Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Eduardo Bolsonaro pode provocar racha na direita por tentativa de sabotagem a economia brasileira

A guerra comercial entre Brasil e EUA e as novas tarifas de importação impostas por Donald Trump estão gerando um racha na direita brasileira.

A guerra comercial entre Brasil e EUA ameaça provocar um racha na direita brasileira. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem criticado políticos de direita que tentam desvincular as negociações comerciais entre os dois países a questão da anistia aos presos políticos e ao julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Eduardo rebateu comentários dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos -SP) e Ratinho Júnior (PSD-PR) sobre o tarifaço de Trump. Em evento em São Paulo, da XP Investimentos, no último sábado (26/07), os dois governadores defenderam negociações com Trump sem citar a possibilidade da anistia ser colocada em pauta. Sobre a preocupação de Tarcísio com a taxação de 50%, o deputado disse na rede social X: ”Desconfie de quem se mostra preocupado com a ‘tarifa-Moraes‘ e não fala dos presos políticos e da crise institucional ignorando a carta do Trump que é expressa na solução do problema. Estão te enganando, jogando para a plateia e prolongando o sofrimento de quem dizem defender”.

 

Relações comerciais

O governador Ratinho Júnior (PSD-PR) foi bem mais enfático, ao dizer à imprensa, durante o evento, que o Brasil não deve ser vitimista, pois, Trump agiu de modo semelhante com outros países, anunciando elevação nas tarifas, também. E que países como China, Japão, Indonésia, Índia, estão negociando e conseguindo baixar as tarifas. Dando, assim, a entender que o tarifaço de 50% não teria nada a ver com Bolsonaro. E completou: ”Bolsonaro não é mais importante que as relações comerciais entre Estados Unidos e Brasil”. Em resposta, Eduardo publicou um vídeo com as cartas e menções de Trump a Bolsonaro. “Desculpe-me, governador. Mas ignorar estes fatos não vai solucionar o problema. Vai apenas prolongá-lo ao custo do sofrimento de vários brasileiros”.
Tarcísio, por sua vez, disse que se engana quem aposta num racha na direita. “Bolsonaro vai participar desse processo”, afirmou, no evento, em referência às eleições presidenciais de 2026.

 

Direita e bolsonarismo

Porém, até quando a direita permanecerá unida em torno do nome de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo quando a postura e atuação do filho Eduardo Bolsonaro tem sido clara e assumidamente contrária aos interesses econômicos do país? O filho número 3 do presidente tem ultrapassado todos os limites em sua atuação nos Estados Unidos para salvar a pele do pai junto ao STF. Tem apresentado um comportamento que beira a insanidade megalomaníaca, digno de uma internação psiquiátrica: ”Eu sei como fazer”, disse, recentemente, sobre as negociações ao criticar a comitiva de senadores que foi aos EUA.

 

Sabotagem a economia

Na terça-feira (29/07), o parlamentar declarou publicamente que deverá atuar contra qualquer possibilidade de diálogo da comitiva de senadores brasileiros com as autoridades americanas. Uma comitiva de senadores de diversos partidos, inclusive, aliados de Bolsonaro, a exemplo da senadora ex-ministra do ex-presidente, Tereza Cristina, foi aos EUA buscar interlocução com empresários importadores e autoridades do governo americano a fim de negociar um acordo comercial satisfatório ao Brasil. Eduardo disse que torce para que o Brasil não encontre solução para o tarifaço e que vai atuar contra qualquer possibilidade de diálogo entre as partes. Inclusive, afirmou que vai alertar ao governo americano sobre os senadores “golpistas”. “Só farão acordos meio-termo”, referindo-se a deixarem de lado a negociação política sobre o STF. Os parlamentares reagiram classificando a postura do deputado federal licenciado de “boicote” a um possível acordo.

