Os riscos ocultos da exposição digital: especialista alerta para o impacto psicológico da adultização precoce

Adultização
Um vídeo de influenciador gerou mais de 6 mil denúncias de exploração infantil na internet. Especialista alerta para os riscos da adultização e para o aumento da violência digital contra crianças

A denúncia feita pelo influenciador Felca sobre a adultização e exploração de crianças na internet gerou forte comoção, resultando em mais de 6,2 mil denúncias de crimes cibernéticos contra menores desde 6 de agosto. A SaferNet registrou que 52% dessas denúncias ocorreram após a viralização do vídeo. A situação reflete uma tendência preocupante, com um aumento de 18,9% nas denúncias anônimas de abuso e exploração sexual online entre janeiro e julho de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A professora de psiquiatria da infância e adolescência da Afya Educação Médica, Dra. Carla Caroline Vieira, alerta que as consequências para as vítimas podem ser devastadoras. O trauma pode gerar transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), quadros de depressão, ansiedade e pânico, além de problemas de relacionamento e baixa autoestima. A especialista destaca que a vergonha muitas vezes impede as vítimas de buscarem ajuda.

A Dra. Carla orienta que a principal ferramenta de proteção é o diálogo, com a construção de uma relação de confiança. Os pais devem estar atentos a sinais de alerta, como isolamento social, mudanças bruscas de humor, perda de interesse em atividades, distúrbios de sono ou alimentação e o medo incomum de usar dispositivos digitais.

 

Adultização e seus Impactos Psicológicos

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023 revela que 24% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos iniciaram o uso da internet com 6 anos ou menos. Aos 11 e 12 anos, 82% já possuem perfis em redes sociais, apesar da idade mínima de 13 anos para a maioria das plataformas.

A psiquiatra da Afya explica que a adultização é um “salto de etapas” no desenvolvimento, no qual a criança é incentivada a ter uma aparência e comportamento de adulto. Isso pode levar à perda de espontaneidade, ingenuidade e a um desenvolvimento emocional acelerado e desordenado, gerando estresse e ansiedade. Ela reforça que o cérebro infantil ainda está em formação, especialmente o córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisões.

Uma pesquisa do Instituto Cactus aponta que 45% dos casos de ansiedade em jovens de 15 a 29 anos no Brasil estão ligados ao uso intensivo das redes sociais. Além disso, jovens que passam mais de três horas diárias conectados têm um risco 30% maior de desenvolver depressão. A especialista complementa que as redes sociais promovem a comparação, o cyberbullying e a pressão por performance, e a gratificação instantânea das curtidas pode criar um ciclo de dependência psicológica.

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