O Ministério da Saúde e secretarias estaduais emitiram um alerta rigoroso para o consumo de bebidas adulteradas por metanol durante o Carnaval. Em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação e 25 óbitos associados ao consumo de álcool falsificado, com São Paulo liderando as estatísticas. Com a proximidade das festas de rua, órgãos de vigilância sanitária intensificam a fiscalização de ambulantes e estabelecimentos para evitar novas fatalidades causadas por essa substância altamente tóxica.
A preocupação das autoridades de saúde recai sobre a venda de destilados de procedência duvidosa, muitas vezes comercializados em embalagens inadequadas ou com preços muito abaixo do mercado. O metanol, diferentemente do etanol (álcool comum), é metabolizado pelo organismo de forma agressiva, gerando substâncias que atacam o sistema nervoso e a visão.
Balanço de casos e mortes por metanol no Brasil
Os dados atualizados pelas Secretarias de Saúde mostram um cenário preocupante em diversas regiões do país. Confira os estados mais atingidos:
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São Paulo: É o estado com maior número de ocorrências. Foram confirmados 52 casos e 12 mortes, atingindo cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí e Sorocaba. Outras quatro mortes seguem em investigação.
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Pernambuco: Confirmou oito casos e cinco óbitos. A Apevisa planeja realizar mais de 500 inspeções sanitárias durante o período carnavalesco.
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Bahia: Registrou nove casos confirmados e três mortes em Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. O estado reforçou o estoque de antídotos.
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Mato Grosso e Paraná: Ambos os estados registraram mortes (quatro e três, respectivamente) no final de 2025, mantendo as ações de vigilância ativas.
No Rio de Janeiro, embora não haja mortes confirmadas, o governo utiliza um Laboratório Itinerante do Consumidor para testar bebidas em tempo real nos blocos e no Sambódromo, já tendo apreendido 26 litros de produtos falsificados.
Como identificar os sintomas de intoxicação
O perigo do metanol é silencioso, pois os sintomas podem ser confundidos com uma ressaca severa. O médico patologista Hélio Magarinos Torres Filho alerta que os sinais costumam surgir entre 6h e 24h após a ingestão.
Sintomas Iniciais (até 6 horas)
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Dor abdominal intensa e náuseas;
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Tontura e falta de coordenação motora;
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Confusão mental e sonolência;
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Queda da pressão arterial.
Sintomas Graves (após 6 horas)
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Visão turva ou embaçada (sinal característico);
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Fotofobia e pupilas dilatadas;
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Convulsões e coma;
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Acidose metabólica grave (excesso de acidez no sangue).
Dicas de segurança para o folião no Carnaval
Para evitar riscos à vida, a recomendação é seguir protocolos rígidos de consumo durante os dias de festa. A regra principal é: na dúvida, não beba.
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Verifique o Lacre e o Rótulo: Consuma apenas bebidas de fabricantes legalizados, com selo fiscal e lacre de segurança intacto.
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Evite Misturas Prontas: Fuja de coquetéis vendidos em garrafas PET, sacos plásticos ou recipientes sem identificação.
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Desconfie de Preços Baixos: Bebidas destiladas (vodka, gin, cachaça) com valores muito abaixo da média de mercado são fortes candidatas à falsificação.
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Local de Compra: Dê preferência a estabelecimentos licenciados ou vendedores ambulantes credenciados pelas prefeituras.
O que fazer em caso de suspeita?
Se após o consumo de álcool você ou alguém próximo apresentar alterações visuais ou dor abdominal aguda, procure imediatamente uma unidade de emergência. Não espere os sintomas passarem. Se possível, leve a embalagem ou uma amostra da bebida consumida para facilitar o diagnóstico e o tratamento com antídoto.







