As imagens das capivaras que habitam os parques Barigui e Guairacá, na Fazendinha, estão prestes a cruzar o Oceano Pacífico. Em uma viagem de mais de 18.600 quilômetros, a rotina desses animais será levada aos lares japoneses entre o fim de julho e o início de agosto, data prevista para a estreia do documentário produzido pela NHK (Japan Broadcasting Corporation). A única emissora pública do Japão escolheu a capital paranaense para registrar como a espécie vive no ambiente urbano, de forma livre e em contato próximo com a população.
A equipe de produção desembarcou em Curitiba no dia 21 de março. Ao longo de quase um mês, os profissionais acompanharam o convívio harmonioso entre as capivaras, os moradores locais e os turistas. A ideia do projeto nasceu do fotógrafo e pesquisador Namiki Matsushima, especialista no comportamento desses roedores. Matsushima, que já visitou Curitiba em quatro ocasiões, dedicou os últimos dois anos à negociação com a NHK para viabilizar a produção internacional.
SUPORTE TÉCNICO E TECNOLOGIA
Durante a estadia, a equipe formada pelo diretor Yoshihisa Terakita, pelo cinegrafista Hidekazu Sasaki e pela tradutora Clarice Kimoto contou com o apoio integral da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Técnicos do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna forneceram dados científicos e suporte logístico para as gravações. Segundo Edson Evaristo, diretor da unidade, o esforço conjunto permitiu mostrar a realidade do ambiente urbano curitibano.
Uma das principais contribuições da equipe japonesa foi a introdução de tecnologia de ponta no monitoramento local. Eles trouxeram duas coleiras de GPS que foram instaladas em um macho e uma fêmea de capivara no Parque Barigui. Com esses equipamentos, a prefeitura agora consegue monitorar o deslocamento exato dos animais, mapeando o quanto caminham diariamente e quais são seus horários e rotas preferenciais dentro da mancha urbana.
SAÚDE ÚNICA E MONITORAMENTO
A NHK registrou uma ação prática de monitoramento sanitário indireto no Barigui. A atividade consistiu na coleta de carrapatos no ambiente para exames laboratoriais, um cuidado constante da prefeitura para evitar a transmissão da febre maculosa. Edson Evaristo ressaltou que esse trabalho é fundamental para a Saúde Única, garantindo que o espaço ocupado pelos animais permaneça seguro para os frequentadores dos parques.
A produção também teve momentos de interação social. A equipe japonesa foi entrevistada pelos Jornalistas Mirins da Escola Municipal CEI Francisco Frischmann, do bairro Pinheirinho. O intercâmbio faz parte da rotina educativa da rede municipal, que aproveitou a presença estrangeira para estimular o aprendizado sobre comunicação e fauna. O documentário será exibido no programa “Darwin ga kita” (Darwin Chegou), atração que completa 20 anos no ar, ocupando o horário nobre das noites de domingo no Japão.
IMPRESSÕES E TURISMO
Para o diretor Yoshihisa Terakita, a experiência em Curitiba superou as expectativas iniciais. Ele afirmou que conseguiu captar a maioria das imagens planejadas e elogiou a receptividade da cidade. O cinegrafista Hidekazu Sasaki declarou-se impressionado com a vasta área verde da capital, contrastando-a com a realidade de Tóquio, onde a vegetação integrada ao meio urbano é escassa.
O pesquisador Namiki Matsushima demonstrou entusiasmo com a concretização do sonho de levar as capivaras curitibanas à emissora pública japonesa. Ele acredita que a exibição terá um impacto direto no setor de viagens. Em tom de brincadeira, mas com foco estratégico, Matsushima afirmou que pretende incentivar o fluxo de visitantes japoneses para a região, posicionando-se como um embaixador do turismo de Curitiba no Japão após a estreia da produção.







