Paraná terá primavera mais úmida, com atenção redobrada para alergias

Estação das flores exige atenção de pacientes alérgicos tanto para o mofo dentro de casa quanto para o pólen na rua
Estação das flores exige atenção de pacientes alérgicos tanto para o mofo dentro de casa quanto para o pólen na rua - José Fernando Ogura/Arquivo AEN
Secretaria de Estado da Saúde do Paraná orienta medidas preventivas em imóveis para conter crises respiratórias causadas por fungos e poeira

A primavera começou e, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná – Simepar, a estação será marcada por chuvas acima da média até dezembro, com episódios intensos e frequentes. Esse cenário está ligado ao El Niño, fenômeno que deve atingir o pico de intensidade entre a primavera e o verão. O clima propicia o acúmulo de umidade, que traz consigo o mofo ou bolor, caracterizados por diferentes estágios de colônias de fungos microscópicos que se desenvolvem rapidamente em ambientes quentes e com pouca ventilação.

O grande problema é que ambos podem provocar reações do sistema imunológico das pessoas aos esporos de fungos liberados no ar. O ato de inalar agentes alérgenos pode desencadear a inflamação das vias respiratórias, causando reações. Uma boa dica é perceber se os sintomas pioram em determinado local e melhoram ao sair do ambiente, pois essa variação indica o quanto agentes como fungos e ácaros estão provocando crises.

Nem toda reação ao ambiente significa rinite alérgica. Por essa razão, a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná é procurar deixar os ambientes residenciais mais seguros na luta contra os ácaros e fungos. Entre as principais dicas para conter os problemas respiratórios estão:

– Eliminar situações que favoreçam a umidade em casa, tais como infiltrações, vazamentos e falta de ventilação, mantendo uma rotina de higienização para reduzir o acúmulo de poeira;

– Consertar vazamentos hidráulicos e remover o mofo das superfícies visíveis, o que evita a proliferação dos fungos;

– Ficar atento e higienizar locais escondidos que podem ser propícios para o crescimento de fungos, como atrás de móveis, dentro de armários, forros, paredes e aparelhos de ar-condicionado;

– Retirar tapetes e carpetes, especialmente do quarto, lavar cortinas com frequência e utilizar capas antialérgicas impermeáveis para colchões, almofadas e travesseiros. Essas capas evitam a penetração da umidade e o desenvolvimento de ácaros. É necessário lavá-las a cada três semanas;

– Roupas guardadas por muito tempo precisam ser lavadas e expostas ao sol antes do uso, mantendo os ambientes sempre arejados.

CUIDADOS ESSENCIAIS

Essas medidas costumam dar mais conforto às pessoas que sofrem com alergias nesta época. Quem convive com essa condição já conhece os sintomas mais frequentes, como obstrução nasal, coceiras, sucessão de espirros, tosse seca, coriza, olhos lacrimejantes e até crises respiratórias. Principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas como asma, rinite e sinusite tendem a sofrer mais esses efeitos. Para esse público, o cuidado deve ser redobrado, pois crises muito fortes podem provocar quadros graves.

Além do aumento gradual no volume de chuva, a época é de floração, uma das principais características da primavera. Portanto, mantém-se o alerta para o desencadeamento de alergias ocasionadas pelo pólen. A típica alternância entre calor e frentes frias sobrecarrega o sistema respiratório, irritando as vias aéreas e agravando doenças crônicas.

ALERGIAS SAZONAIS

Tendo em vista o cenário climático esperado para a primavera de 2026, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná lembra que este é um período do ano que traz desafios para pessoas que têm alergias, especialmente quanto à intensificação dos problemas respiratórios. É tempo de adotar medidas preventivas para não desencadear crises. Doenças como rinite, rinossinusite, conjuntivite, bronquite, dermatite, angioedema, urticária e gastrite podem ser induzidas por alergias. Dentre as reações inflamatórias mais comuns estão rinite alérgica, asma e conjuntivite alérgica.

REDE PÚBLICA

Como as situações alérgicas tendem a se intensificar na estação, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná reforça que no Sistema Único de Saúde o tratamento é iniciado na Atenção Primária, nas Unidades Básicas de Saúde dos municípios. Após esse primeiro atendimento, se necessário, o usuário será encaminhado para a Atenção Especializada, com um profissional como alergologista, pneumologista ou dermatologista.

A estimativa da Organização Mundial de Alergia indica que 30% da população mundial possui algum tipo de alergia. A Organização Mundial da Saúde prevê que, até 2050, metade da população global poderá ter alergias devido às mudanças climáticas, que permitem maior penetração de alérgenos no organismo humano. No Brasil, a estimativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia aponta que a rinite alérgica atinge cerca de 30% da população.

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