para muitas dessas mulheres, que vêm de diversos bairros e municípios da Região Metropolitana, almoçar no Base significa aliviar um orçamento doméstico já pressionado por gastos com transporte, medicamentos e insumos hospitalares. Criado pela Prefeitura de Curitiba, o programa serve diariamente 200 refeições no almoço e 300 no jantar. O serviço é integrado a uma rede que inclui assistência social, saúde e segurança, oferecendo mais do que o suporte nutricional: uma oportunidade de recomeço e dignidade em meio à vulnerabilidade.
ALÍVIO E PRESENÇA
A diarista Lilian de Jesus, de 36 anos, moradora de Piraquara, vivencia essa realidade ao acompanhar o filho José Lúcio, de 13 anos, no Hospital de Clínicas. Segundo ela, os custos na região central são proibitivos para quem chega com o dinheiro contado para a passagem. Ter a alimentação garantida é, em suas palavras, uma preocupação a menos em um momento de extrema dificuldade.
Situação idêntica é relatada por Cristiane Aparecida Jess, que cuida da filha Milena, diagnosticada com Síndrome de Sotos, e destaca que a gratuidade da refeição faz diferença real na manutenção da casa.
Além do aspecto financeiro, o Base permite que as mães mantenham-se mais presentes durante o acompanhamento clínico. A técnica de enfermagem Juliane Ferreira de Albuquerque, mãe de duas crianças em tratamento contínuo, explica que o benefício possibilita que ela não se afaste do hospital por longos períodos. Ao evitar o deslocamento em busca de alimentação barata, ela não perde atualizações médicas importantes, o que gera uma sensação de segurança tanto para ela quanto para os filhos em recuperação.
REDE DE SOLIDARIEDADE
A iniciativa tem estimulado a formação de redes de apoio mútuo entre as usuárias do serviço. Aline Ramos Machado de Paula Malaquias, ativista das doenças raras, utiliza o espaço para incentivar outras mães que passam o dia inteiro entre consultas. A cantora Vanessa Gargioni Pinto também conheceu o projeto por indicação de outras mulheres, reforçando que a ajuda vai além do prato de comida, fornecendo a força emocional necessária para seguir com os tratamentos.
O secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, define o Base como um espaço de humanidade. Segundo o secretário, ao apoiar essas mães, a gestão municipal cuida de famílias inteiras. O local conta com uma estrutura organizada que inclui refeitório para 100 pessoas e área de espera, reunindo equipes da Fundação de Ação Social (FAS), Guarda Municipal e Sine. O Base funciona na Alameda Dr. Muricy, 71, consolidando-se como um endereço de referência para a proteção social no coração de Curitiba.







