Na principal cerimônia religiosa em celebração ao Dia da Padroeira do Brasil, na Catedral Basílica de Aparecida (SP), o arcebispo metropolitano Dom Mário Antônio da Silva proferiu um sermão contundente, fazendo um veemente apelo por paz e inclusão social. Em sua homilia da missa solene das 9h, testemunhada por autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Saúde Alexandre Padilha, Dom Mário não hesitou em abordar questões cruciais para a sociedade brasileira e global, convocando os fiéis e a nação à reflexão e à ação em prol dos mais vulneráveis e de uma convivência harmoniosa.
O arcebispo enfatizou que a fé impõe uma responsabilidade inadiável perante o sofrimento humano, afirmando categoricamente que ‘quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, da solidão.’ Sua mensagem estendeu-se à necessidade de compaixão e solidariedade para com ‘as famílias feridas, das crianças também feridas, dos jovens sem esperança, dos idosos abandonados’. Dom Mário incluiu em seu escopo de preocupação as guerras, a destruição ambiental e ‘tantos outros males que nos afetam’, sublinhando a urgência de uma resposta coletiva e compassiva a essas aflições que assolam o Brasil e o mundo.
Prosseguindo em sua homilia, Dom Mário Antônio dedicou um trecho significativo ao tema do desarmamento e da construção de uma cultura de paz. Ele citou a exortação de Jesus para edificar a paz e, referindo-se ao Papa Leão XIV, advogou por uma ‘paz desarmada e desarmante’. O arcebispo criticou a perpetuação de divisões por meio de armamentos, guerras e confrontos, reiterando que ‘o evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, e nem a matar os inimigos’. A mensagem é clara: a verdadeira paz e inclusão dependem do desmantelamento não apenas de armas físicas, mas também da hostilidade e intolerância ideológica que fragmentam a sociedade.
A Construção de uma Paz Desarmada e Desarmante
A homilia do arcebispo metropolitano de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, durante a missa solene do Dia da Padroeira do Brasil, destacou a urgência de construir uma “paz desarmada e desarmante”. Inspirado na sabedoria do Papa Leão XIV, Dom Mário sublinhou que a verdadeira paz transcende a mera ausência de conflito. Trata-se de um chamado à desmobilização não apenas de arsenais bélicos, mas, fundamentalmente, das atitudes e mentalidades que alimentam a divisão e a beligerância na sociedade brasileira e global. Este apelo ecoa a necessidade de uma transformação profunda nas relações humanas e sociais, buscando a harmonia a partir da renúncia à agressão em todas as suas formas.
O conceito de “paz desarmada” proposto pelo arcebispo refere-se à cessação da produção e do uso de armas, mas estende-se ao abandono da lógica de confronto. Isso implica em não alimentar divisões com armamentos, guerras e constantes confrontos que se manifestam em diversos níveis da vida cotidiana. Dom Mário foi enfático ao afirmar que “o evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, e nem a matar os inimigos”. Esta perspectiva desafia a polarização e a violência verbal ou física que muitas vezes permeiam o debate público, promovendo um ambiente de diálogo e respeito mútuo como base para a coexistência pacífica.
Complementarmente, a “paz desarmante” sugere uma postura ativa que desarma o outro, ou seja, que quebra o ciclo de retaliação e hostilidade. Ao invés de responder à violência com mais violência, ou à discórdia com mais divisão, essa abordagem propõe a construção de pontes e a promoção do entendimento. A mensagem de Dom Mário, ao pedir o desarmamento, associa diretamente a ausência de armas à capacidade de edificar uma sociedade mais justa e equitativa. Ele correlaciona a busca pela paz com a atenção aos vulneráveis, como os que sofrem com a fome e a pobreza, as famílias feridas e os jovens sem esperança, evidenciando que uma paz genuína deve ser alicerçada na justiça social e na solidariedade.
