O presidente Lula, em entrevista ao portal ICL Notícias, na quarta-feira (08/04), fez uma declaração que mexeu com as expectativas sobre a disputa presidencial, nestas eleições de 2026. Disse que ainda não decidiu se será candidato à reeleição. Mas completou que dificilmente não será candidato. Que será na convenção partidária, em julho, que o PT fará a escolha.
“Cabo eleitoral”
A afirmação trouxe a expectativa de mexer com o jogo da disputa. Se Lula não sair candidato, quem poderá ficar em seu lugar? Na mesma entrevista, Lula exaltou a liderança política de Camilo Santana, ministro da Educação, que deixou o cargo para trabalhar na campanha presidencial do partido. “O Camilo é um grande cabo eleitoral, uma liderança importante”, disse o presidente da República. O nome do ministro da Educação poderia ser o sucessor de Lula? Essa é uma pergunta que analistas políticos têm feito.
Contradição
Contudo, antes de fazer especulações sobre uma possível desistência de Lula em concorrer à reeleição, é prudente analisar a contradição existente na fala do presidente quando diz que é o PT que deverá escolher, durante a convenção. Ora, todo mundo sabe que o PT e Lula são a mesma coisa, na prática. O que Lula decidir, o PT deverá acolher. Então, não se trata de decisão partidária, mas de uma decisão pessoal de Lula.
Derrota vexatória
A avaliação de alguns comentaristas na imprensa é a de que Lula estaria cogitando evitar um vexame diante da iminente possibilidade de perder para o filho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro. Seria realmente um fim de carreira política para o petista um tanto decadente… Avalia-se que o presidente Lula queira esperar os próximos meses para uma decisão e, assim, verificar se as pesquisas de intenção de voto apontam um cenário menos arriscado em relação a uma eventual derrota, e vir a confirmar uma candidatura ou não.
Ligeira vantagem numérica
A mais recente pesquisa do canal Meio/Instituto Ideia, divulgada na quarta-feira (08/04), mostra que Lula e Flávio encontram-se tecnicamente empatados no segundo turno, com ligeira vantagem para o filho de Bolsonaro: 45,8% contra 45,5% ao petista. Se as eleições fossem hoje, realmente, as chances de reeleição de Lula estariam em alto risco.
“Charmezinho”
Mas até que ponto uma simples afirmação de Lula, em que, pela primeira vez, não traz 100% de certeza sobre sua candidatura à reeleição, pode ser levada a sério, ao pé da letra? Talvez, o pré -candidato a presidente, Ronaldo Caiado (PSD), esteja certo quando diz que se trata, apenas, de “charmezinho” do petista quando afirma que ainda não decidiu se sairá candidato. É bem possível que se trate de jogo de cena, mesmo, somente para alimentar especulações e animar a oposição.
Estratégia
Mais do que jogo de cena e “charme”, o presidente Lula pode estar usando de pura estratégia para distrair adversários. Sem Lula na parada, tudo ficaria mais fácil para a direita, levando-a a baixar a guarda contra o principal adversário, que está com a máquina pública e é o único pré-candidato da esquerda com potencial eleitoral. Enquanto a direita tem, ao menos, quatro pré-candidatos: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Divisão de votos não costuma trazer bons resultados quando o adversário concentra todo o eleitorado de esquerda, praticamente.
Torcida
Há um clima de “já ganhou” entre a direita e de “já perdeu” entre comentaristas na imprensa quando falam de Lula, que é bastante precipitado. Muitas análises políticas mais parecem torcida do que uma análise verdadeiramente isenta e realista. O presidente Lula e o governo têm apresentado queda expressiva na popularidade, segundo as pesquisas, mas, é muito cedo para tentar definir uma tendência eleitoral. Faltam seis meses para a votação, no primeiro turno. Ninguém sério e sensato consegue “prever” um resultado com tanta antecedência. Seis meses é muito tempo pela frente em termos de campanha.
Consolidação do cenário
A História do país tem demonstrado que os números tendem a consolidar-se cerca de dois meses ou menos antes do dia da eleição. Candidatos que, antes da campanha, aparecem na frente, nas pesquisas, podem perder. E o contrário, também. Na campanha de 1989, por exemplo, ninguém apostava, no primeiro semestre, que Fernando Collor poderia ser eleito. Collor cresceu rapidamente durante a campanha e venceu. Foi um fenômeno eleitoral, impulsionado pela Rede Globo, vale lembrar. Em 2026, a Rede Globo já não tem a mesma influência.
Redes sociais
As redes sociais exercem influência muito maior. E candidatos que souberem usá-las podem extrair vantagem eleitoral. Além de diversas outras variáveis que devem entrar em jogo nestes próximos seis meses, a exemplo da condução da economia, das notícias sobre o caso Banco Master e outros. O que não faz sentido é levar ao pé da letra especulações e análises políticas com base em torcida, achismos ou declarações feitas mais para confundir do que para definir e esclarecer. Ninguém tem “bola de cristal” e baixar a guarda não é prudente em nenhuma disputa, muito menos, nesta, considerada a mais polarizada e derradeira para o futuro do país.





