Na terça-feira (04/11), o Senado Federal finalmente instalou a CPI do Crime Organizado. Desde junho passado, aguardava-se a instalação do colegiado, porém, a abertura da Comissão encontrava-se travada, sem a indicação dos integrantes. A megaoperação das polícias do Rio nos morros cariocas foi a grande propulsora para que o presidente da Casa, David Alcolumbre (União-AP), resolvesse se mexer e finalmente dar prosseguimento a instalação. Afinal, após a operação nos morros cariocas, um grande alvoroço instalou-se no Senado, também, com diversos senadores passando a defender a urgência do início dos trabalhos da Comissão, especialmente, os parlamentares da oposição.
Governistas x oposição
O governo Lula, ciente de que a pauta da segurança pública representa uma “pedra no sapato” da esquerda, tratou de emplacar um petista na presidência da CPI. E conseguiu. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) venceu, por um voto, o senador Hamilton Mourão (Republicanos) – 6 × 5 -, que ficou com a vice-presidência do colegiado. A relatoria, também, ficou com um governista, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ao todo, são onze integrantes e sete suplentes, havendo vantagem para o governo, que emplacou o presidente e o relator. Além de contar com seis integrantes, enquanto a oposição conta com cinco.
“Trabalho técnico“
O senador Fabiano Contarato prometeu um trabalho bastante técnico, lembrando que, apesar de ser petista, não costuma concordar em tudo com os integrantes de seu partido. Já tendo sido delegado, Contarato, por exemplo, votou contra as “saidinhas” dos presos, tendo votado, ainda, para derrubar o veto do presidente Lula a projeto que pretendia acabar com as “saidinhas”.
“Alívio“ ao governo federal
Contar com uma maioria de membros e ter emplacado a presidência e a relatoria, porém, não tranquiliza o governo federal. No máximo, traz um certo alívio. A CPI foi aberta às vésperas do ano de eleições presidenciais. Isso significa que promete gerar intensa repercussão justamente no início de 2026, quando o debate sobre a disputa pela presidência da República estará no auge. No final de dezembro próximo, haverá recesso parlamentar nas duas casas legislativas. Os trabalhos voltam somente em fevereiro, havendo o prazo de 120 dias para realização e término da CPI, prorrogáveis para 60 dias, caso necessário.
Trunfo eleitoral
Em resumo: a CPI poderá ser utilizada como um grande trunfo eleitoral para a oposição, leia-se direita e conservadorismo. Será bastante desafiador para a esquerda dominar esta pauta e protagonizar o debate. Pois, o governo sabe que a maioria da população não apoia ideias e propostas progressistas em torno de “combater a violência policial”; “direitos humanos dos presos”; ”combater bandidos sem o uso de armas” e outras propostas que não demonstram sensibilidade aos anseios da população honesta, somente aos anseios da população carcerária e de quem atua na ilegalidade.
Batalha de narrativas
O governo teme perder a batalha da narrativa para a oposição, que é muito mais sintonizada aos anseios da população em relação à segurança pública. Tanto que as pesquisas apontam que o governo Lula apresentou uma ligeira queda na popularidade após a megaoperação do governador Cláudio Castro, devido a comentários do presidente da República em desaprovação a “matança” no Rio. Lula vem sendo orientado por assessores, inclusive, a não mais falar de improviso sobre segurança pública.
Aprovação popular
Pesquisas de opinião pública vem sendo feitas sobre a megaoperação e o tema da segurança pública. As preocupações do governo federal procedem. A pesquisa Genial/Quaest, por exemplo, apontou que 64% da população do Rio aprova a megaoperação. Já o Datafolha apontou o maior índice de aprovação do governo de Cláudio Castro logo após a megaoperação. Atingiu 40% de “bom” ou “ótimo”.
Potencial de desgaste
O potencial de desgaste do governo com a CPI do Crime Organizado pode ser grande. Maior do que o da CPMI do INSS, que vem sendo conduzida no Congresso Nacional sem gerar maiores estragos a imagem do governo. Talvez, por uma certa blindagem da grande imprensa, que não tem oferecido tanto destaque quanto os trabalhos do colegiado mereceriam… A oposição e os pré-candidatos de direita costumam dominar a pauta de segurança pública, com discurso e argumentos muito mais realistas, consistentes, e que vão de encontro aos anseios da população trabalhadora e honesta.
Palanque eleitoral
A expectativa é a de que a direita encontre uma grande oportunidade de protagonismo em pleno ano de eleições presidenciais. Uma única pauta, porém, das mais fundamentais, pode virar o jogo numa disputa à presidência da República. Que este debate venha. Mas, não, apenas, para servir de palanque eleitoreiro, mas para a proposição de ideias verdadeiramente sérias e plausíveis no combate a criminalidade e ao crime organizado.







