A inclusão digital nas escolas deve ir além da simples distribuição de tecnologia e exigir um pensamento crítico de estudantes e professores. O alerta foi feito por Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), durante evento no Rio de Janeiro que debateu os impactos da inteligência artificial e o futuro da educação.
O avanço tecnológico na educação traz novos desafios para a sociedade contemporânea. Durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, especialistas discutiram como equilibrar as oportunidades do ensino digital com a necessidade de orientação pedagógica adequada para evitar distração e perda de aprendizado.
Inclusão digital significativa e crítica
Segundo a consultora da Unesco e coordenadora da pesquisa TIC Educação do Cetic.br, o conceito de inclusão digital precisa ser atualizado. Para a especialista, não basta entregar dispositivos eletrônicos nas instituições de ensino sem estabelecer objetivos claros, avaliar riscos e educar os alunos para um uso analítico e consciente das ferramentas.
Dados apresentados no evento demonstram contrastes globais: enquanto o uso de videoaulas em regiões rurais da China elevou o desempenho escolar e reduziu desigualdades, pesquisas internacionais apontam que a mera proximidade de aparelhos celulares prejudica a atenção e o rendimento acadêmico dos estudantes.
Restrição de celulares e fontes de pesquisa dos alunos
O Brasil conta com legislação federal que restringe o uso de celulares durante as aulas e intervalos. Levantamentos recentes do Cetic.br indicam que grande parte das escolas proíbe que os alunos levem os aparelhos para o ambiente escolar, embora as regras variem conforme o nível de ensino, tornando-se mais brandas no ensino médio.
Além disso, o comportamento de busca por conhecimento mudou drasticamente entre os jovens. Aplicativos de vídeo, como YouTube e TikTok, lideram como principal ferramenta de pesquisa escolar para o ensino médio, superando sites tradicionais de busca e plataformas de inteligência artificial. No entanto, o estudo revela que apenas uma parcela minoritária dos estudantes recebe orientações específicas sobre os erros e limitações das ferramentas de IA.
O papel essencial dos professores na era digital
Os docentes continuam sendo referências centrais para orientar os alunos sobre o uso correto das tecnologias digitais, com um crescimento expressivo na busca por essa orientação nos últimos anos. Contudo, especialistas apontam uma queda preocupante na proporção de professores que relatam ter recebido formação continuada voltada para tecnologias de ensino.
Para a consultora da Unesco, o suporte e a valorização contínua dos educadores são pilares indispensáveis para garantir o desenvolvimento integral dos estudantes e assegurar que a transformação digital nas escolas ocorra de forma segura, inclusiva e verdadeiramente educativa.













