Prefeito Eduardo Pimentel articula retirada dos trens de carga da cidade

eduardo pimentel
Comitiva mobiliza Ministério dos Transportes e ANTT para incluir contorno ferroviário na concessão da Malha Sul e eliminar riscos na capital

Com o apoio político de deputados federais e lideranças empresariais, o prefeito Eduardo Pimentel participou da primeira audiência pública da concessão da Malha Sul, em Brasília. Na sequência, em reunião com o ministro dos Transportes, George Santoro, a comitiva da capital paranaense apresentou a demanda da inclusão dos projetos executivos e a implantação do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste nos editais da concessão. A medida visa retirar os trens de carga da área urbana de Curitiba.

Além do chefe do Executivo municipal, estiveram no Distrito Federal os secretários municipais Marcelo Fachinello, do Governo Municipal, e Marc Sousa, da Comunicação, junto a Cléver Almeida, assessor da presidência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. A delegação contou também com deputados federais e lideranças do setor produtivo, a exemplo de João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, representando o G7 e o Movimento Pró Paraná.

Mobilização em Brasília

Na audiência pública, o prefeito Eduardo Pimentel pôde defender a demanda do município, aproveitando a janela de oportunidade para solicitar à Agência Nacional de Transportes Terrestres a inclusão do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste dentro da próxima concessão.

“Curitiba tem um Estudo de Viabilidade Técnica Ambiental que já demonstra os ganhos com a retirada do trem de carga do meio da cidade. E um estudo do Ippuc também indica o planejamento da reestruturação urbana nas áreas remanescentes dos trilhos no futuro”, explicou o prefeito.

Gargalo na mobilidade

A ferrovia de carga que atravessa o município representa um dos maiores entraves à mobilidade urbana, à segurança viária e ao desenvolvimento da cidade. Atualmente, os 40,7 quilômetros de trilhos cortam 21 bairros, dividem comunidades, interferem diretamente no funcionamento do transporte coletivo e impactam a rotina de aproximadamente 467 mil moradores.

Ao longo do trecho urbano existem 51 passagens em nível, que interrompem o sistema viário e provocam congestionamentos, atrasos no transporte coletivo e conflitos permanentes entre o trem e o trânsito da cidade. A ferrovia também cruza dois importantes eixos estruturais do BRT, comprometendo a eficiência de um sistema utilizado diariamente por cerca de 237 mil passageiros.

Elevada acidentabilidade

Além dos impactos sobre a mobilidade, a capital concentrou o maior número de acidentes ferroviários do país. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres mostram que, entre 2005 e 2025, foram registradas 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul, número muito superior ao da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, que é Juiz de Fora, em Minas Gerais, com 247. Somente entre 2021 e 2024, foram contabilizados 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.

Avaliação do Ministério

Na reunião após a audiência, o ministro George Santoro recebeu a demanda da comitiva e pôde avaliar os benefícios da inclusão do novo contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste nos editais da concessão da Malha Sul. A obra produzirá ganhos expressivos para Curitiba, para a Região Metropolitana e para a logística nacional.

Entre os principais benefícios estão o fim dos conflitos entre o trem, o BRT e os cruzamentos em nível; a integração de bairros atualmente divididos pela ferrovia; a criação de novas conexões viárias, corredores de transporte coletivo, parques lineares, ciclovias e áreas verdes; a possibilidade de novos projetos habitacionais e equipamentos públicos nas áreas hoje ocupadas pela infraestrutura ferroviária; além do aumento da capacidade operacional da ferrovia e do fortalecimento da ligação logística com o Porto de Paranaguá e com as cadeias exportadoras do Paraná.

Próximas etapas

Até o final de agosto, a agência reguladora deve realizar novas audiências públicas para aprimorar a modelagem da concessão dos corredores ferroviários Mercosul, Rio Grande e Paraná–Santa Catarina, com a participação da sociedade, do setor produtivo, de operadores ferroviários, especialistas e demais interessados.

O prefeito ressaltou que a receptividade foi grande. “Agora vamos continuar. Teremos audiência pública dia 27 de julho para conquistar essa demanda histórica”, disse Eduardo Pimentel.

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