A cada vez que a esquerda perde uma eleição ou é derrotada em alguma pauta importante no debate nacional, a militância de esquerda engrossa o coro contra o “pobre de direita”. O “pobre de direita”, para a esquerda, é visto como um contrassenso, em si, afinal, somente a esquerda teria o monopólio da defesa dos interesses e direitos do pobre. Assim, o “pobre de direita” é tachado de “burro alienado“ ou “masoquista”, alguém que apreciaria sofrer, ser escravizado e humilhado pelas elites.
Populismo
Governos de esquerda tradicionalmente têm vencido eleições com base no discurso populista de que vão governar, sobretudo, em benefício dos mais pobres. Contudo, em sucessivos governos de esquerda, no Brasil e no mundo, a prática tem se revelado bem diferente da teoria. A sonhada distribuição de riqueza tem se revelado, muito mais, uma distribuição de pobreza, empobrecendo-se a classe média com a alta cobrança de tributos e mantendo-se as classes baixas no modo de sobrevivência, apenas, a partir de “esmolas“ do governo, os chamados benefícios sociais, os programas de transferência de renda.
Educação de qualidade
Estes últimos podem revelar-se válidos, úteis e proveitosos somente, e tão somente, por determinados períodos e se acompanhados de políticas públicas que realmente garantam que tais contemplados possam conquistar meios de obtenção de renda de forma independente do Estado. Para isso, seriam necessários investimentos expressivos em educação, educação de qualidade, realmente, além de geração de emprego. Investir meramente em programas de transferência de renda sem a contrapartida proporcional em políticas voltadas a educação de qualidade, qualificação profissional e atração de investimentos na iniciativa privada não funcionam a médio e longo prazo.
Geração de riqueza
Afinal, dinheiro não dá em árvore. Para promover crescimento de riqueza, deve haver produção de riqueza. O que unicamente é conquistado pelo trabalho e produção de bens e serviços. Para isso, é necessário garantir apoio ao empresariado e a livre iniciativa dos investimentos privados. E não somente apoio aos detentores do grande capital, a exemplo de mega empresários apadrinhados dos governos como a esquerda costuma fazer quando chega ao poder. É preciso garantir apoio e incentivo a micro e pequenos e médios empreendedores, que representam a maioria da força do empresariado no país.
Pesada carga tributária
A imposição de uma pesada carga tributária sobre os menores, os pequenos e microempreendedores, revela-se contraproducente, engessando e dificultando os investimentos. O resultado é a inibição da livre iniciativa nos empreendimentos privados, desestimulando-se a geração de emprego e renda. Os altos encargos trabalhistas por meio das contratações via CLT são outro entrave. Manter um funcionário com carteira assinada, mesmo pagando-se um salário baixo, não costuma sair barato ao patrão, que conta com uma série de encargos trabalhistas pagos ao Estado. A legislação trabalhista, também, não colabora. Os custos com dívidas trabalhistas impostas pelo Poder Judiciário podem inviabilizar as atividades de uma pequena ou micro empresa.
Sem contrapartida
O “pobre de direita“ seria burro ou, apenas, realista e prático ao perceber que o discurso da esquerda não é compatível com o que é feito? Há décadas que se bate na tecla de que a educação de qualidade é a solução para a maioria dos problemas do país. Porém, o que temos visto em sucessivos governos de esquerda é o sucateamento da educação pública. Contingenciamentos de despesas com educação e políticas públicas que valorizam, apenas, números de alunos matriculados e que passam de ano, ao invés de investir fortemente na qualidade do ensino, na disciplina e comprometimento dos alunos e na qualificação de educadores.
Cultura woke
Para piorar, o progressismo woke cria novas pautas em que o “pobre de direita” não se identifica, não vê sentido algum. Ao contrário, abomina. A exemplo da defesa de mudanças na linguagem que soam ridículas e inapropriadas como o uso do “todes”, de banheiros sem gênero até nas escolas e por aí afora… Uma profusão de bizarrices que só geram mais desprezo do “pobre de direita” ao discurso da esquerda. Um discurso cada vez mais desconectado das aspirações do trabalhador assalariado, pobre ou de classe média baixa.
“Luta de classes”
A esquerda pauta-se na suposição de que a “luta de classes” seria algo realmente contundente ao ponto de mobilizar massas em favor de governos de esquerda. Para a esquerda, todo rico odeia ou despreza os pobres, que só servem para trabalhar para eles, contribuindo significativamente para enriquecê-los. Já os pobres, seriam os grandes ressentidos e invejosos, que viveriam torcendo para o patrão se dar mal e todos os ricos pagarem ao Estado, via impostos e demais sanções, o quinhão que extraíram do pobre por meio da força de trabalho mal paga. O que ocorre é que supostos ressentimentos do pobre contra ricos expressam-se de variadas formas. Muitos não querem viver de “esmolas” do governo, nem sonham mais com um bom emprego de carteira assinada. O sonho de muitos é abrir seu próprio negócio, trabalhar por conta própria, pois, não acreditam mais em estado paternalista. Querem ser os próprios patrões, nem que, apenas, de si mesmos. Acreditam no poder do esforço próprio, na meritocracia, na livre iniciativa no mercado de trabalho. Basta que o Estado não atrapalhe impondo pesadas cargas tributárias, burocracia e corrupção.
Ascensão social
Do Estado, espera-se somente que combata e puna a corrupção e a criminalidade com rigor, e não dificulte a vida do cidadão trabalhador e honesto com privilégios e benesses a grandes empresários amigos em detrimento da livre concorrência – a essência do verdadeiro capitalismo de mercado. Talvez, nem todo “pobre de direita” sonhe em ficar rico, mas, ”apenas”, em poder estudar, qualificar-se profissionalmente e trabalhar em paz, ascendendo socialmente por seus próprios méritos a fim de que obtenha uma vida digna e confortável. E que o dinheiro dos impostos realmente seja investido em educação, saúde e segurança pública de qualidade. Quanto ao restante, o “pobre de direita” quer correr atrás, sem o Estado para travar sua vida com interferências desnecessárias, até, em questões de costumes da vida privada e de sua liberdade de expressar ideias e opiniões nas redes sociais.







