A percepção dos estudantes brasileiros sobre a educação antirracista nas salas de aula revela um cenário desafiador, conforme aponta um estudo inédito. Um dos dados mais alarmantes é que aproximadamente metade dos alunos do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio no país não reconhece o debate sobre desigualdades raciais sendo abordado em sala de aula.
Essa realidade contrasta diretamente com as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas. Os dados provêm de um levantamento inédito no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), fruto de uma parceria estratégica entre o Núcleo de Pesquisa Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e os institutos Alana e Geledés.
O estudo, intitulado ‘Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023’, concluiu que a educação antirracista ainda não se estabeleceu como uma experiência consistentemente reconhecida pelos discentes. A observação de que a temática é frequentemente tratada de forma rara, por vezes limitada a aspectos da escravidão ou com um viés considerado ‘caricato’, reflete uma abordagem superficial ou pontual que falha em promover uma compreensão abrangente e contínua das contribuições, desafios e da importância da população negra e indígena na formação do Brasil.
Legislação Existente e Aplicação Irregular: O Descompasso
A educação antirracista no Brasil conta com um arcabouço legal robusto, estabelecido principalmente pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Essas normativas são claras ao determinar a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas de educação básica, visando promover o reconhecimento e a valorização das contribuições desses povos na formação da identidade nacional. Contudo, um estudo recente revela um descompasso significativo entre a letra da lei e a realidade vivenciada nas salas de aula brasileiras.
O levantamento inédito, fruto de uma parceria entre o Núcleo de Pesquisa Afro do Cebrap e os institutos Alana e Geledés, e divulgado no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb 2023), aponta que aproximadamente 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio em todo o país não reconhecem o debate sobre desigualdades raciais em sala de aula. Esse dado alarmante demonstra que, duas décadas após a promulgação da primeira dessas leis, a educação antirracista ainda não se consolidou como uma experiência universalmente reconhecida e efetivada nas instituições de ensino.
A socióloga Flávia Rios, professora da USP e pesquisadora do Cebrap, corrobora essa percepção, destacando que a aplicação da legislação antirracista nas escolas tem ocorrido de forma irregular, dependendo muito de iniciativas pontuais de secretarias de educação ou do próprio Ministério da Educação. Apesar de projetos importantes terem sido desenvolvidos ao longo dos últimos 20 anos, incluindo formação de gestores e docentes, e alterações curriculares para incluir a temática étnico-racial, o grande desafio permanece: a não universalização e a falta de consistência transdisciplinar da lei. Isso significa que, muitas vezes, o tema é abordado de maneira isolada ou superficial, sem a integração necessária em todo o currículo escolar.
Por Que a Educação Antirracista Ainda Não se Consolidou?
Apesar da existência de um arcabouço legal robusto, a educação antirracista no Brasil ainda luta para se consolidar, conforme revelam dados alarmantes de um estudo inédito. O levantamento, parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em parceria com entidades como o Núcleo de Pesquisa Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e os institutos Alana e Geledés, aponta que cerca de 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio não reconhecem o debate sobre desigualdades raciais em sala de aula. Essa percepção dos alunos sublinha um hiato significativo entre a legislação vigente e a realidade pedagógica, indicando que as diretrizes não estão sendo plenamente absorvidas ou implementadas de forma efetiva no cotidiano escolar.
A principal razão para essa falta de consolidação reside na aplicação irregular e fragmentada das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena. Conforme observado pela socióloga Flávia Rios, professora da USP e pesquisadora do Cebrap, embora a legislação tenha gerado “múltiplos projetos” de formação de gestores e docentes, e promovido mudanças curriculares nas últimas duas décadas, sua implementação tem sido inconsistente. A professora ressalta que a efetivação dessas diretrizes ainda depende, em grande medida, de iniciativas isoladas de secretarias educacionais ou do próprio Ministério da Educação, sem um plano de ação nacionalmente uniforme e coeso.
A falha em universalizar a aplicação dessas leis e em garantir uma abordagem transdisciplinar é um obstáculo crucial. A temática étnico-racial, quando abordada, muitas vezes se limita a eventos específicos ou é tratada de forma superficial, como a advogada Karina Berardo percebe ao notar que, até o ensino fundamental, as discussões sobre raça estavam ligadas principalmente à escravidão. A pesquisa “Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023” corrobora essa visão, ao concluir que a educação antirracista ainda não se estabeleceu como uma experiência pedagógica amplamente reconhecida e integrada ao currículo de forma consistente, permanecendo como um desafio central para o sistema educacional brasileiro. A necessidade de ampliação da legislação para uma cobertura mais consistente e a integração da temática em todas as disciplinas são percebidas como passos essenciais para superar essa estagnação.
