O mercado de trabalho formal no Paraná encerrou o ano de 2025 com a criação de 80.665 novos postos de trabalho com carteira assinada, conforme dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Embora o saldo anual seja positivo, o estado registrou uma desaceleração de 36,6% no ritmo de contratações em comparação a 2024. A dinâmica do emprego foi impulsionada principalmente pelos setores de serviços e comércio, que seguem como os maiores empregadores da economia paranaense, mesmo diante de um cenário de acomodação econômica e juros elevados.
O desempenho do emprego formal no Paraná em 2025 revela um cenário de resiliência, mas com sinais claros de moderação. Ao longo dos 12 meses, o estado contabilizou 2.037.949 admissões contra 1.957.284 desligamentos. O saldo final, embora expressivo, ficou abaixo das 127.206 vagas geradas no ano anterior, refletindo o impacto das condições macroeconômicas sobre o setor produtivo.
Serviços e comércio sustentam o mercado de trabalho
O setor de Serviços consolidou sua posição como o motor da empregabilidade paranaense. Em 2025, o segmento gerou 48.278 novas vagas, o que representa quase 60% do saldo total do estado. Atualmente, os serviços detêm um estoque de 1.436.803 vínculos ativos, cobrindo 43,5% de todo o mercado formal do Paraná.
Por outro lado, o Comércio contribuiu com 14.401 novos empregos formais. Apesar de o volume ser 35,6% menor que o registrado em 2024, o estoque total de trabalhadores no setor cresceu 1,9%, atingindo a marca de 763.474 profissionais contratados. Segundo Lucas Dezordi, assessor econômico da Fecomércio PR, esse movimento indica uma “acomodação”, onde o estado opera próximo ao pleno emprego, mas com menor intensidade de novas aberturas.
Desafios na Indústria e na Construção Civil
A indústria paranaense, segundo maior empregador do estado, enfrentou um ano desafiador. O setor encerrou o período com um saldo positivo de 13.831 vagas, um recuo de 55,7% em relação ao desempenho de 2024. O estoque total do setor industrial fechou o ano em 803.378 postos ativos.
A Construção Civil também sentiu os efeitos do cenário econômico, registrando 2.150 novos empregos, uma queda de 40,7%. O segmento é historicamente sensível às variações da taxa básica de juros (Selic). O encarecimento do crédito imobiliário e dos financiamentos empresariais limitou o lançamento de novos projetos e, consequentemente, o ritmo de contratações no canteiro de obras.
Agropecuária registra crescimento recorde
Na contramão da tendência de desaceleração dos outros setores, a agropecuária apresentou um desempenho excepcional em 2025. Impulsionado pelos resultados da safra agrícola 2024/2025, o setor registrou um saldo de 1.985 empregos. Esse número representa uma expansão impressionante de 806,4% em comparação ao ano anterior, reforçando o papel estratégico do campo na balança de empregos do Paraná.
Perspectivas para o mercado de trabalho em 2026
A análise dos dados do Novo Caged sugere que o Paraná mantém uma estrutura de emprego sólida, mas entra em 2026 com cautela. A tendência aponta para um crescimento ainda mais moderado, condicionado pelo cenário internacional adverso e pela manutenção de juros altos, que comprimem os investimentos privados. A expectativa é que a manutenção do nível de pleno emprego seja o principal desafio para os gestores e empresas paranaenses nos próximos meses.








