Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Com desistência de Ratinho Júnior da disputa à Presidência, foco é impedir retrocessos no estado

Veja como a decisão impacta as alianças no Paraná

Após surpreender a todos, até, mesmo, a aliados mais próximos, ao desistir da pré-candidatura à Presidência da República, o governador Ratinho Júnior (PSD) busca correr contra o tempo para rearticular uma aliança no estado e eleger um sucessor. Mais do que a escolha de um nome como “cabeça de chapa”, o desafio é costurar alianças que possam garantir um bom palanque ao candidato a governador do grupo de Ratinho Júnior. Afinal, a rasteira que o grupo do governador levou não foi irrisória a partir da saída do Partido Liberal e do NOVO do grupo que compôs a grande aliança que o reelegeu.

Debandada geral no PL

A desarticulação da aliança passada com o governador para, agora, apoiar a candidatura do senador Sérgio Moro ao Governo do Estado, porém, não agradou a todos dentro do PL paranaense. A começar pelo deputado Fernando Giacobo, que era presidente estadual da sigla e desfiliou-se do PL em protesto. Em seu lugar, ficou Filipe Barros, candidato ao Senado. Na sequência, a debandada geral no PL foi grande. Na quinta-feira (26/03), foi oficializada a desfiliação de, nada menos, que 49 dos 53 prefeitos do partido no estado, em apoio ao governador Ratinho Júnior e seu grupo político.

Curi, Greca, Pimentel

Quanto ao anúncio dos nomes da chapa para governador, deverá vir a público até o próximo dia 31. O que se sabe, com certeza, é que o secretário das Cidades, Guto Silva, foi descartado pelo governador. Apesar de fiel escudeiro de Ratinho Júnior, o nome do secretário infelizmente não tem apresentado bom desempenho nas pesquisas eleitorais. E não há mais tempo para trabalhar no fortalecimento de seu nome, principalmente quando se considera o favoritismo de Sérgio Moro em todas as pesquisas. É preciso uma chapa bem mais forte para fazer frente a pré-candidatura do ex-juiz da Lava-Jato. Com isso, quem ganha força dentro do PSD é o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi. Especula-se que Curi, deputado estadual campeão de votos no Paraná, venha compor uma chapa com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que acaba de embarcar no MDB para concorrer ao Governo do Estado.

“Foco em Curitiba”

O nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), foi outra hipótese aventada durante a semana. Entretanto, o prefeito disse que não tem intenção de deixar a Prefeitura de Curitiba para concorrer ao Governo do Estado. “Meu foco é em Curitiba”. Bem dito pelo prefeito. Pimentel está à frente da Prefeitura, apenas, há pouco mais de um ano. Não deve querer trocar o certo pelo duvidoso. Além do mais, o eleitorado poderia sentir-se traído ao ver o prefeito deixar o cargo tão cedo, em menos de dois anos de mandato. O vice, Paulo Martins, aliás, apresenta um perfil político bastante diferente de Pimentel e representa uma incógnita em termos de capacidade de gestão. Seria temerário deixar a capital do estado com um vice sem grande experiência em administração pública.

Candidatura de centro

No âmbito nacional, o PSD de Gilberto Kassab encontra-se, também, em um impasse. Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, entram numa disputa interna para uma candidatura à Presidência da República. Kassab anunciou que os dois continuam no páreo. Leite tem demonstrado maior empenho em fazer-se o preferido do PSD. Tem repetido que o partido necessita de um candidato que realmente seja de centro e que represente uma alternativa à polarização. Uma terceira via, de fato.

Mais do mesmo

O gaúcho, muito embora, apresente poucas chances de decolar nas intenções de voto, não deixou de dizer a verdade. Caiado é praticamente mais do mesmo. Não difere em muito do posicionamento ideológico de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive, apoiando a anistia. Já o governador do Rio Grande do Sul não concorda com a anistia aos condenados de 8 de janeiro e apresenta uma tendência mais ao centro do espectro político-ideológico. Uma candidatura de Ronaldo Caiado só terminaria por dividir os votos da direita, favorecendo a candidatura do PT. Para quê votar em Caiado, só para levar a eleição ao segundo turno, se o goiano defende pautas muito semelhantes a Flávio Bolsonaro?

Forte polarização

Inclusive, já se avalia que a eleição presidencial possa ser liquidada no primeiro turno, a partir de uma persistente tendência de forte polarização, intensificada após a desistência de Ratinho Júnior. Talvez, a polarização apresente-se mais intensa que em 2022. O governador Ratinho Júnior, apesar de ter revelado melhor desempenho nas pesquisas que Leite e Caiado, como candidato da terceira via, talvez, enfrentasse uma disputa arriscada ao Palácio do Planalto… O clima político no país ainda carrega um forte componente de antipetismo e antibolsonarismo. Flávio e Lula encontram-se tecnicamente empatados na maioria das pesquisas, revelando que o eleitorado, de um lado, pensa mais em tirar Lula do poder, e, de outro, em mantê-lo a fim de impedir a volta da direita, do bolsonarismo.

Briga ideológica

O governador do Paraná, que defende a harmonia, o equilíbrio, o diálogo, a paz, as parcerias e foca em gestão de resultados, possivelmente, é maduro e evoluído demais para o nível do eleitor médio no Brasil. Muitos eleitores ainda estão focados na briga ideológica, no voto direcionado ao “menos ruim” ao invés de em um nome realmente bom que faça a diferença em termos de capacidade de gestão. Felizmente, o governador do Paraná ainda é jovem. Tem tempo para construir uma candidatura futura à Presidência da República. Por enquanto, prefere focar no Paraná, garantir a eleição de um sucessor competente. O Paraná é um estado que não deve permitir retrocessos em tantas áreas que avançaram muito nos últimos anos, a exemplo da segurança pública, da educação, da saúde, da infraestrutura.

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