Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Lula se compara a “Lampião”, em provocação a Trump, como se fosse motivo de orgulho

Lula provoca Trump citando "parentesco" com Lampião

Na sexta-feira (10/04), o presidente Luís Inácio Lula da Silva voltou a alfinetar o presidente Donald Trump mencionando seu parentesco com o lendário cangaceiro “Lampião”. O petista, em visita ao novo prédio de um campus do Instituto Federal, em Sorocaba, disse que o norte-americano deveria ser cauteloso ao fazer ameaças ao Brasil, por que não sabe o que é “um nordestino nervoso”. Em tom de brincadeira, citou seu “parentesco” com Virgulino Ferreira da Silva (o “Lampião”, 1.898-1938), folclórico cangaceiro do agreste pernambucano, mesma região onde Lula nasceu.

“O mundo está difícil. O Trump está ameaçando todo mundo. Ele não sabe o que é um pernambucano, senão, não iria fazer ameaças, aqui. Se soubesse da minha descendência com Lampião, tomava muito cuidado. Se soubesse o que é um nordestino nervoso, não brincava com o Brasil“, disse, completando que o governo brasileiro não quer brigar com ninguém, quer paz. O presidente da República já havia mencionado sobre sua “sanguinidade” com “Lampião” em fevereiro passado, antes do início da guerra no Irã, ao mencionar Trump. A primeira referência deu-se em visita ao Instituto Butantã, em São Paulo, às vésperas de um possível encontro com Trump, que terminou por ficar em banho-maria devido ao início da guerra, muito provavelmente.

Cooperação Brasil-EUA

Esta segunda provocação a Trump ocorreu paralelamente a um acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos para troca de dados e informações em tempo real para estreitar relações na identificação de rotas do tráfico ilegal de armas e de drogas. O gesto brasileiro de mostrar prestatividade à Casa Branca no combate ao crime organizado é uma tentativa de evitar um cenário indesejado: a possibilidade de os EUA declararem as facções PCC e Comando Vermelho como narcoterroristas. O que abriria brecha para intervenções mais diretas em território brasileiro, como o uso de forças e operações especiais por parte dos Estados Unidos. O que seria uma postura muito a contragosto de Lula.

“Paz” com provocações

A partir de tantas alfinetadas e provocações de Lula a Trump, o que se torna bastante claro é a indisposição do petista em buscar “paz”, como ele disse, e um real compromisso de cooperação no combate ao crime organizado. A menção a Lampião, além de revelar-se uma brincadeira sem graça e um tanto inconsequente, demonstra o despreparo e desinteresse em estabelecer boas relações diplomáticas com o atual governo na Casa Branca.

Analogia infeliz

E o mais irônico foi a analogia com Lampião, mítica figura do agreste pernambucano que não passava de um bandido sanguinário, que saqueava comércios da região e mandava matar com crueldade. Enfim, não é motivo de orgulho algum tal comparação. Além do mais, a impressão que transmite é que o Brasil resume-se ao nordeste e a cultura do cangaço. Se Lula comparou-se a Lampião visando conquistar a empatia do eleitorado nordestino, talvez, nem tenha conseguido seu intento. Afinal, o nordeste conta com personagens históricos bem mais dignos que “Lampião”.

Combate ao crime organizado

Independentemente das reais intenções de Trump em supostamente combater o crime organizado e o narcoterrorismo no Brasil, o que o povo brasileiro, em sua maioria, gostaria de ver partir de um presidente da República é um verdadeiro compromisso do governo federal no combate ao crime organizado, e de cooperação com os Estados Unidos, que se estabeleça de boa vontade. Mas o que está evidente é que o acordo de cooperação com os EUA só foi formalizado devido ao receio de que o país da América do Norte declare o PCC e o Comando Vermelho como narcoterroristas, abrindo brechas para uma atuação externa em nosso território.

Desprezo à democracia

O petista, lamentavelmente, tem comprado briga com Trump de forma reiterada, a exemplo da defesa das ditaduras em Cuba e Venezuela. Além de tornar o Brasil aliado a ditaduras como a do Irã, China e Rússia. Uma condução da política externa extremamente vexatória ao Brasil, onde o apoio ao atraso e o desprezo pela democracia têm sido a tônica. Tanto que a fala sobre Lampião repercutiu nos Estados Unidos a partir de um artigo publicado no jornal The Hill, voltado à classe política de Washington, sendo o veículo mais lido entre os congressistas americanos. No referido artigo, Lula é citado como “inimigo da democracia” e, na opinião do articulista, ”o Brasil merece um líder melhor”.

Interferência nas eleições presidenciais

Vale lembrar que Maduro, também, costumava comportar-se de maneira bem arrogante em relação a Trump, adotando postura desafiadora e desdenhosa. Não encontrou um bom desfecho em sua trajetória política… O governo Lula teme, ainda, que o republicano venha a interferir nas eleições presidenciais de 2026, aqui. Pois, Trump havia dito que poderia usar o poder econômico dos EUA para apoiar a reeleição de Viktor Orban, na Hungria. Contudo, com ou sem interferência do republicano, o resultado das eleições naquele país europeu trouxe a derrota do aliado trumpista. Quem venceu as eleições foi o opositor Peter Magyar, um advogado conservador ex-aliado de Orban, tendo se tornado, posteriormente, um forte opositor ao governo de Orban, que chega ao fim após dezesseis anos.

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