A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizou uma audiência pública para debater medidas urgentes diante do “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos desde 6 de agosto, que atinge diretamente a indústria madeireira do estado. A madeira representa 39% das exportações do Paraná para os EUA e é o produto mais exportado para aquele país. O setor está em crise porque sua produção é altamente especializada para atender as características do mercado americano (como o sistema wood frame), o que inviabiliza a busca por alternativas de mercado a curto prazo.
O impacto é drástico: o setor, que emprega cerca de 38 mil pessoas no Paraná (em 266 municípios), já calcula 6 mil demissões, com 5.500 funcionários em férias coletivas, e projeta mais 5 mil demissões caso as tarifas permaneçam por mais 60 dias. O tarifaço torna o setor madeireiro brasileiro incapaz de competir com outros países, que têm tarifas significativamente menores (ex: 10% na vizinhança).
Medidas Imediatas Anunciadas na Alep
Diante do cenário, o presidente da Alep, Alexandre Curi (PSD), prometeu aplicar regime de urgência a proposições legislativas relativas ao tema, permitindo a tramitação em até 48 horas.
A medida mais concreta anunciada pelo Governo do Estado partiu do secretário da Fazenda, Norberto Ortigara. Ele informou que o Executivo encaminhará à Alep um projeto para autorizar a compra direta de crédito (ICMS) das empresas madeireiras atingidas. Essa medida visa disponibilizar o montante a curto prazo e sem parcelamento, auxiliando o fluxo de caixa das empresas.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também listou demandas prioritárias, como a criação de um Comitê de Crise na Alep, a liberação de ICMS, a criação de uma linha de financiamento emergencial do BNDES, a reativação do programa Seguro-Emprego (PSE) e a ampliação do Reintegra. O deputado federal Pedro Lupion (PP) anunciou ainda que levará a situação à Câmara dos Deputados.







