Bairro Cajuru recebe projeto-piloto de drenagem sustentável e calçada porosa

Para Nair Serino Freire, moradora do bairro há 40 anos, a obra é recebida com alívio pelos moradores
Com investimento de 770 mil reais, a Prefeitura de Curitiba implanta sistema híbrido que utiliza amortecedores hidráulicos e bacias de detenção para prevenir alagamentos

A Prefeitura de Curitiba iniciou a execução de uma obra de infraestrutura que coloca a capital paranaense na vanguarda do manejo sustentável de águas pluviais. Localizada na Rua Euclides Taborda Ribas, no bairro Cajuru, a intervenção introduz um modelo de engenharia projetado para enfrentar o aumento da intensidade das chuvas. Com investimento de 770 mil reais, a obra integra o PRO Curitiba e foca na solução de alagamentos históricos que atingem o setor leste da cidade.

Diferente das obras de drenagem convencionais, que se limitam ao transporte da água através de tubos, o projeto no Cajuru adota o conceito de Cidade Esponja. A estratégia central é a implantação de calçadas drenantes, construídas com uma camada de concreto poroso associada a um lastro de brita. Essa combinação permite que o pavimento funcione como um filtro e um reservatório, permitindo que a água infiltre gradualmente no solo em vez de sobrecarregar as sarjetas e bocas de lobo.

AMORTECIMENTO HIDRÁULICO

Sob a coordenação da Secretaria Municipal de Obras Públicas, os trabalhos avançam na instalação de uma nova rede de galerias pluviais com dispositivos de retenção. Abaixo da tubulação de concreto, está sendo construído um berço de brita que atua como um amortecedor hidráulico. Essa camada granular armazena temporariamente o excedente hídrico, diminuindo a velocidade da água que segue pela rede. O objetivo é evitar o efeito de correnteza forte dentro das manilhas, que costuma causar rompimentos e transbordamentos em eventos extremos.

Complementando o sistema, o projeto inclui duas bacias de detenção com capacidade para armazenar até 260 metros cúbicos de água. Essas estruturas funcionam como pulmões hídricos: elas retêm o volume crítico durante o auge da tempestade e o liberam de forma controlada apenas quando a rede principal já possui vazão segura. Segundo o engenheiro Vinicios Hyczy do Nascimento, desenvolvedor do projeto, essa abordagem híbrida amplia significativamente a resiliência da infraestrutura urbana frente ao adensamento populacional e às mudanças climáticas.

RESGATE DA SEGURANÇA

A obra é recebida com alívio pelos moradores, que há décadas convivem com o temor de perdas materiais. Nair Serino Freire, moradora do bairro há 40 anos, relata que a rotina de erguer móveis e limpar o barro após as enxurradas compromete a qualidade de vida da comunidade. A nova infraestrutura promete estancar esse ciclo de prejuízos, oferecendo segurança para as residências situadas nas cotas mais baixas da rua.

A expectativa da Secretaria de Obras Públicas é concluir a intervenção em 90 dias, dependendo da estabilidade climática no período. O diretor do Departamento de Pontes e Drenagem, Paulo Vitor Lucca, afirma que este projeto-piloto será rigorosamente monitorado para avaliar a durabilidade do concreto poroso e a eficácia das bacias de detenção. Se aprovado, o modelo deve ser replicado em outras regiões suscetíveis a alagamentos, consolidando o compromisso da gestão municipal com a adaptação tecnológica e a sustentabilidade ambiental.

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