Assembleia debate ações no Paraná para conter impactos do El Niño

Deputados estaduais, cientistas e autoridades da Defesa Civil debatem medidas preventivas contra tempestades severas no Paraná
Reunião técnica entre deputados e especialistas projetou chuvas até 80% acima da média histórica e traçou plano de contingência para o segundo semestre de 2026

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou uma reunião de trabalho focada no debate sobre prevenção, cenários e desafios diante da iminente chegada do fenômeno El Niño ao Estado. O encontro, promovido de forma conjunta pelo deputado estadual Evandro Araújo, vice-presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, e pelo presidente do parlamento, Alexandre Curi, reuniu especialistas de diversas áreas para debater estratégias capazes de evitar desastres climáticos e garantir respostas rápidas a inundações, enxurradas e deslizamentos de terra.

Para o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, Coronel Ivan Ricardo Fernandes, o planejamento prévio para enfrentar as consequências do aquecimento das águas do Oceano Pacífico é de extrema importância. O militar ressaltou que as forças de segurança atuam de forma integrada com as prefeituras para minimizar o impacto social nas cidades paranaenses.

“Esse encontro de hoje é extremamente importante para mostrar à sociedade tudo aquilo que a Defesa Civil Estadual tem feito, em conjunto com os municípios, na preparação para o evento do El Niño, que se aproxima do Estado, principalmente na primavera e no verão”, explicou o coordenador, ressaltando que o Paraná vem se preparando há alguns meses para as eventualidades.

“Nos meses de primavera, já é muito característica a grande incidência de chuvas. No entanto, estão previstas chuvas de 60% a 80% acima da média esperada. Por isso, trabalhamos com atividades de prevenção e planejamento, principalmente em função da possibilidade de ocorrência de inundações e alagamentos em alguns municípios e regiões”, complementou o Coronel Ivan Ricardo Fernandes.

MONITORAMENTO CONSTANTE

O trabalho preventivo e a velocidade de resposta em situações de calamidade pública têm o monitoramento meteorológico como principal pilar de sustentação. O coordenador de Operações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, órgão estadual conhecido pela sigla Simepar, Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, revelou que o fenômeno é acompanhado de perto pelas equipes técnicas.

“Isso já vem sendo discutido nos últimos meses, e no dia 11 de junho foi decretado oficialmente o início do fenômeno, que deve perdurar até pelo menos o verão do próximo ano. O ápice dele é esperado para a primavera, que é o período em que os principais impactos devem ocorrer. Mas pode acontecer antes ou depois, por isso fazemos o acompanhamento tanto na previsão do tempo quanto no monitoramento meteorológico”, contou Jusevicius, lembrando da importância da atuação do órgão junto às autoridades estaduais e municipais.

“Toda e qualquer informação de situação meteorológica adversa é repassada à Defesa Civil, que emite o devido alerta. O monitoramento é contínuo, com todos os nossos equipamentos em operação, para acompanhar de perto, passo a passo, a evolução do fenômeno. O que normalmente esperamos, em função do alto volume de chuva, são alagamentos, enxurradas e inundações.

Esse é o principal foco. Assim, as áreas de risco com essa predisposição são os pontos em que as autoridades devem ficar mais atentas para tomar as medidas de mitigação”, detalhou o coordenador de Operações.

CANAIS OFICIAIS

Para o presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires, a principal recomendação para mitigar picos de pânico na comunidade é o direcionamento do público aos canais oficiais de comunicação, evitando o compartilhamento de boatos virtuais ou previsões sem embasamento científico.

“O que temos reforçado junto à população é que ela busque sempre informações em locais adequados e com fontes oficiais. Sabemos que será um evento forte, com aumento das chuvas e probabilidade de inundações, mas nada que precise ser desesperador ou apavorante. Temos tomado as medidas adequadas: adquirimos mais seis radares meteorológicos, que serão instalados em breve. Com esses radares e com nossa rede de estações hidrometeorológicas, poderemos fornecer as informações adequadas à população, para que sejam tomadas as medidas pertinentes a cada momento”, resumiu Pires.

De acordo com a nota técnica atualizada, a probabilidade de consolidação do fenômeno climático em nível moderado a forte na metade final do ano é de 82%. O histórico estatístico do Paraná na última década aponta que os eventos severos afetaram mais de quatro milhões de pessoas e geraram prejuízos acumulados de aproximadamente 32 bilhões de reais no território estadual.

PRESENÇAS

A mesa de debates na Assembleia Legislativa também contou com a presença do secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Natalino Avance de Souza, de auditores do Tribunal de Contas do Estado, representantes de prefeituras e engenheiros de órgãos ambientais públicos e privados.

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