PF lança laboratório contra garimpo ilegal na Amazônia

© PF/Divulgação
A Polícia Federal inaugurou em Brasília o Laboratório de Geoquímica Forense, estrutura que mapeia a origem do ouro para combater o garimpo ilegal na Amazônia

A Polícia Federal (PF) inaugurou o Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral no Instituto Nacional de Criminalística (INC), localizado em Brasília. A nova estrutura integra o Programa Ouro Alvo, financiado com R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia no âmbito do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas). O objetivo central da iniciativa é mapear a assinatura química do ouro extraído no país, permitindo identificar a origem exata do minério e estrangular a cadeia financeira de organizações criminosas que atuam no garimpo ilegal e no desmatamento na Amazônia Legal.

Tecnologia científica e rastreabilidade do minério

A implantação do novo laboratório da Polícia Federal representa um marco no uso da ciência contra os crimes ambientais. Por meio da análise detalhada e da catalogação do perfil químico das jazidas brasileiras, os peritos criminais conseguem criar um banco de dados de referência. Essa tecnologia possibilita comparar amostras de ouro apreendidas em operações com os registros do sistema, determinando a procedência exata do material com rigor pericial.

A determinação da origem do ouro fornece provas materiais decisivas para investigações complexas e fiscalizações de campo. Além de comprovar a extração irregular em terras indígenas e áreas de preservação, o mecanismo busca inibir novas investidas da mineração clandestina, contendo o avanço do desmatamento e o contágio por mercúrio nos ecossistemas da Região Amazônica.

Investimento do Fundo Amazônia e estrutura operacional

Os recursos de R$ 318,5 milhões alocados pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), custeiam a aquisição de equipamentos periciais de última geração. O investimento abrange máquinas de alta precisão para análises minerais, mensuração de contaminação por mercúrio e infraestrutura adequada para preparação e guarda de amostras no INC.

O plano de ação opera dividido em quatro eixos estratégicos. A execução envolve a atuação integrada da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e governos dos nove estados que integram a Amazônia Legal. A sinergia entre as forças de segurança amplia a capacidade operacional de inteligência nas fronteiras e áreas críticas de garimpo.

Ações estratégicas contra o poder econômico ilegal

De acordo com o diretor da Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire de Barros, a unidade fortalece a produção de provas científicas e consolida resultados históricos na redução da degradação ambiental. Complementando a visão institucional, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que a identificação do “DNA do ouro” dificulta a lavagem do minério e blinda a economia nacional contra práticas predatórias.

Por sua vez, o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano do MMA, Adalberto Maluf, enfatizou que o avanço tecnológico permite ir além das apreensões pontuais no terreno. Ao atingir o financiamento e a cadeia de custódia do garimpo ilegal, o Estado protege o bioma, a saúde pública e a subsistência das populações ribeirinhas e povos originários afetados pela atividade criminosa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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