Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Ofensiva de Trump contra economia brasileira não é motivo de comemoração política

Na quarta-feira (09/07), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova rodada de medidas tarifárias no comércio internacional. Dessa vez, jogando uma bomba tarifária ao Brasil, também. Em carta enviada ao presidente Lula, avisou que os produtos brasileiros vendidos aos EUA sofrerão cobrança de alíquota de importação de 50%. A ofensiva global de Trump, nos últimos dias, já atingiu mais de vinte países a partir de notificações formais enviadas com o anúncio da imposição de taxações pesadas nas tarifas de importação.

 

Censura nas redes sociais dos EUA

Entre as justificativas do presidente norte-americano, estariam supostas desvantagens dos EUA nas trocas comerciais com o Brasil. Além de justificativas políticas relacionadas a decisões do STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump criticou, na carta a Lula, inclusive, ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como supostas atividades comerciais desleais do nosso país. O republicano referiu-se a sanções do STF a empresas de mídias digitais sediadas nos Estados Unidos por permitirem críticas de usuários residentes no país norte-americano ao governo brasileiro. A exclusão de perfis nas redes sociais de críticos do governo brasileiro que residem nos EUA, a exemplo do influenciador digital Allan dos Santos, seria um exemplo de suposta violação da soberania dos EUA perpetrada pelo ministro Alexandre de Moraes.

 

Sanções ao empresariado

Bolsonaristas, inicialmente, comemoraram a decisão de Trump contra o Brasil, entendendo que se trataria de uma medida a atingir em cheio o governo Lula. Mas, parlamentares da oposição já começam a admitir que a medida de Trump é um tiro no pé do Brasil. Afinal, trata-se de sanções contra o próprio país, a economia brasileira, a empresários, a empresas, ao agronegócio… Em resumo, os maiores prejudicados serão os próprios brasileiros, atingindo duramente a economia, empresas e ameaçando milhares de empregos.

 

Desculpa esfarrapada

A justificativa do presidente Trump de que há desvantagens aos Estados Unidos nas trocas comerciais com o Brasil não passa de desculpa esfarrapada. Desde 2009, os EUA estão em vantagem em relação a balança comercial. Exportam para o Brasil mais do que compram de nosso país. Há, atualmente, um superávit dos EUA de U$88,61 bilhões, o equivalente a R$484 bilhões, na balança comercial entre os dois países.

 

Bloco de economias emergentes

Além de se tratar de uma decisão motivada pelo alinhamento político com Bolsonaro, Trump age com motivação geopolítica, com o objetivo de ampliar a margem de negociação com países estratégicos. A taxação contra uma série de países foi anunciada entre 25% a 40% de alíquota. Mas, a países dos BRICS, como o Brasil, foi adicionada uma taxa de mais 10%. No caso do Brasil, as alíquotas cobradas aos produtos brasileiros chegarão a 50%. O objetivo é claro: quebrar as pernas dos países dos BRICS – bloco econômico de países de economias emergentes que, além do Brasil, inclui, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Etiópia, Irã e Indonésia. O bloco estaria tentando destituir o dólar como moeda padrão internacional. Para Trump, os BRICS representam um grande entrave ao projeto MAGA – Make America Great Again (“Tornar a América Grande de Novo”), o carro-chefe de sua campanha eleitoral.

 

Reciprocidade ou diálogo?

O presidente Lula tem reagido com avisos de que haverá reciprocidade nas sanções a partir de retaliações proporcionais. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin, que, também, é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, apesar de considerar injustas as sanções comerciais, tem dito que o diálogo deverá prevalecer. ”Dos dez produtos que os Estados Unidos exportam para o Brasil, oito têm alíquota zero. Não pagam imposto”. Alckmin acrescentou que são 200 anos de amizade comercial entre Brasil e Estados Unidos, onde o comércio bilateral tem fluído muito bem até Trump optar por retaliações injustificadas.

 

Bravatas e recuos?

Possivelmente, o anúncio das sanções à importação de produtos brasileiros não passem de bravatas onde Trump terminará por ter de recuar, como já fez com a China. As medidas deverão prejudicar a própria economia americana, também. Há uma integração na área comercial. O Brasil é o terceiro comprador do carvão siderúrgico americano. Fazemos, aqui, o produto semi elaborado, que volta aos EUA para ser finalizado. Então, quando esse produto semi elaborado volta aos EUA,a nova taxação de importação imposta ao Brasil deverá encarecer a cadeia produtiva do país da América do Norte. O resultado é o aumento da inflação sobre os preços finais ao consumidor.

 

Exportação do café brasileiro

O café é outro produto brasileiro vendido amplamente aos Estados Unidos. O Brasil é o maior fornecedor de café aos EUA. E 80% do café consumido naquele país é importado. Não é tão fácil, assim, encontrar outro produtor de café para abastecer o mercado interno americano sem encarecimento dos preços finais ao consumidor.

 

Soberania política e institucional

As decisões tresloucadas de Trump terminam por prejudicar a ambos os países. Aqui, no Brasil, não há motivos para comemorações, mesmo que motivadas unicamente por questões políticas. Nenhuma retaliação significativa deverá recair sobre o STF. O julgamento de Bolsonaro, também, não sofrerá nenhuma influência. O Brasil é soberano em se tratando de suas leis e poderes constituídos.

 

Economia brasileira ameaçada

Os únicos a pagarem um alto preço por toda essa cruzada de Trump contra o Brasil serão os empresários e trabalhadores de toda a cadeia produtiva atingida. Quanto aos BRICS, nem mesmo Bolsonaro, quando na presidência, ousou tirar o Brasil do importante bloco econômico de países emergentes. Mesmo a despeito de tal bloco incluir ditaduras como, China, Rússia e Irã, não houve nenhum movimento de Bolsonaro neste sentido. Ao contrário, Bolsonaro foi um presidente bastante alinhado ao ditador Vladmir Putin, tendo tecido elogios ao russo justamente no período em que a Rússia acabava de invadir a Ucrânia.

 

Fortalecimento dos BRICS

A ofensiva de Trump não é culpa de Lula, nem de Bolsonaro, já que, ambos, na presidência da República, trabalharam para fortalecer os BRICS. É culpa do próprio Trump, mesmo, um bravateiro tresloucado que acredita que administrar um país é igual apostar em jogos de cassino. ”Se eles querem jogar esse jogo, tudo bem. Mas eu, também, sei jogar”, disse Trump ao avaliar a postura dos BRICS de buscar fazer frente e reunir forças contra o poderio econômico dos EUA.

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