Dólar perto de R$5,10: Tarifas e tensão global agitam mercados

© Valter Campanato/Agência Brasil
Mercado Financeiro: Um Dia de Cautela e Aversão ao Risco

O dólar comercial encerrou o pregão em alta nesta quinta-feira, operando perto da marca de R$ 5,10, em um dia marcado pela forte aversão ao risco no mercado financeiro global e doméstico. A valorização da moeda americana, que fechou cotada a R$ 5,098, decorre de indicadores econômicos robustos nos Estados Unidos e da confirmação de novas tarifas alfandegárias de 25% impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros exportados. O cenário de incerteza puxou o índice Ibovespa para baixo, registrando uma queda superior a 1% na B3.

Mercado Financeiro: Um Dia de Cautela e Aversão ao Risco

Os mercados financeiros operaram em forte compasso de espera e postura defensiva. A combinação de pressões macroeconômicas externas e notícias comerciais locais gerou um fluxo de saída de capital de ativos de risco. Esse movimento global de busca por segurança fortaleceu o dólar em diversos países, penalizando diretamente moedas de países emergentes, como o real brasileiro.

Investidores reagiram à resiliência da atividade econômica nos Estados Unidos. O mercado de trabalho aquecido no exterior diminui as chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo. No Brasil, o anúncio oficial de novas taxações americanas sobre itens da pauta de exportação nacional adicionou volatilidade ao câmbio, mesmo que a lista de exceções finais tenha vindo maior do que o mercado previa originalmente.

O Ibovespa refletiu o pessimismo generalizado e acompanhou as perdas das bolsas de Nova York. A desvalorização atingiu papéis de grande liquidez da bolsa de valores brasileira. Setores ligados a commodities minerais e petrolíferas sofreram perdas expressivas, ditando o ritmo de baixa do índice ao longo de todo o dia.

Dólar Próximo de R$ 5,10: Entenda os Fatores de Alta

O dólar comercial encerrou o pregão negociado a R$ 5,098, registrando uma valorização diária de 0,40%. Durante a tarde, a moeda americana acelerou o ritmo e atingiu a máxima de R$ 5,11. O principal vetor internacional veio da divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA, que somaram 208 mil solicitações — número bem abaixo das 217 mil esperadas pelos analistas de mercado.

Paralelamente, as vendas no varejo americano avançaram 0,2% no mês de junho. Esse conjunto de dados econômicos sinaliza que a economia dos EUA segue aquecida. Com a atividade forte, os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo. Esse cenário atrai capital global para os títulos do Tesouro dos EUA, valorizando a divisa norte-americana globalmente.

No ambiente interno, as mesas de operação processaram os desdobramentos do chamado “tarifaço” de 25% aplicado pelos EUA sobre produtos do Brasil. O receio de redução no fluxo de comércio exterior e possíveis retaliações comerciais por meio da Lei da Reciprocidade reduziram o apetite por ativos locais, pressionando a cotação do real para baixo.

Bolsa de Valores e o Desempenho das Commodities

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou o dia aos 173.825,27 pontos, uma retração de 1,24%. O tombo ampliou as perdas acumuladas da semana, que já somam 2,27% de desvalorização. O mau humor corporativo penalizou diretamente as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras e de grandes mineradoras nacionais.

A queda das ações das petrolíferas ocorreu em linha com o recuo dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril do petróleo tipo Brent, referência para os contratos globais, registrou queda de 0,85% e encerrou cotado a US$ 84,23. A baixa surpreendeu parte dos operadores, dado o atual quadro de tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Especialistas avaliam que os temores sobre a demanda global por energia e a aversão generalizada ao risco falaram mais alto nas mesas de commodities do que o prêmio de risco geopolítico. Da mesma forma, o minério de ferro registrou perdas na Ásia, puxando para baixo as cotações das exportadoras de aço brasileiras e consolidando o resultado negativo da B3.

Impacto das Tarifas Americanas nas Exportações

A aplicação da tarifa alfandegária de 25% gera incertezas sobre o volume de receitas de exportação do país. Setores industriais temem a perda de competitividade no mercado norte-americano, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil. Embora o governo dos EUA tenha mantido uma lista de isenções considerável, o impacto de longo prazo sobre o fluxo cambial permanece incerto.

O mercado monitora se o governo brasileiro aplicará sanções espelhadas ou medidas compensatórias. A busca de proteção por importadores e multinacionais acelera a compra de moeda estrangeira no mercado à vista e futuro. Esse comportamento corporativo cria um piso informal para o preço do dólar, dificultando o retorno da moeda para patamares inferiores no curto prazo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Tags

publicidade

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

publicidade
publicidade

Opinião

plugins premium WordPress