Operação desarticula rede de jogos de azar que movimentou R$ 2 bilhões

Durante o período de atuação, o grupo movimentou cerca de R$ 2 bilhões em mais de 522 mil operações financeiras
Ministério Público e Polícia Civil cumpriram 85 mandados de prisão contra grupo criminoso que utilizava tecnologia avançada para explorar apostas no Paraná

O Ministério Público do Paraná e a Polícia Civil do Paraná encerraram no dia 8 de abril, quarta-feira, a Operação Big Fish. A ação teve como objetivo desarticular uma das maiores organizações criminosas voltadas à exploração de jogos de azar no Brasil. Caracterizado por um alto grau de sofisticação e uso intensivo de tecnologia, o grupo possuía ampla capilaridade territorial e financeira. Durante dois dias de atividades, os agentes cumpriram mandados de prisão preventiva contra 85 alvos e realizaram 102 buscas em endereços de investigados.

A maior parte das ordens judiciais foi executada em Cianorte, no Noroeste do estado, local que servia como base operacional da organização. Também houve cumprimento de medidas em Londrina, Apucarana, Campo Mourão, Curitiba e outras 11 cidades paranaenses, além de municípios em Goiás, São Paulo, Pará e Santa Catarina. As investigações foram coordenadas pela 5ª Promotoria de Justiça de Cianorte e revelaram um esquema estruturado em núcleos de liderança, financeiro e tecnológico.

SISTEMA TECNOLÓGICO

Um dos diferenciais da organização foi o uso do sistema Suni, plataforma central de gestão e controle de apostas ilegais via máquinas de cartão. A ferramenta operava em 14 estados e integrava dezenas de bancas de jogo do bicho, totalizando mais de 15 mil pontos de exploração. Além disso, o grupo operava jogos de azar online hospedados em servidores no exterior para dificultar o rastreamento policial. Entre as modalidades exploradas estavam o jogo do bicho, caça-níqueis e apostas esportivas.

As apurações demonstraram que a organização utilizava empresas de fachada e laranjas para dissimular a origem ilícita dos valores. Durante o período de atuação, o grupo movimentou cerca de R$ 2 bilhões em mais de 522 mil operações financeiras. Houve ainda a identificação de ligações com contraventores de outros estados, formando uma rede nacional de suporte operacional e tecnológico para a jogatina ilegal.

BLOQUEIO E PRISÕES

A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias para o sequestro de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Além disso, as autoridades apreenderam 132 veículos, 111 imóveis e mais de 100 cabeças de gado. Ao todo, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar por ordem judicial. O patrimônio imobiliário confiscado foi avaliado em mais de R$ 32,9 milhões, enquanto os veículos somam R$ 11 milhões em valores de mercado.

Entre os detidos na operação estavam dois vereadores paranaenses, sendo o presidente da Câmara de Cianorte e o vice-presidente da Câmara de Goioerê. O envolvimento de agentes políticos evidenciou o grau de infiltração da organização criminosa em estruturas do poder público. Os investigados responderão por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e exploração de jogos de azar, conforme os relatórios apresentados pelo Ministério Público após as diligências.

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