O que aconteceu na última terça-feira (15/09), no Supremo Tribunal Federal (STF), superou as expectativas gerais de que tudo acabaria em pizza. Depois de um dia inteiro de discussão, terminou-se por decidir adiar a decisão. Adiar a pizza. Mas já é possível sentir o cheirinho da “dita cuja” espalhando-se por todo o território nacional…
Pedido de vista
Ou seja, a pizza deverá ficar mais um “tempinho” no forno só para supostamente não “melar“ as eleições. O pedido de vista do ministro Gilmar Mendes acabou com aquela sessão patética, das mais cínicas, onde viu-se ministros engalfinhando-se, num bate-boca com trocas de acusações intercaladas por exibições ridículas de erudição com o intuito de dar um ar de seriedade ao que todo mundo percebia tratar-se de uma discussão de boteco de quinta categoria.
Juntos ou separados?
No final, o placar ficou a 4 x 3 contra analisar os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça juntos. Quer dizer, gastou-se um dia inteiro só para discutir se os dois ministros seriam analisados pela Suprema Corte juntos ou separados. Sem nem entrarem no julgamento do mérito da questão. E ainda, sequer, terminaram o julgamento. O pedido de vista, pela ordem regimental, pode durar até noventa dias.
Empurrar com a barriga
Em suma, ficou na cara que Gilmar Mendes pediu vista para enrolar, empurrar com a barriga, até o dia das eleições. Resta saber se a palhaçada ainda será adiada até o fim do segundo turno. A intenção de Mendes, naturalmente, é adiar algo que possa prejudicar a campanha do presidente Lula e favorecer a de Flávio. Uma vez que o ministro Alexandre de Moraes é comumente atrelado ao governo por sua participação fundamental no julgamento do 8 de janeiro. Queira ou não queira, não há mais como desvincular a esquerda e o presidente Lula a Alexandre de Moraes. Pois, o próprio eleitorado de esquerda decidiu por alçar o Xandão a condição de “herói nacional”, de grande “guardião da democracia“. Agora, aguentem ver que o “ídolo” tem pés de barro a poucas semanas das eleições presidenciais…
Eleições “meladas”
O ministro Gilmar Mendes, se acredita que realmente adiar o julgamento deverá contribuir para não melar a eleição presidencial está redondamente enganado. A eleição já está melada. Com esse pedido de vista, só contribui para selar o estrago. O resultado é um STF absolutamente desmoralizado, de gerar vergonha internacional. A degradação foi escancarada em plena campanha eleitoral. Não há mais como abafar, tentar apaziguar, acalmar os ânimos.
Degradação
De um lado, Flávio Bolsonaro tem obtido ganhos eleitorais com essa degradação a olhos vistos perpetrada pelo próprio STF. Por mais que Mendonça também possa estar implicado com Vorcaro, a situação de Moraes é muito pior. Tanto que a esquerda já deve estar se dando conta que atrelar sua imagem a Xandão não está pegando bem, podendo prejudicar eleitoralmente o presidente Lula. Já se vê esquerdista, até, dizendo que Moraes nunca foi de esquerda. Que, na verdade, ele seria de direita. E lembram que foi indicado ao STF pelo “golpista de direita” Michel Temer.
Capitalização eleitoral
A praticamente duas semanas das eleições, a grande apreensão de todos gira em torno de quem deverá ser favorecido ou prejudicado eleitoralmente: Flávio Bolsonaro ou Lula? Até o momento, diversos institutos de pesquisa apontam que quem está capitalizando intenções de voto em torno da derrocada do STF é a direita. Flávio tem aparecido à frente nas pesquisas em levantamentos de diversos institutos. O escândalo do “Dark Horse” parece “fichinha” frente ao escárnio em torno das denúncias contra Alexandre de Moraes e esposa. As descaradas tentativas de blindagem ao colega Xandão só têm contribuído para “botar pilha” na repulsa do eleitorado de direita e de indecisos a essa sujeirada toda no STF.
Vista grossa
Por outro lado, a esquerda e seu eleitorado tenta fazer vista grossa às denúncias envolvendo Moraes, focando na atuação de Mendonça, que merece ser investigado, também, pois, não parece que esteja “puro” nessa história toda, assim como Kassio Nunes, cujo filho tem o nome envolvido. E tem o Dias Tofoli, também , e o resort… Realmente, o Banco Master patrocinou a esbórnia de muita gente…
Esbórnia geral
O mais triste é lembrar que a esbórnia geral vem sendo bancada com dinheiro público. Com dinheiro dos impostos do trabalhador, de empresas, de prestadores de serviço, de consumidores. A atuação dos ministros do STF, digna de ser classificada como “atuação”, mesmo, a exemplo de atores (dos mais canastrões) é patrocinada por dinheiro público. Bem como a corrupção e as mordomias dos magistrados. Gasta-se horas e horas de bate-boca entre ministros para jogarem na cara do povo que magistrados da mais alta Corte do país não têm o mínimo compromisso com o interesse público e a justiça. Devem estar rindo da cara do povo: de direita, de esquerda, de centro, indecisos, não importa… Aquela fotografia emblemática onde flagrou-se, nos bastidores, o ministro Alexandre de Moraes soltando uma gargalhada acompanhado de colegas, também, sorridentes e descontraídos, da Corte, sintetizou tudo. Sem dúvidas, é a foto do ano. Talvez, a foto de uma década.












