Em 2025, o Ministério da Saúde registrou uma queda alarmante na vacinação contra covid-19 no Brasil, onde menos de quatro em cada dez doses distribuídas foram efetivamente aplicadas. O cenário, monitorado pela plataforma Infogripe da Fiocruz, revela que a baixa cobertura vacinal resultou em mais de 10 mil casos graves e 1,7 mil mortes no último ano. Especialistas alertam que a “normalização” da doença e a desinformação comprometeram a percepção de risco da população, deixando grupos vulneráveis, como crianças e idosos, expostos a variantes potencialmente mais transmissíveis.
Impacto da baixa cobertura vacinal no Brasil
Os dados oficiais de 2025 mostram um desperdício logístico preocupante: das 21,9 milhões de doses enviadas a estados e municípios, apenas 8 milhões chegaram aos braços dos brasileiros. Segundo a Fiocruz, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por coronavírus ainda é uma ameaça real, com registros que podem aumentar devido a inserções tardias no sistema de vigilância.
Leonardo Bastos, coordenador do Infogripe, enfatiza que o vírus não desapareceu e que surtos periódicos continuam a testar a rede de saúde. A ausência de sazonalidade definida — diferentemente da gripe — torna a imunização constante ainda mais estratégica para evitar novas epidemias.
O perigo do antivacinismo e a saúde infantil
Um dos pontos mais críticos é a vacinação infantil. Em 2025, apenas 3,49% das crianças menores de 1 ano foram vacinadas. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, associa esse índice à baixa percepção de risco e ao avanço de fake news. Quando a população deixa de presenciar mortes em massa, a guarda baixa, e o movimento antivacina ganha espaço.
Entretanto, as estatísticas refutam a sensação de segurança. Crianças menores de 2 anos compõem o segundo grupo mais vulnerável a complicações. Entre 2020 e 2025, foram registradas 801 mortes nesta faixa etária. Além do óbito, há o risco da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) e sequelas cardiovasculares, como miocardite.
Eficácia e segurança das vacinas
Enquanto a desinformação avança, a ciência acumula provas de segurança. Monitoramentos realizados em São Paulo e pelo Ministério da Saúde confirmam que eventos adversos graves são raríssimos, predominando reações leves. Profissionais de saúde são instados a manter a atualização científica para combater interesses políticos e financeiros que tentam descredibilizar a imunização.
Quem deve se vacinar contra a covid-19?
O calendário atual exige atenção redobrada para os seguintes grupos:
-
Bebês e Crianças: Esquema de três doses entre 6 e 9 meses. Reforço anual para indígenas e crianças com comorbidades.
-
Gestantes e Puérperas: Uma dose a cada gestação ou no pós-parto imediato.
-
Idosos (60+) e Imunocomprometidos: Dose de reforço a cada 6 meses.
-
Grupos Prioritários: Trabalhadores da saúde, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência devem receber uma dose anual.
-
Público Geral (5 a 59 anos): Dose única para quem nunca foi vacinado.







