O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), que coleta dados sobre as competências de leitura, escrita e matemática, aponta um cenário preocupante: quase um terço da população adulta do país, mesmo com alguma escolaridade, não consegue interpretar textos de forma completa. Haroldo Andriguetto Júnior, presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR), destaca que a responsabilidade de mudar essa realidade é de toda a sociedade. “Não podemos aceitar que quase um terço da população adulta ainda enfrente dificuldades básicas de leitura e compreensão”, afirma, ressaltando que investir na alfabetização é um investimento no desenvolvimento social e econômico do Brasil.
A pesquisa do Inaf demonstra uma desconexão entre o tempo de estudo e a qualidade da alfabetização. Entre as pessoas que cursaram apenas os anos iniciais do Ensino Fundamental, oito em cada dez permanecem como analfabetas funcionais, enquanto 19% atingem apenas o nível elementar. O problema persiste mesmo para aqueles que completaram o Ensino Fundamental: 43% ainda são classificados como analfabetos funcionais, indicando que a jornada de estudo por si só não garante a plena alfabetização.
Desigualdade Social e o Papel Essencial da Família
Para a diretora pedagógica Danielle Carmassi, a desigualdade social é um dos principais fatores que afetam os resultados da alfabetização. Ela defende que um bom processo de aprendizagem depende da qualidade de vida da criança, que inclui o acesso à educação de qualidade, uma alimentação rica, boas noites de sono e uma família estruturada que possa dar suporte e acompanhar o processo de ensino. A especialista pontua que a falta de recursos como livros e jogos e a ausência de tempo e estrutura familiar impactam diretamente o desenvolvimento.
Danielle ressalta que a alfabetização deve ser um processo natural e contínuo, que não se limita à sala de aula. É essencial que as famílias sejam parceiras da escola, incentivando e apoiando a criança em cada etapa. Para ela, a alfabetização precisa ser contextualizada no dia a dia, como na simples leitura de placas de rua durante um passeio. A diretora também alerta para a ansiedade de pais que desejam que os filhos aprendam a ler precocemente, e defende que o mais importante é comemorar as conquistas e criar um ambiente de confiança para que o aprendizado aconteça de forma saudável e prazerosa.