A Lacuna entre Professores e Alunos: Diferentes Visões sobre o Tema
Um estudo inédito sobre a percepção de estudantes e professores na Educação Básica no Brasil revela uma significativa lacuna na abordagem da educação antirracista nas escolas. Os dados do levantamento, realizado a partir do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em parceria com entidades como o Núcleo de Pesquisa Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o Instituto Alana e o Geledés, apontam que aproximadamente 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio em todo o país declaram não reconhecer o debate sobre desigualdades raciais em sala de aula. Este cenário é particularmente preocupante, considerando que as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 estabelecem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.
Essa desconexão entre o que a legislação prevê e a experiência percebida pelos alunos sinaliza que a educação antirracista ainda não se consolidou como uma prática pedagógica universalmente reconhecida nas escolas brasileiras. Enquanto projetos e iniciativas de formação docente e curricular têm sido desenvolvidos nos últimos 20 anos, a aplicação dessas leis é descrita como irregular e dependente de esforços isolados. A socióloga Flávia Rios, professora da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Cebrap, enfatiza que “a questão é que a gente não conseguiu universalizar a aplicação dessa legislação e também que essa lei tivesse consistência transdisciplinar”, evidenciando um desafio sistêmico na implementação.
A percepção dos estudantes destoa, portanto, das expectativas e dos esforços que podem estar sendo empreendidos por parte de educadores e gestores. A mãe de uma estudante de 15 anos em Brasília, a advogada Karina Berardo, exemplifica essa discrepância ao notar que, embora haja uma ampliação do tema no ensino médio, as discussões sobre raça no ensino fundamental tendiam a se restringir à escravidão. Essa observação reforça a ideia de que, mesmo quando o tema é abordado, a profundidade, a abrangência e a perspectiva da contribuição negra podem ser limitadas ou “caricatas”, conforme a advogada, contribuindo para a visão de que a educação antirracista não é consistentemente efetiva ou plenamente desenvolvida do ponto de vista do aluno.
Caminhos para uma Educação Antirracista Efetiva: Monitoramento e Esforços Conjuntos
Apesar da existência de marcos legais como as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, a implementação de uma educação antirracista efetiva no Brasil ainda é um desafio. Estudos recentes, como o levantamento inédito no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) em parceria com entidades como o Cebrap, Instituto Alana e Geledés, revelam que aproximadamente 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio não reconhecem o debate sobre desigualdades raciais em sala de aula. Essa lacuna entre a legislação e a prática real sinaliza que a aplicação dessas diretrizes tem sido irregular, dependendo, muitas vezes, de iniciativas isoladas de secretarias educacionais ou do Ministério da Educação, o que impede a universalização e a consistência transdisciplinar almejadas.
Para transformar essa realidade, o monitoramento contínuo e sistemático da aplicação das leis e diretrizes é essencial. Não basta apenas a existência de um arcabouço legal; é imperativo que haja mecanismos de acompanhamento rigorosos para verificar a execução das políticas, avaliar o impacto das abordagens pedagógicas e identificar as lacunas existentes. Ferramentas de avaliação, como as utilizadas no referido estudo do SAEB, são cruciais para mapear a percepção de estudantes e professores e, com base nesses dados, ajustar as estratégias. Esse processo deve ir além da simples verificação da inclusão de temas, buscando a integração da temática étnico-racial de forma consistente e transversal em todas as áreas do conhecimento, e não apenas em momentos pontuais ou datas comemorativas, garantindo uma abordagem mais profunda e significativa.
A efetivação de uma educação antirracista demanda esforços conjuntos e coordenados de diversos atores sociais. Governos, secretarias de educação, instituições de ensino, educadores, famílias e a sociedade civil precisam atuar em sinergia para superar os entraves atuais. Isso implica investir massivamente na formação continuada de gestores e docentes, capacitando-os para abordar a temática com a sensibilidade e a profundidade necessárias, promovendo discussões que valorizem a contribuição positiva das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas, e não apenas focando no viés da escravidão. A universalização da aplicação da legislação, transformando a educação antirracista em uma experiência reconhecida e consolidada em todas as escolas do país, é fundamental para que o combate ao racismo se torne um pilar central e permanente do projeto educativo nacional.







