O perigoso hábito da automedicação, impulsionado pela busca por alívio imediato para problemas de saúde mental, tem se tornado uma tendência alarmante. Dados da Anvisa mostram que o consumo de ansiolíticos, como o Lorazepam, cresceu mais de 50% na última década, contribuindo para a normalização do uso desses fármacos sem orientação profissional.
A endocrinologista Dra. Cristiana Sampaio Mota Souza, da Afya Ipatinga, esclarece os riscos do uso indiscriminado de medicamentos. A automedicação pode causar toxicidade aguda ou efeitos cumulativos que afetam principalmente o fígado e os rins, levando a danos como insuficiência hepática e renal. O uso abusivo também pode causar riscos cardiovasculares, como arritmias, e respiratórios, como a depressão do centro respiratório.
A psicóloga Andréa Chicri Matiassi, da Afya Contagem, ressalta que a automedicação é, muitas vezes, uma tentativa de silenciar o sofrimento emocional sem recorrer à terapia. Segundo ela, a busca por medicamentos reflete a crença de que é preciso “funcionar o tempo todo”, com a promessa de alívio imediato, mas sem a devida compreensão do sofrimento.
O Impacto da Automedicação no Brasil e na Sociedade
A automedicação tem um custo alto e perigoso para o Brasil, com cerca de 20 mil mortes por ano causadas por esse hábito, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma).
A banalização da medicalização da saúde mental reforça uma cultura de alívio rápido que enfraquece a capacidade de lidar com o sofrimento. No nível individual, o fenômeno pode gerar dependência química e psicológica, além de enfraquecer a autonomia do indivíduo. No coletivo, a automedicação contribui para uma sociedade que normaliza o uso de medicamentos como uma resposta padrão, refletindo um ideal de produtividade constante e uma intolerância à pausa.







