Os cuidados com a pele e os lábios ganham atenção durante as estações frias, enquanto a visão acaba esquecida pela maioria das pessoas. A exposição contínua ao vento frio e seco intensifica a perda de umidade da superfície ocular. Essa alteração provoca ardência, lacrimejamento, coceira e embaçamento visual. O incômodo afeta de forma mais severa os pacientes diagnosticados com a Síndrome do Olho Seco, disfunção caracterizada pela evaporação rápida da lágrima.
CAUSAS E SINTOMAS
O aumento na taxa de evaporação das lágrimas decorre de uma combinação de fatores ambientais, fisiológicos e comportamentais. O clima frio, a poluição e a exposição prolongada a aparelhos de ar-condicionado ou aquecedores aceleram o ressecamento. No campo fisiológico, a principal causa reside na disfunção das glândulas de Meibomius, localizadas nas margens internas das pálpebras.
“Elas são responsáveis pela produção do meibum, substância oleosa que compõe a camada lipídica da lágrima, a qual impede a evaporação precoce de outra camada, a aquosa. Dessa forma, é mantida a lubrificação e a estabilidade da superfície dos olhos”, explica Patrícia Kakizaki, oftalmologista e consultora da ZEISS Vision Brasil.
O uso excessivo de aparelhos eletrônicos como celulares, tablets e computadores representa um hábito prejudicial para a saúde ocular. “O tempo de tela tem um grande impacto, pois reduz a quantidade de vezes que piscamos. A liberação do meibum ocorre principalmente quando piscamos, pois os músculos das pálpebras pressionam as glândulas e, assim, essa substância é espalhada pelo olho, estabilizando o filme lacrimal e impedindo sua evaporação”, afirma a médica.
MEDIDAS PREVENTIVAS
Os especialistas recomendam seis medidas simples para proteger a visão nos dias de baixa temperatura. A primeira orientação enfatiza a hidratação constante do organismo por meio do consumo de água, fato que estimula a produção lacrimal adequada.
A segunda recomendação estabelece pausas regulares durante o uso de telas digitais. A regra prática consiste em olhar para um ponto situado a seis metros de distância por 20 segundos a cada 20 minutos de trabalho. A ação relaxa a musculatura ocular e induz o ato consciente de piscar.
A terceira norma orienta evitar o uso prolongado de aquecedores elétricos, mantendo recipientes com água nos ambientes.
A quarta dica sugere o uso de óculos escuros de armações amplas em locais abertos para bloquear a ação direta do vento e de poeiras soltas.
A quinta orientação aborda a higienização das pálpebras com produtos específicos ou gaze umedecida em água morna, desobstruindo as glândulas responsáveis pela camada lipídica.
A sexta medida indica a aplicação de compressas mornas na região dos olhos para liberar o fluxo glandular.
Uma alternativa prática para compressas envolve o uso de máscaras descartáveis que aquecem ao contato com o ar mediante reação de carvão ativado. “As máscaras podem, ainda, ser incorporadas à rotina de autocuidado, proporcionando não apenas alívio dos sintomas do olho seco, mas também um momento de relaxamento ao longo do dia”, sugere Paula Queiroz, diretora de Marketing e Produtos da ZEISS Vision Brasil.
A persistência dos desconfortos exige a consulta com profissional médico especializado para o diagnóstico correto de doenças como alergias e conjuntivites. A automedicação através do uso inadequado de colírios pode mascarar ou agravar o quadro clínico.












