Rastreamento de câncer colorretal no SUS: nova proposta

Conitec dá parecer favorável a diretriz de rastreamento de câncer colorretal no SUS. Entenda como funcionará a testagem de sangue oculto e a importância do diagnóstico precoce

O Sistema Único de Saúde (SUS) está próximo de adotar um programa oficial de rastreamento para o câncer colorretal, doença que apresenta crescimento no número de casos e óbitos no Brasil. Uma nova diretriz, elaborada por especialistas e aprovada preliminarmente pela Conitec, recomenda a realização do teste imunoquímico para detecção de sangue oculto nas fezes a cada dois anos para pessoas entre 50 e 75 anos. O objetivo é identificar lesões pré-cancerígenas e aumentar as chances de cura, que são significativamente maiores quando o diagnóstico ocorre em estágios iniciais.

Como Funcionará o Rastreamento no SUS?

A proposta atual, que passará por consulta pública nos próximos dias, foca na população sem fatores de risco aparentes e sem sintomas. A estratégia é baseada em um fluxo de atendimento simplificado e eficaz:

  1. Triagem Inicial: Realização do teste imunoquímico (fezes) a cada dois anos.

  2. Identificação de Sangue Oculto: O exame detecta vestígios de sangue não visíveis a olho nu.

  3. Encaminhamento para Colonoscopia: Em caso de resultado positivo, o paciente realiza a colonoscopia para identificar a causa do sangramento (pólipos ou tumores).

  4. Tratamento Precoce: Retirada de lesões pré-cancerosas durante o próprio exame de imagem, impedindo a evolução da doença.

A Importância do Diagnóstico Precoce e o “Março Azul”

O câncer colorretal (que atinge o intestino grosso e o reto) muitas vezes é silencioso em suas fases iniciais. Segundo o epidemiologista do Inca, Arn Migowski, o rastreamento organizado é capaz de reduzir não apenas a mortalidade, mas também o número de novos casos, já que permite remover pólipos antes que se tornem malignos.

“Ao contrário de outros cânceres, no colorretal podemos detectar lesões pré-cancerosas e evitar que a doença se instale”, explica Migowski.

A campanha Março Azul reforça que a descoberta tardia é o principal fator para a alta mortalidade. Estimativas indicam que as mortes por este tipo de câncer podem triplicar até 2030 se medidas de rastreio não forem amplificadas.

Implementação Escalonada: O Desafio Logístico

Para que o SUS absorva a nova demanda sem prejudicar os pacientes que já apresentam sintomas, a implementação deve ser escalonada. Isso significa que o programa começará em regiões específicas antes de ser expandido para todo o território nacional.

O modelo organizado exige que o sistema:

  • Convoque ativamente a população na faixa etária alvo.

  • Garanta o seguimento e a realização de colonoscopias em tempo oportuno.

  • Mantenha um sistema de reconvocação periódica.

Sinais de Alerta: Quando Procurar um Médico Urgente?

Embora o rastreamento seja para pessoas sem sintomas, a Dra. Renata Fróes, presidente da Associação de Gastroenterologia do RJ, aponta sinais que indicam a necessidade de investigação imediata:

  • Mudança no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre persistente).

  • Fezes “em fita” (muito estreitas).

  • Sangramento anal visível ou dores abdominais.

  • Emagrecimento sem causa aparente, anemia e cansaço extremo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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