Movimentações Políticas e o Título de Padroeira do Brasil
A questão do título de Padroeira do Brasil para Nossa Senhora Aparecida ressurgiu recentemente no cenário político, gerando debate e preocupação. No mês passado, informações circularam sobre supostos grupos evangélicos, ligados à campanha de Flávio Bolsonaro, que teriam manifestado reprovação à abrangência nacional do título. Essa movimentação levantou questionamentos sobre a possibilidade de uma eventual revisão ou perda do status da Virgem Maria como Padroeira do país. Em resposta à polêmica, o próprio candidato do PL, Flávio Bolsonaro, negou categoricamente qualquer intenção de destituir Nossa Senhora Aparecida de sua posição de patrona nacional, buscando dissipar os rumores que se espalharam rapidamente.
Diante deste cenário de incertezas e discussões políticas, o Arcebispo Metropolitano de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, foi diretamente questionado sobre a possibilidade de Nossa Senhora Aparecida perder o seu título de Padroeira do Brasil. Em sua resposta, o líder religioso demonstrou serenidade e confiança, afirmando não ter nenhum temor de que Maria deixe de ter a importância que possui na vida do povo brasileiro. Ele reforçou a solidez histórica do título, lembrando que foi concedido pelo Papa Pio XI em 1930 e solenemente proclamado no Brasil, então com capital no Rio de Janeiro, em 31 de maio de 1931, estabelecendo uma longa e consolidada tradição.
Apesar de sua confiança inabalável na perpetuidade do reconhecimento a Nossa Senhora Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva admitiu a existência de “movimentações políticas” tanto favoráveis quanto contrárias ao título. No entanto, o arcebispo optou por uma postura cautelosa, recusando-se a “fazer cenários” especulativos sobre o futuro, especialmente considerando o contexto das eleições do segundo turno. Ele salientou que não caberia à Igreja, neste momento, criar previsões alarmantes ou que pudessem abalar a alegria e a celebração vividas atualmente pelos fiéis. Essa ponderação reflete a complexidade da intersecção entre fé, tradição e os dinamismos políticos contemporâneos.
A Fé e a Devoção dos Milhares de Romeiros em Aparecida
Todos os anos, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida se transforma em um epicentro vibrante de fé, atraindo milhões de romeiros de todos os cantos do Brasil e do mundo. A devoção à Padroeira do Brasil manifesta-se em uma peregrinação massiva que transcende gerações, classes sociais e origens geográficas. Esses fiéis, movidos por uma profunda crença, esperança e gratidão, empreendem jornadas muitas vezes desafiadoras para chegar aos pés da imagem milagrosa. A cidade de Aparecida, no interior de São Paulo, pulsa com a energia dessa multidão, que busca consolo, agradecimento por graças alcançadas ou a concretização de promessas.
A jornada dos romeiros é um testemunho vívido da resiliência da fé popular brasileira. Muitos chegam a pé, percorrendo centenas de quilômetros em sacrifício e penitência, muitas vezes carregando símbolos de sua devoção ou pedidos. Outros viajam em caravanas de ônibus, de carro ou de bicicleta, mas todos compartilham um propósito comum: expressar sua fé e devoção a Nossa Senhora Aparecida. Nos rostos cansados, mas iluminados pela esperança, é possível ler histórias de milagres alcançados, de preces atendidas e de uma confiança inabalável na intercessão da Virgem Maria. As lágrimas que correm são de gratidão, de alívio ou de renovação espiritual, compondo um quadro de profunda humanidade e religiosidade coletiva.
No interior da imponente Basílica e em suas imediações, a atmosfera é de profunda reverência e comunhão. Os cânticos entoados em uníssono, as orações sussurradas em silêncio respeitoso e as procissões fervorosas se misturam, criando um ambiente de profunda espiritualidade que envolve todos os presentes. A fé dos romeiros é a força motriz que impulsiona o Santuário, transformando-o não apenas em um local de culto, mas em um verdadeiro lar espiritual e ponto de encontro para milhões de brasileiros. É essa devoção genuína e a busca por um encontro com o sagrado que perpetuam a tradição das romarias, solidificando a imagem de Nossa Senhora Aparecida como um pilar central da identidade religiosa e cultural do país.














