Acidentes com motos no Paraná: mais de 7 mil ocorrências em Curitiba acendem alerta para segurança no trânsito

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Acidentes envolvendo motociclistas se tornaram uma cena diária alarmante no Paraná. Com mais de 7 mil ocorrências em Curitiba em 2024 — uma média de 19 por dia —, e 119 mortes em rodovias federais no estado no mesmo período, a alta frequência desses sinistros tem anestesiado a população, transformando tragédias em meras estatísticas. A campanha Maio Amarelo e especialistas em segurança viária alertam para a urgência de reeducação no trânsito, investimentos em infraestrutura e a implementação de inspeção veicular obrigatória para frear a "banalização da morte" nas estradas

A cena se repete com uma frequência inquietante nas cidades do Paraná: sirenes, trânsito parado, e mais uma motocicleta caída no asfalto. Em 2024, Curitiba registrou mais de 7 mil acidentes com motos, o equivalente a 19 ocorrências diárias, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Paraná (Detran-PR). A banalização desses eventos é tamanha que a notícia de mais uma fatalidade quase não surpreende, tornando-se parte da rotina urbana.

A campanha Maio Amarelo deste ano, sob o tema “Mobilidade Humana. Responsabilidade Humana”, busca confrontar essa realidade, convocando a sociedade a rever comportamentos, impulsionar investimentos em segurança viária e fortalecer práticas preventivas.

Everton Pedroso, presidente da Associação Paranaense de Inspeção Veicular (APOIA), expressa preocupação com a invisibilidade crescente dessas estatísticas. “A frequência dos acidentes com motociclistas está anestesiando a população. Em sua maioria são homens jovens. Todos têm nome, história, família. É preciso reeducar o trânsito e investir em processos que contribuam para aumentar a segurança. É necessário frear essa banalização da morte”, afirma.

Os dados recentes corroboram a gravidade da situação. No final de abril, um motociclista de 18 anos perdeu a vida em Curitiba após ser atropelado. Em março, em Foz do Iguaçu, outro jovem de 28 anos morreu ao colidir com uma árvore. “São vidas interrompidas e que trazem uma pequena amostra da rotina sangrenta no dia a dia do trânsito”, analisa Pedroso.

A Polícia Rodoviária Federal no Paraná (PRF-PR) reportou que, em 2024, 119 ocupantes de motocicletas faleceram em sinistros nas rodovias federais paranaenses. Das 605 mortes no trânsito registradas pela PRF-PR, que representam um crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior, 19,7% envolveram condutores de motos. A faixa etária mais impactada, entre 20 e 39 anos, é justamente a economicamente mais ativa.

 

Infraestrutura, Imprudência e Omissão: Um Cenário Complexo

Nas rodovias federais do Paraná, mais da metade das mortes ocorrem em trechos de pista simples, com destaque para colisões frontais frequentemente causadas por ultrapassagens perigosas. A falta de iluminação adequada também é um fator que contribui para o alto número de atropelamentos, especialmente durante a noite ou ao amanhecer.

Este cenário é agravado pela rápida expansão da frota de motocicletas, especialmente nas grandes cidades. Curitiba, por exemplo, registrou um acréscimo de 47 mil motos em circulação em apenas um ano, aumentando significativamente o risco nas vias e demandando mais fiscalização, melhor infraestrutura e campanhas educativas.

Everton Pedroso defende que toda motocicleta que sofreu algum tipo de alteração deveria passar, obrigatoriamente, por inspeção veicular para ter sua circulação autorizada, de forma similar ao que já ocorre com carros e outros veículos. Essa análise técnica é fundamental para identificar e corrigir falhas que, embora imperceptíveis no uso cotidiano, podem ter consequências fatais, como problemas no sistema de freios, iluminação e suspensão. “Isso não deve ser visto como uma burocracia, mas como um ato de responsabilidade pública. Uma motocicleta em condições inadequadas é um risco não apenas para quem a conduz, mas para todos no trânsito”, argumenta.

 

Lições da Experiência Internacional

Em países como Espanha, Alemanha e Japão, onde a inspeção veicular de motos é obrigatória, os índices de mortes no trânsito envolvendo motociclistas são consideravelmente menores do que no Brasil. A regularidade da fiscalização técnica é apontada como um dos fatores que contribuíram para a queda sustentada das fatalidades.

Para a APOIA, a solução para essa crise começa com medidas concretas: inspeção veicular obrigatória, campanhas educativas permanentes e mais fiscalização. Contudo, o aspecto mais crucial reside no compromisso coletivo com o valor da vida. “Enquanto as mortes se acumulam nas ruas, a indiferença cresce. Precisamos recuperar a capacidade de nos indignar — e agir. Um trânsito mais seguro depende de escolhas conscientes”, reforça Pedroso.

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