Flavobacterium: alerta para criação de peixes no Brasil

© Foto: FAO/ONU
Estudo inédito mapeia o avanço da columnariose em peixes de cultivo no Brasil e acende alerta para a sustentabilidade da produção aquícola nacional

Uma pesquisa internacional liderada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou, pela primeira vez no Brasil, a presença de diferentes espécies de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano. O microrganismo é o agente causador da columnariose, uma doença grave que afeta a saúde dos animais e ameaça a produtividade da piscicultura nacional. Conduzido em parceria com a Universidade Zambeze, de Moçambique, o estudo analisou amostras coletadas entre 2018 e 2026 e acendeu um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica na produção de pescado, embora os cientistas garantam que não há qualquer evidência de transmissão da doença para seres humanos.

O que é a columnariose e como ela afeta os peixes

A columnariose é uma infecção bacteriana severa que ataca diretamente a integridade física dos peixes de cultivo. A doença se manifesta por meio de lesões visíveis na pele e nas nadadeiras, além de promover a destruição rápida das brânquias — o órgão respiratório dos animais.

O avanço da infecção é extremamente veloz. Em criações comerciais, a doença pode dizimar populações inteiras de peixes em poucos dias, sendo os indivíduos mais jovens (alevinos e juvenis) os mais vulneráveis ao patógeno. No Brasil, o estudo identificou a presença do patógeno tanto em criações de tilápia quanto em espécies nativas de grande relevância comercial, como:

  • Tambaqui;

  • Pacu;

  • Lambari;

  • Pintado-da-amazônia.

A identificação precisa das bactérias foi realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou a pesquisa. Os cientistas utilizaram técnicas avançadas de isolamento em laboratório e análises microbiológicas detalhadas das colônias bacterianas coletadas.

Como o clima e a temperatura de 28°C aceleram a doença

Um dos pontos mais preocupantes revelados pelo estudo está na relação direta entre o clima tropical brasileiro e a proliferação da bactéria. Os testes laboratoriais comprovaram que o desenvolvimento das espécies de Flavobacterium é significativamente acelerado em temperaturas próximas a 28°C, condições térmicas amplamente comuns nas regiões de cultivo de peixes no país.

Sob essa temperatura, a bactéria desenvolve uma alta capacidade de produzir biofilmes. Essas estruturas funcionam como uma barreira protetora biológica, permitindo que o microrganismo resista a processos de higienização comuns e sobreviva por longos períodos em:

  • Tanques de cultivo e redes;

  • Equipamentos de manejo e transporte;

  • Instalações gerais das propriedades aquícolas.

Essa resistência ambiental dificulta a erradicação do patógeno nas fazendas de peixes, exigindo protocolos de desinfecção muito mais rigorosos por parte dos produtores.

Riscos para a saúde humana e ações de biossegurança

Diante do alerta, os pesquisadores fazem questão de tranquilizar o consumidor final de pescado. O foco do impacto da columnariose está restrito à saúde animal e à sustentabilidade econômica da cadeia produtiva de peixes. Não existem registros ou evidências científicas de que a bactéria possa ser transmitida para seres humanos através do consumo ou do manejo dos peixes afetados.

Para conter o avanço do patógeno e proteger a economia da piscicultura no Brasil, os autores do estudo apontam três caminhos fundamentais para o setor produtivo e governamental:

  1. Vigilância Epidemiológica: Monitoramento constante das bacias hidrográficas e propriedades de cultivo para detectar surtos precocemente.

  2. Medidas de Biossegurança: Implementação de barreiras sanitárias rigorosas e desinfecção programada de ferramentas e tanques.

  3. Desenvolvimento de Vacinas: Investimento em pesquisa e desenvolvimento de imunizantes específicos para as espécies de peixes mais afetadas no cenário nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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