 

“Guru“ de Trump

A dúvida que permanece, no entanto, é: até que ponto Eduardo Bolsonaro teria influência sobre as decisões do governo Trump? O filho 03 de Jair Bolsonaro estaria com essa bola toda junto ao governo Trump? Na imprensa, começa-se a especular que Eduardo Bolsonaro conte com um grande aliado, interlocutor, junto ao presidente Donald Trump. Trata-se do conselheiro sênior de Trump, que foi estrategista-chefe da Casa Branca no primeiro mandato do republicano, Steve Bannon. Grande estrategista por detrás da ascensão da extrema-direita no Ocidente, Bannon é uma espécie de “guru” político-ideológico de Trump. Eduardo Bolsonaro é muito próximo a Bannon graças ao falecido filósofo e professor Olavo de Carvalho, de quem o filho do ex-presidente foi aluno. Olavo de Carvalho, falecido em janeiro de 2023, residia há muitos anos nos Estados Unidos e teria apresentado Eduardo Bolsonaro a Steve Bannon, já há uns bons anos.

 

Ascensão da extrema-direita

Porém, independentemente do nível de influência que Eduardo Bolsonaro possa ter junto a Bannon e este junto a Trump, a única certeza é a de que o presidente republicano não tem como foco atender aos interesses da família Bolsonaro. Bannon, no máximo, deve ter orientado Trump a incluir a questão política na carta ao governo brasileiro, apenas, para justificar e apimentar a polarização. O que seria muito condizente com o histórico do “guru“ de Trump, que atua há muitos anos em prol da ascensão da extrema-direita, inclusive, por meio da disseminação de fake news e teorias da conspiração.

 

Terras raras

Na semana passada, o Brasil obteve a informação de que o maior interesse do governo Trump em relação ao nosso país é a exploração dos minerais raros no subsolo. Estes minerais são estratégicos para o uso na indústria de tecnologia e para a transição energética. O tarifaço, muito provavelmente, foi uma tática de pressão ao governo brasileiro a fim de buscar um acordo para a exploração de nossas terras raras que contêm os referidos minerais.

 

Demissões no Paraná

Conforme o passar dos dias e a demora do governo brasileiro em conseguir um canal de diálogo com o governo Trump, o cenário tem se tornado bastante tenso e preocupante. Se o grande interesse são os minerais raros no subsolo brasileiro, é o momento de buscar um acordo vantajoso ao Brasil. Pois, os impactos econômicos já estão sendo sentidos. O Paraná, por exemplo, conta com cerca de 90 grupos de produtores exportadores aos Estados Unidos, somando U$1,5 bilhão por ano em exportações ao país da América do Norte. O setor madeireiro tem sido um dos mais atingidos, já tendo anunciado férias coletivas e até demissões.

 

“Patriotismo“

É muito lamentável que ainda não haja um vislumbre, sequer, de solução por meio do diálogo e do consenso entre os dois países. Mais inaceitável, ainda, ver tantos eleitores “patriotas” em apoio a postura de Eduardo Bolsonaro, que nem esconde mais que sabota a economia brasileira agindo contra os interesses do país nos Estados Unidos. O governo brasileiro tem dito que Trump não quer conversar. Mas, é justamente para solucionar desacordos entre lideranças políticas que existe o corpo de diplomatas em ambos os países.

 

“Diplomacia na mesa“

O governador Ratinho Júnior, aliás, criticou a demora do governo brasileiro em buscar uma negociação sobre as tarifas. “É hora de colocar a diplomacia na mesa”, disse, no evento da XP Investimentos. Para o governador, o Itamaraty demorou em enviar uma representação do governo para os EUA e que o momento é de se tirar a política e colocar a diplomacia na mesa. Enviar um chanceler para os Estados Unidos e restabelecer as boas relações diplomáticas foi o que enfatizou. Ratinho Júnior, inclusive, lembrou do histórico de sucesso da diplomacia brasileira em vários impasses ao longo da História do país.

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