Curitiba estrutura comitê de gestão para enfrentar o fenômeno El Niño

A expectativa é que este El Niño seja o mais intenso dos últimos 140 anos
Grupo multidisciplinar reúne secretarias municipais para intensificar ações de prevenção, reduzir riscos e garantir respostas rápidas em caso de emergências

A Prefeitura de Curitiba instituiu um comitê gestor especial para coordenar as ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno El Niño em 2026. O grupo, criado pelo prefeito Eduardo Pimentel, reúne diversos órgãos públicos que, de maneira integrada, vão fortalecer a capacidade de prevenção da cidade, reduzir danos à população e garantir uma resposta articulada entre os diversos setores da administração pública, viabilizando ações preventivas e respostas rápidas em situações de emergência.

Estrutura Integrada

Cada órgão participante tem suas atribuições e expertises dentro do comitê. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Curitiba realiza a coordenação geral das ações, o monitoramento dos riscos, emite alertas, aciona planos de contingência e as operações em situações de emergência. A Secretaria Municipal de Obras Públicas é responsável pela limpeza e desassoreamento de rios, desobstrução de galerias e sistemas de drenagem, além de vistorias em pontes e taludes. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba contribui com o monitoramento hidrometeorológico, elaboração de cartas de risco e análises técnicas que subsidiam as decisões do comitê.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente realiza o mapeamento de áreas sujeitas a riscos geológicos, monitoramento de encostas e supressão de árvores com risco iminente de queda. As Administrações Regionais ampliam o alcance dos alertas à população, garantem a resposta imediata às ocorrências locais e acionam as equipes regionais. A Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito, a Superintendência de Trânsito e a Guarda Municipal cuidam do isolamento de áreas alagadas, interdição de vias, suporte às equipes de resposta e controle de trânsito em pontos críticos.

A Fundação de Ação Social trabalha no cadastramento de famílias atingidas, distribuição de ajuda humanitária e coordenação do acolhimento temporário. A Secretaria Municipal da Saúde mantém equipes em prontidão, incluindo unidades de pronto atendimento, hospitais e serviços de vigilância epidemiológica, enquanto a Secretaria Municipal da Comunicação Social é responsável pela divulgação de orientações e atendimento à imprensa.

Capacitação Preventiva

Embora o comitê tenha sido estruturado para enfrentar os efeitos do fenômeno em 2026 e 2027, diversas ações preventivas já fazem parte da rotina da Defesa Civil. Entre elas, está a capacitação da população e de servidores, com a formação de Núcleos Comunitários e do programa Famílias Resilientes. Desde 2017, mais de 25 mil pessoas receberam orientações ou treinamento para prevenção e resposta a desastres. O coordenador da Defesa Civil de Curitiba, inspetor Nelson Ribeiro, ressalta que a capital já tem a cultura de investir na prevenção e que o comitê permite ampliar estas ações.

“A expectativa é que este El Niño seja o mais intenso dos últimos 140 anos. Como isto pode trazer chuvas intensas e ventos fortes, a administração municipal está tomando todas as medidas para que o impacto seja mínimo para nossa população”, declarou o coordenador.

Monitoramento Real

Curitiba investiu no fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta. O município opera o Sistema de Alerta e Alarme de Prevenção a Desastres, que integra informações meteorológicas e hidrológicas para antecipar riscos. O sistema recebe dados do radar meteorológico do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná e está conectado ao Centro Municipal de Gestão de Riscos e Gerenciamento de Desastres. A Defesa Civil dispõe de 15 estações meteorológicas próprias, dotadas de pluviômetros, termômetros, barômetros e anemômetros. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais informou que há 96% de probabilidade de ocorrência do fenômeno na segunda metade de 2026, com riscos de enchentes e deslizamentos para a região Sul do Brasil.

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