Paraná Cuida Delas leva tecnologia para reduzir queda de cabelo durante quimioterapia

O vice-governador Darci Piana participou da cerimônia do programa Paraná Cuida Delas no Palácio Iguaçu
O vice-governador Darci Piana participou da cerimônia do programa Paraná Cuida Delas no Palácio Iguaçu - Geraldo Bubniak/AEN
Estado destina investimento de R$ 1,35 milhão para doar kits de crioterapia capilar a quatro hospitais de referência no tratamento do câncer pelo SUS

O Governo do Estado lançou no dia 28, quarta-feira, o projeto-piloto Paraná Cuida Delas com o repasse de recursos para a compra de toucas inglesas direcionadas a quatro hospitais que realizam tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde. O lançamento ocorreu durante o evento Outubro Além do Rosa, voltado às servidoras públicas estaduais e realizado no Palácio Iguaçu, em Curitiba.

A touca inglesa resfria o couro cabeludo a uma temperatura de até quatro graus negativos. O processo provoca a contração dos vasos sanguíneos e impede que a medicação das sessões de quimioterapia e radioterapia atinja e destrua os folículos capilares, contribuindo para a preservação da autoestima e da qualidade de vida das mulheres durante o tratamento. A taxa de preservação dos fios varia de 50% a 90%.

Nesta etapa piloto, a gestão estadual adquirirá quatro kits completos de crioterapia capilar destinados à Unidade Avançada do Hospital Erasto Gaertner em Paranaguá, no Litoral; à Fundação Sudoestina de Combate ao Câncer, em Pato Branco, no Sudoeste; ao Centro de Saúde Erasto Gaertner, em Irati, e ao Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, em Guarapuava, ambos no Centro-Sul. Os aparelhos terão, juntos, capacidade operacional para até 3,840 atendimentos por ano.

TECNOLOGIA E CUIDADO

O vice-governador Darci Piana participou da entrega simbólica dos equipamentos e destacou que a tecnologia é mais uma ação de cuidado do Governo do Estado para as mulheres, atuação fortalecida após a criação da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa.

“Esse equipamento é colocado na cabeça da mulher e ajuda a evitar a queda de cabelo durante o tratamento contra o câncer. Isso contribui muito para a saúde e autoestima das mulheres do Paraná. Tudo isso demonstra a preocupação do Estado com o bem-estar das mulheres, que representam 52% da população paranaense”, afirmou.

O projeto Paraná Cuida Delas é uma iniciativa coordenada pela Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa e viabilizado por meio do programa Paraná Competitivo. O investimento de R$ 1,35 milhão deriva de recursos da Volkswagen do Brasil como contrapartida aos benefícios fiscais recebidos. O valor será repassado à organização Lions, que ficará responsável pela execução e aquisição dos equipamentos.

HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO

Para a secretária estadual Mariana Neris, a inclusão da tecnologia na rede hospitalar pública representa uma inovação no atendimento de saúde.

“É um equipamento capaz de aliviar a dor de muitas mulheres para além da dor física. Muitas vezes, ao enfrentar o câncer de mama, elas passam por um processo doloroso de perda não só da mama, mas também do cabelo durante o tratamento. Estamos trazendo algo que pode contribuir para que elas mantenham os cabelos, olhando para elas de uma maneira mais humanizada”, explicou.

“Cada kit é composto por um equipamento eletrônico que conecta até duas pacientes simultaneamente, além dos insumos necessários. Estamos garantindo que os hospitais que receberão essa tecnologia tenham, durante três anos, manutenções periódicas e os insumos necessários para o funcionamento do equipamento, como o gás utilizado no aparelho. Isso reduz os custos para os hospitais e, assim, conseguimos viabilizar o atendimento de quase quatro mil mulheres por ano”, completou.

IMPACTO NOS REGIONAIS

A coordenadora da Oncologia do Hospital São Vicente de Guarapuava, Karine Brito, destacou que a parceria com o governo abrirá um novo capítulo no atendimento da unidade.

“É algo muito esperado, um sonho que, devido ao custo, foi sendo postergado. Agora, graças a essa parceria, vamos conseguir oferecer esse recurso às nossas pacientes. Será de grande valia porque sabemos o quanto a queda de cabelo interfere na saúde mental e no decorrer do tratamento das pacientes”, disse.

“Eu fui enfermeira assistencial na quimioterapia, então conheci a realidade das pacientes. É algo de que temos muito orgulho e pelo qual agradecemos, acima de tudo, pela oportunidade de levar esse recurso para a nossa cidade. Atendemos a 5ª Regional de Saúde, que abrange 20 municípios, e fazemos mais de 600 infusões de quimioterapia por mês. Entre essas pacientes, aquelas que tiverem indicação clínica para realizar a crioterapia poderão ser atendidas pelo equipamento. Nossa estimativa é atender de 30 a 40 mulheres por mês”, acrescentou.

AVANÇOS NA ONCOLOGIA

A diretora executiva assistencial do Hospital Erasto Gaertner, Maria Raquel de Castro, comemorou a inclusão da instituição pública para receber a tecnologia.

“Esse é um pilar muito importante no atendimento ao paciente oncológico: o tratamento quimioterápico. A crioterapia capilar traz avanços e benefícios aos pacientes, principalmente pela redução da queda de cabelo, que afeta a autoestima, especialmente das mulheres, que se olham no espelho e querem se ver bonitas, belas e inteiras como mulheres. Portanto, esse equipamento será muito bem utilizado”, ressaltou.

EVENTO NO PALÁCIO

O encontro Outubro Além do Rosa reuniu centenas de servidoras estaduais e também da Assembleia Legislativa do Paraná. Com uma programação voltada à saúde e ao bem-estar feminino, o evento integra as ações do Outubro Rosa e do Dia do Servidor Público. As participantes assistiram à palestra Libido: Outubro Além do Rosa, ministrada pela especialista Cida Dornelles e pela psicóloga Emilly Hennemann.

“O tema é o Outubro Rosa, mas nós não trouxemos a doença como foco. Trouxemos a mulher em todas as suas fases da vida, tendo como foco a mulher nos dias de hoje, todos os papéis que ela desempenha e as transformações que acontecem ao longo da vida”, explicou Cida Dornelles.

“Para além dos cuidados com exames e diagnósticos, é abordar um pouco do cuidado emocional e entender que a saúde, na verdade, é um conjunto complexo, buscando compreender melhor como a mulher se sente diante de um diagnóstico e também fora desse contexto”, complementou Emilly Hennemann.

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