Secretário da Fazenda detalha alta de investimentos em audiência na Alep

Secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara
Secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara
Relatório de Norberto Ortigara aponta aplicação de R$ 3,8 bilhões e cumprimento dos limites constitucionais em saúde e educação no Paraná

Os dados fiscais e financeiros do Paraná referentes ao primeiro quadrimestre de 2026 foram apresentados no dia 26, terça-feira, em audiência pública realizada no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. O balanço da Secretaria da Fazenda detalhou os investimentos no período, além das despesas empenhadas acima dos mínimos constitucionais nas áreas de saúde e educação. A prestação de contas atende às determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece a demonstração periódica do cumprimento das metas fiscais do Estado.

O Paraná registrou receita total de R$ 26,9 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, valor 1% superior aos R$ 26,6 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Já as despesas totais atingiram R$ 30,3 bilhões. O número é puxado principalmente pela alta de 139% nos investimentos, que alcançaram a maior marca para o primeiro quadrimestre dos últimos 26 anos, com um total de R$ 3,8 bilhões empenhados. A cifra é mais do que o dobro dos R$ 1,6 bilhão aplicados no início do ano passado.

CENÁRIO ECONÔMICO

O secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, explicou que o desempenho da arrecadação estadual reflete o cenário econômico nacional e internacional, marcado por juros elevados, alto nível de endividamento das famílias e desaceleração do consumo. Segundo ele, fatores externos, como os conflitos no Oriente Médio e os impactos sobre os custos do petróleo, também pressionam a economia e afetam setores importantes da produção paranaense, especialmente a agricultura.

“O sintoma da economia hoje é dívida elevada, Selic elevada, restrição de crédito e famílias endividadas. Isso reduz o consumo e impacta a arrecadação. Nossa receita total cresceu apenas 1% no quadrimestre, o que representa uma queda real superior a 3%”, afirmou.

Apesar do cenário, Ortigara destacou o controle das despesas correntes e a ampliação dos investimentos públicos como prioridades da gestão fiscal estadual. “Conseguimos controlar aquilo que é despesa corrente e fazer um crescimento importante e fantástico nos investimentos. Esse é o tom que estamos dando desde o ano retrasado, privilegiando os investimentos”, disse.

LIMITES CONSTITUCIONAIS

O secretário também ressaltou o cumprimento dos mínimos constitucionais nas áreas de saúde e educação. Na área da saúde, a despesa empenhada atingiu R$ 3 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, o equivalente a 14,76% da Receita Líquida de Impostos, acima do mínimo constitucional de 12%. O crescimento da aplicação de recursos ocorreu especialmente na gestão da assistência hospitalar e ambulatorial.

Na educação, a despesa empenhada, somada ao envio de recursos ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, alcançou R$ 6,2 bilhões, correspondendo a 31,13% da receita líquida, acima do mínimo constitucional de 30%. O relatório aponta que o aumento dos investimentos foi concentrado principalmente em ações voltadas à valorização da educação básica. Em relação ao limite destinado à Ciência e Tecnologia, a despesa empenhada por meio do Fundo Paraná atingiu R$ 188 milhões no período.

DEBATE PARLAMENTAR

Após a apresentação dos dados, houve questionamentos dos deputados sobre a situação do caixa estadual, previdência e financiamentos. O deputado Delegado Jacovós perguntou sobre o caixa livre, e Ortigara informou que o valor passou de R$ 10,5 bilhões no início do ano para R$ 8,5 bilhões ao final de abril, devido ao pagamento de convênios. O Estado possui cerca de R$ 20 bilhões ao considerar recursos livres e vinculados.

O parlamentar também questionou os motivos para a contratação de empréstimos diante do caixa disponível. O secretário respondeu que as operações são destinadas à modernização administrativa e tecnológica do Estado, argumentando que os financiamentos internacionais possuem juros mais baixos que a taxa básica nacional. Os deputados Tito Barichello, Paulo Gomes, Fabio Oliveira e Arilson Chiorato também questionaram pontos como previdência, convênios municipais, critérios de empenho e a nota de capacidade de pagamento do Estado.

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