O canto gregoriano ganhou novos e curiosos ouvintes no dia 17 de agosto, no bairro Cajuru, em Curitiba. Crianças e adolescentes atendidos pelo Instituto Playing for Change participaram de uma aula especial de introdução à música sacra. A atividade contou com a regência de professores e maestros integrantes do Cantate, encontro dedicado ao Canto Gregoriano e à Polifonia Sacra que movimentou a Capela Santa Maria no fim de semana anterior.
A ação comunitária ocorreu um dia após o encerramento da primeira edição do evento. O projeto foi promovido pela Prefeitura de Curitiba, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI), da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e do Curitiba Turismo, em parceria com o Instituto Bom Pastor.
O padre Pedro Gubitoso e o maestro Héctor Osvaldo de Oliveira, diretor do Cantate, conduziram os trabalhos com o apoio de coralistas. O encontro combinou explicações históricas sobre a técnica secular, exercícios práticos de vocalização e apresentações musicais para promover o primeiro contato dos jovens com o gênero.
INTEGRAÇÃO E APRENDIZADO
A resposta dos estudantes surpreendeu os organizadores do evento. Os alunos demonstraram talento e desenvoltura ao longo dos exercícios, comprovando a capacidade da arte de alcançar diferentes realidades e abrir novas perspectivas formativas.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Sérgio Bento, ressaltou que a iniciativa alinha-se ao objetivo da administração pública de aproximação entre a economia criativa e as comunidades.
“Curitiba quer ser uma cidade onde talento possa se transformar em oportunidade. A economia criativa não acontece apenas nos grandes palcos ou nos grandes eventos. Ela também nasce quando uma criança tem contato com uma música, aprende uma técnica, descobre uma habilidade e passa a enxergar um novo caminho para o futuro. É esse tipo de conexão que queremos estimular”, destacou o secretário.
O diretor do festival, Héctor Osvaldo de Oliveira, considerou a vivência no bairro Cajuru um momento marcante de trocas culturais e afetivas.
“A verdadeira caridade é aquela que alcança a todos, sem distinguir quem tem pouco de quem tem muito. Todos podem receber e oferecer algo, um alimento, uma palavra, uma boa música ou simplesmente a presença. Estar com essas crianças foi, para nós, uma experiência extremamente gratificante. Tenho certeza de que recebemos tanto quanto oferecemos”, afirmou.
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
O Instituto Playing for Change sediou os trabalhos da oficina. A organização atua no bairro Cajuru desde 2015 com oficinas artísticas, esportivas e aulas de língua inglesa para o público infanto-juvenil. A instituição utiliza o ensino musical como ferramenta pedagógica para o fortalecimento da disciplina, do respeito, da confiança e da alegria.
O padre Pedro Gubitoso apresentou os conceitos teóricos elementares do estilo gregoriano aos estudantes. Logo em seguida, os jovens executaram vocalizações práticas e acompanharam performances executadas pelos músicos convidados. O objetivo central da vivência buscou despertar o interesse e revelar uma expressão artística inédita para a maioria dos participantes.
MOVIMENTAÇÃO CULTURAL
O encontro Cantate ocorreu entre os dias 14 e 16 de agosto na Capela Santa Maria, reunindo 286 participantes oriundos do Distrito Federal e de 11 estados brasileiros. A programação ofereceu oficinas, masterclasses, palestras, práticas de regência, concertos e celebrações litúrgicas.
A estrutura do evento atraiu estudantes, coralistas, instrumentistas, docentes, regentes e pesquisadores da área musical. O público lotou as dependências do espaço cultural durante os três dias de atividades dedicadas à formação e à difusão do patrimônio musical.
A equipe de instrutores contou com a presença do musicólogo lituano Giedrius Gapsys, radicado em Paris, do padre Pedro Gubitoso e de especialistas brasileiros. A iniciativa promoveu o intercâmbio de conhecimentos e a valorização de acervos históricos seculares.
A edição de estreia consolidou a estratégia do município em utilizar a economia criativa como motor de desenvolvimento socioeconômico. A articulação entre conhecimento, cultura, turismo e serviços atraiu visitantes de várias regiões do país e movimentou a cadeia produtiva local de eventos.












